As tardes dominicais voltaram a ser musicais na TV Globo

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As tardes dominicais voltaram a ser musicais na TV Globo | Música | Revista Ambrosia

“Procuramos a nova voz do Brasil” este epíteto resume a ideia do programa The Voice, que ganha uma versão nacional, via Rede Globo. O programa investe numa das paixões nacionais, a música. E como por aqui abundam talentos dos mais diversos estilos e gêneros, a proposta desse concurso de talento tendo como professores artistas consagrados, e que super bem produzido, casa perfeitamente com a nossa vocação pras artes.

O diferencial do The Voice pros outros programa que descobrem talentos musicais é a ausência de personagens bizarros, apresentações constrangedoras, e os seus jurados estão acima de qualquer suspeita, mesmo a dupla mais fraca do quarteto em termos musicais agrada pela empatia (Daniel) e beleza (Claudia Leite), já que o teor musical fica mesmo com Lulu Santos e Carlinhos Brown.

O grande atrativo de The Voice é a importância que a musica ganha. Vamos aos fatos. O que deixa a todos arrepiados durante o programa? As cadeiras viradas de costas pra quem canta e o suspense a cerca delas, as cadeiras, virarem em direção ao candidato. Todos perguntam o propósito. Pra valorizar a voz, o canto, a música, a melodia. Estamos falando do veículo TV e TV é imagem. Obvio, não ? Sim, mas se você lembrar os outros programas (Ídolos e Astros), note que eles, os jurados, ficam de frente e veem o calouro entrar e qual a primeira impressão? A visual. Depois vem o canto. Ou seja, o que agrada ou se refuta primeiro é o visual. E aqui, o chavão se impõe: A primeira impressão é a que fica e se tratando de visual na TV (!!), mais ainda. Dito isso, lembre a profusão de gordinhos e feinhos, de vozes belíssimas e talento exuberante que foram classificados pra segunda fase do The Voice.

Infelizmente nem tudo é perfeito na avaliação do quarteto responsável por escolher quem passa pra segunda fase. Os critérios são subjetivos, e mesmo alguém identificado plenamente com o seu estilo musical, o sertanejo Daniel, surpreendeu ao sair do lugar-comum e deixar de lado competidores que representavam com louvor a música sertaneja e investir em cantores com uma pegada mais pop. Como eu disse, os critérios são subjetivos. Mas o que dá mesmo pra notar é quando uma composição escolhida é fraca e compromete a performance do competidor, isso e a indelével rejeição pelos vícios melódicos, comuns em cantores de barzinho que tentam não arriscam, sem impor um estilo próprio e apenas ‘imitam’ um modo de interpretar. Esses – por mais bela que seja a voz – tem sempre a negativa dos jurados-artistas.

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A segunda fase começou e o nível dos números musicais segue alto quando a música escolhida permite releituras atualizadas ou que se encaixem com as vozes dos candidatos. Tarefa complicada quando lembramos que se trata de um programa dominical que tem como finalidade entreter e emocionar.

A entrada de ajudantes (Preta Gil, Luiza Possi, Rogerio Flausino e o essencial Ed Motta) colocou mais um molho nessa receita vencedora. Ressalto que colocar o Ed junto com a Claudia Leitte reforça o seu domínio sobre o contexto musical em geral e ele veio pra socorrer a loura. “Tudo bem” (Lulu), “Coração leviano” (Paulinho da Viola), “Ive Brossel” (Jogen Ben) e “Canto de Ossanha” (Baden/Vinícius) mostram que quando quer a televisão brasileira pode apresentar momentos de alto nível, basta recorrer ao que ela tem de melhor: o acervo da música popular brasileira.

O The Voice é apenas, e somente, o veículo pra que essas músicas sejam lembradas ou descobertas pelas novas gerações. Nada além disso. Esse papo de ‘descobrir um novo ídolo’ é apenas pra ter uma finalidade pro programa.Os mecanismos que fazem um ídolo são tão evidentes como abstratos. Pode-se investir milhões num artista e ele não vingar. E do nada, vindo da obscuridade do anonimato mais profundo, surge alguém com um talento, carisma e musicalidade arrebatando multidões. Sem fórmula. Nada pré-estabelecido. Como um furacão arrasando tudo e ficando nas bocas e mentes de todo aquele que foi tocado por sua magia.

Isso é o que o The Voice busca resgatar, a magia da música em todos os lares nas tardes de domingo.

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