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Banda Fuzzcas dá injeção de ânimo ao rock nacional

O rock brasileiro morreu ali por meados dos anos 90 certo? No que diz respeito ao grande mainstream pode até ser. Dominado pela industria jabazeira, o mercado da música relegou o rock, queridinho de outrora, a um terceiro plano, onde brilha apenas o mais do mesmo pueril, sem tesão nem sangue na veia. Para sorte dos amantes do gênero em terras tupiniquins, de tempos em tempos (cada vez mais rarefeitos, diga-se de passagem) surgem bandas do calibre de Fuzzcas, uma banda feita por amantes de rock para amantes de rock. Com um EP lançado, eles chegam agora ao primeiro cd, “Feliz Dia de Hoje” com 11 músicas que descem redondo na audição.

Formada por Carol Lima (voz), Leandro Souto Maior (guitarra), Fabiano Parracho (baixo) e Lucas Leão (bateria), a banda tem forte influência do rock feito lá fora e no Brasil nos anos 60 e 70, mas apesar disso consegue soar fresca, atual sem aquele peso saudosista de algumas bandas que olham pelo retrovisor. O nome é um trocadilho com o famoso extinto carro popular da Volkswagen com o Fuzz, pedal de guitarra muito usado para distorcer timbres. Clássicos como “Satisfaction” dos Rolling Stones, “Whole Lotta Love” do Led Zeppelin e “Purple Haze” de Jimmy Hendrix foram gravados com esse recurso. Beatles, Mutantes e Novos Baianos são algumas das influências na sonoridade do quarteto. A banda declara que faz tudo por uma música que, antes de tudo, seja atemporal. Ouvindo a faixa “Tomorrow Never Knows” do álbum Revolver dos Beatles constatamos que uma música de quase cinqüenta anos ainda pode soar atual. Isso se dá porque é boa, inspirada e cheia de verdade.

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É justamente com esse espírito que o Fuzzcas  abre o disco, com a música Acorde Mais Cedo, primeiro single do álbum, que já tem clipe na internet.
O Tic Tac do relógio e os primeiros acordes que aludem a Beatles são seguidos do convite “levante da cama/ deixa o sol entrar/ diga bom dia custe o que custar e depois deixa a canção tocar/ deixa o balão voar/ e o amor despertar, meu bem.”
Carol explicou no programa de rádio Geléia Moderna, da rádio carioca Roquette Pinto, que esse acorde mais cedo não quer dizer necessariamente o sentido real, mas sim um despertar para a vida em um sentido de deixar coisas novas e fascinantes acontecerem, e não apenas viver um dia exatamente igual ao outro de forma randômica. A segunda faixa, “Bad Girl”, contrasta a pegada pop da faixa anterior com uma mais roqueira e com um belíssimo trabalho de guitarra de Leandro. “Se a Saudade Bater” vem com arranjos elaborados remetendo ao psicodélico.

“Se Você Ia Voltar Sem o Cheiro de Cigarro”, a faixa seguinte é um rock na melhor tradição setentista, especialmente da primeira metade daquela década. “Se Uma Boba Eu For” voltam a enveredar pela melodia pop, enquanto “Hey Hey Baby” um chumbo grosso com a voz de Carol ecoando ferozmente. “Valsa Triste” evoca o blues rasgado e “Oh! Meu Bem”, a Jovem Guarda. É divertido ouvir Carol brincado de Cely Campelo em “Tic Tac do Amor” e banda soando como os Novos Baianos em “Vamos brincar de Roda”. O álbum foi concebido como se fosse uma experiência vivida durante um dia, tanto que ele abre com levante da cama e fecha com um boa noite sussurrado por Carol ao fim da última faixa.

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“Feliz Dia de Hoje” é um álbum bem executado por uma banda competente, que certamente se divertiu muito compondo e gravando e traz um alento à combalida cena rock nacional em que, salvo raros nomes, parece pouco se importar em trazer algo dissonante do que agrada aos canais de TV destinados a videoclipe e às rádios comerciais. Uma excelente forma de se conferir o som feito pela banda é no show de divulgação do álbum que farão nesta sexta feira no Studio RJ, a partir das 21 horas em Ipanema, no Rio de Janeiro. O disco pode ser adquirido em formato físico e ouvido no site da banda.

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