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A orquestra bicho grilo de Edward Sharpe and the Magnetic Zeros

O sonho não acabou. Enganou-se redondamente quem achava que o Peace and Love sessentista teria curto prazo de validade. A filosofia dos hippies ainda permeia a cultura pop atual, sobretudo na música, onde se pode identificar claramente a influência daquele movimento em suas letras e harmonias.

É o caso de Edward Sharpe and the Magnetic Zeros. A banda formada em 2007 pelo vocalista do Ima Robot Alex Ebert, lançou seu primeiro álbum, Up From Bellow, em 2009, primeiro digitalmente e uma semana depois, em 14 de julho, as cópias físicas chegaram às lojas. Sharpe, na verdade, é o nome de uma figura messiânica cuja saga seria narrada por Ebert em um livro no qual estava trabalhando quando terminou o relacionamento com sua namorada. Sharpe seria um salvador enviado à Terra para curar a humanidade de toda a impureza, mas sem deixar de se divertir com garotas e se apaixonar. A banda é formada por Ebert, pela guitarrista e vocalista Jade Castrinos e mais uma numerosa trupe de músicos, além dos de apoio. Isso gerou uma comparação imediata com outra banda hippie numerosa, o Poliphonic Spree, porém Edward Sharpe é um pouco mais pé no chão.

O álbum Here (Rough Trade/ 2012), vem fazendo uma bela carreira, vendendo 35 mil cópias apenas na primeira semana. Nada mal para uma banda independente. São nove faixas muito inspiradas e refletindo em suas letras todo o espírito libertário pregado por Ebert. A primeira faixa, Man on Fire diz em seu refrão I’m a man on fire/ Walking through your street/ With one guitar/ And two dancing feet/ Only one desire/ That’s left in me/ I want the whole damn world/ To come dance with me (Sou um homem em chamas/ Andando pela sua rua/ Com um violão/ e dois pés dançantes/ Apenas um desejo/ Ficou dentro de mim/ Eu quero que todo o maldito mundo/ Venha dançar comigo). Mais hippie impossível.

A segunda faixa That’s What’s Up vem na mesma linha, com refrão fácil e mântrico. Vale ressaltar o entrosamento vocal entre Ebert e Castrinos funciona muito bem, como vasos comunicantes, e os músicos logram êxito no desiderato de entregar ao ouvinte um som denso e com textura, sem excesso de floreios nem massaroca sônica desnecessária. Outra faixa que merece destaque é a bela Mayla. Simples e seguindo a linha de mantra, traz um belíssimo trabalho de vocais. Essa sim,lembra bastante o Poliphonic Spree.

A faixa sete, One Love To Another é uma clara tentativa de emular Bob Marley. O resultado é bom, mas passa bem perto do plágio. Há também influências de Bob Dylan, Flaming Lips (mais no ponto de vista da anarquia) e ainda há um identificável eco de Belle & Sebastian na faixa Dear Believer.

Com tantas influências/referências, fica a impressão, ao final da audição, que Ebert e companhia atiraram para vários lados, às vezes se esquecendo de sedimentar uma marca registrada própria mais contundente. O resultado final é positivo, mas para quem não é propriamente entusiasta do espírito paz e amor, ou anseia por novidades, Here não deve emocionar

[xrr rating=3.5/5]

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Maestria

Publicado por Cesar Monteiro

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