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A Banda Mais Bonita da Cidade levanta a plateia em espetáculo emotivo no Sesi

A voz pode ser um poema com ritmo, pausa e seus (com)passos. Há altos e baixos como há versos embutidos em estrofes. Ela é um tipo de ordenança e ali vem ao fundo as crianças como um coro repentino ou repentista. Um show requer certa magia, estamos no palco e também no teatro, ode das máscaras que ordenam a representação. Mas a banda está atrás da cantora, às vezes esta tudo misturado, autor entre baixo, batera e a própria vocalista.
Pois vi um belo show de uma Banda Mais Bonita da Cidade com paredes muito bem dilapidas em seu quinteto totalmente redondo no som, na rítmica, na diapasão dos solos, dos riffs, dos sequenciadores dos teclados, tudo filtrado em coesão, como uma ótima  água com gás e que gás da vocalista, Uyara Torrente, um dos mais belos e límpidos vocais da MPB ou POP, como queiram. Cada acento prosódico e poético das sílabas dos versos, ela acentua com leveza e força ao mesmo tempo.
A banda está de tocaia acompanhando-a em cada fraseado. O baixista Marano degusta notas agudas e sincopadas de seu baixo pontual. Tanto ele, como o batera Luis Bourscheidt fazem uma cozinha para lá de azeitada no tempero um pouco soul um pouco rock. Quando chega o momento de uma suingueira, Thiago Ramalho perde as estribeiras com seus solos que remetem ao ondulado R&B, alias, é do próprio arranjo, tanto do disco como do show, acertar as entradas da guitarra solando economicamente. E para não dizer que estávamos no teatro, vi camadas de encenação de cenas sequenciais da base ou camadas que ficam por baixo como uma tapeçaria que foram eximiamente produzidas Vinicius Nisi.
Abriram com ‘Suvenir’ e foram tocando a maioria do novo álbum, “De cima do mundo eu vi o tempo”. Passando por ‘Bandarra’ com participação do Tibério Azul fazendo um belo dueto com a cantora. Alias foi uma bela surpresa a inclusão de ‘Tigresa’ do Caetano Veloso no repertório com um arranjo bem modulado em intensas vibrações, com um proveitoso discurso feminista no finalzinho da letra.
Houve um momento bonito onde puxo novamente as crianças citadas no começo da resenha para um tête-à-tête com o público, no qual os músicos sentaram-se na beirada do palco apenas com instrumentos elétricos como guitarra, baixo para trovar três canções com coro da plateia até então extasiada pela emoção. Fecharam com o hit ‘Oração’, primeiro sucesso da banda, e numa ode carnavalesca chamaram o distinto público literalmente para rua. Parafraseando Sergio Sampaio eles botaram o bloco deles na Rua!!!

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