Literatura

Não à faixa etária!

A decisão de diversas grande editoras britânicas de, a partir do outono deste mês, colocar na capa de todos os livros um selo determinando sua faixa etária (+5, +7, +9, +11, +13/teen) gerou um sério conflito entre estas e diversos profissionais da área.

Os contrários a mudança, liderados por Philip Pullman (His Dark Materials), se organizaram para tentar impedi-la. Para tal, eles deram início a um programa chamado No to Age Banding (Não à Faixa Etária) e estão fazendo uma petição online (neste site), que já possui nomes como Michael Morpurgo, Jacqueline Wilson, Terry Pratchett, Neil Gaiman e mais de 80 outros, passando principalmente por escritores, ilustradores, editores e bibliotecários.

Os integrantes do movimento reclamam principalmente do potencial que este selo tem de espantar potenciais novos leitores, que se sentiriam acuados com a delimitação de idades para ler tais e tais livros. Em uma conversa com o site The Daily Telegraph (aqui) Pullman dá diversos argumentos e deixa bem claro seu descontentamento com a medida, afirmando: “I don’t want to see the book itself declaring officially, as if with my approval, that it is for readers of 11 and upwards or whatever. I write books for whoever is interested. When I write a book I don’t have an age group in mind.” (eu não quero ver o livro declarado oficialmente, como se com o meu consentimento, que é para leitores de 11 ou mais anos ou qualquer coisa. Eu escrevo livros para quem quer que esteja interessado. Quando eu escrevi um livro eu não tenho em mente uma faixa etária específica).

Os principais argumentos do grupo No to Age Banding são os seguintes:

  • Cada criança é única, assim como cada livro também o é. Julgamentos acurados sobre qual idade é adequada é impossível, e fazer aproximações é pior e inútil.
  • Crianças facilmente se sentem estigmatizadas, e muitas irão deixar de lado livros que elas poderiam adorar por causa do medo de ser taxadas de “bebês”. Outras crianças podem se sentir consternadas sentindo que livros taxados para sua faixa etária são muito difíceis e deixar de ler mais firmemente que antes
  • A seleção em idades procura ajudar adultos a comprar livros para crianças, e nós somos todos a favor disso; mas ela o faz dando a eles a informação errada. É também provável que encoraje adultos prescritivos a limitar a leitura da criança de maneiras desnecessárias e possivelmente danosas.
  • Tudo sobre o livro já é rico com dicas sobre o tipo de leitura existente nele – jacket, desing, tipografia, estilo de prosa, ilustrações, cópia da capa. Aí se fazer conexões genuínas com potenciais leitores, pois eles apelam para a preferência individual. A estipulação de uma faixa etária é uma coisa falsa, pois implica dizer que todas as crianças de determinada idade são iguais.
  • Atualmente as crianças são ensinadas a checar mais de perto as capas dos livros para descobrir toda informação existente nela. A esperança de que elas não vejam o aviso de faixa etária, ou pensem que este não é importante, é infundada.
  • Os escritores tomam muito cuidado para não limitar seus leitores desnecessariamente. E encontrar alguém afastando seus leitores depois deles terem escrito uma história da melhor maneira possível é contrário a tudo que nós valorizamos em livros, na leitura e mesmo na literatura.
  • Sim, faixa etária é uma idéia estúpida e intimidadora para uma criança. Ainda em algumas coisas seja necessário, imagine só oque é uma criança de 12 anos comprar Vampire…. nunca funciona bem… eu tinha menos que isso quando comprei… 😛

  • Até faz sentido essa crítica à classificação etária, mas isso abre precedente pro seu questionamento em outras mídias (como filmes pornô, por exemplo).

  • é André, mas no caso de filmes (ainda mais os pornôs) o comum é as pessoas já terem desejo de ir ao cinema ou alugar filmes, enquanto com os livros o problema é exatamente tentar incentivar as pessoas a lerem mais, pois essa prática parece ser cada vez menos comum…

Deixe um comentário

Sugeridos
LançamentosLiteratura

Escritor Douglas Robberts lança “Meninos avessos, duendes travessos”

Nova obra de Douglas Robberts apresenta o encontro inesperado entre dois meninos...

LançamentosLiteratura

Christian Araújo leva personagens trans a uma Belém distópica em Não Sou um Diário

Escritor e cineasta paraense mistura poesia, ficção científica e cultura pop em...

LançamentosLiteratura

Romance premiado sobre violência contra a mulher percorre Sesc RJ

Selecionado pelo Edital de Cultura Sesc RJ Pulsar, “Açougueira”, de Marina Monteiro,...

AgendaLiteratura

Flautista Ivan Melillo lança o livro “Crônicas Musicais”

Na obra, ele expõe partituras das suas próprias músicas, compostas diariamente em...

FestivaisLançamentosLiteratura

“Guia de conduta para mulheres bravas” na Flip 2026

A pesquisadora, artista visual e escritora Marina Jerusalinsky é semifinalista do Prêmio...

AgendaFestivaisLiteratura

Flip 2026: cearense Maurício Mendes com Manual do Mediador

Nova edição de “O homem não foi feito para ser feliz” chega...

AgendaLiteratura

Danilo Heitor leva ficção científica e memória política na Flip

O que acontece quando os crimes de uma ditadura não ficam no...

LançamentosLiteratura

O manual do turista que ninguém aguenta 

Reclamadores, invasores de espaço e entrosões ajudam a explicar por que a...

LançamentosLiteratura

Thainá Fernandez lança romance  “Beijada pela maré”

Com patrocínio do Governo do Estado do Rio de Janeiro, novo romance...

LançamentosLiteraturaTecnologia

Lançamento da Flip 2026, “Biotecnosfera”

Romance de Lucas Araújo mistura ficção especulativa, crise climática e debates sobre...