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Crítica: 'Hypnotic Eyes' traz de volta Tom Petty e seu rock de raíz

Para a alegria dos roqueiros veteranos ou nem tão veteranos, mas apreciadores do bom classic rock, Tom Petty reuniu seus Heartbreakers para gravar mais um disco, o de número 13 da sua carreira. E a impressão é que o guitarrista e compositor de 64 anos não vai parar tão cedo. Conforme visto no documentário épico de quase quatro horas de duração “Running Down A Dream”, quando comemorava trinta anos de carreira em 2006, ele tem muita história para contar.
Petty já nos brindou com clássicos como American Girl, Refugee, Here Comes My Girl, Don’t Come Around Here No More, Free Falling, Into The Great Wide Open, só para citar alguns. Também fez parte da lendária banda Traveling Wilburys ao lado de Roy Orbinson, George Harrison, Bob Dylan e Jeff Lynne, um verdadeiro time dos sonhos.
‘Hypnotic Eyes’ (Warner Bros/2014) traz nas suas 11 faixas tudo o que nos acostumamos a ouvir o músico e sua banda fazer, mas nunca nos cansamos: aquele rock delicioso com os pés fincados na música americana de raiz. Não traz inovações, e nem precisa, a qualidade de arranjos e melodias espalhados ao longo dos 44 minutos de audição não exige nenhum elemento a mais, principalmente em se tratando de alguém já fez tanto pela música pop.
 
1406226610000-TOM-PETTY-PLANENT-65983412A base de seu estilo está ali, a americanidade de ‘American Dream Plan B’, o country rock ‘Fault Lines’; ‘Red River’, que poderia estar perdida em qualquer um de seus álbuns lançados ao longo desses 38 anos, assim como ‘All You Can Carry’. A bluesy e inspirada ‘Power Drunk’ conquista logo nos primeiros acordes e a seguinte, ‘Forgotten Man’, surge como uma parente próxima de ‘American Girl’. Também merece destaque a poderosa ‘U Get Me High’ e um outro momento blues rasgado inspiradíssimo, ‘Burnt Out Town’, que vem com um tempero stoniano. O disco fecha com ‘Shadow People’, a de maior duração do álbum, com 6 minutos e 43. Não é a mais inspirada, mas não desabona o trabalho.
Na formação atual dos Heartbreakers estão Mark Campbell na guitarra – além de produzir o álbum – Ron Blair no baixo, Steve Ferrone na bateria e percussão, Benmond Tench no mellotron, órgão, piano e sintetizadores, e Scott Thurston na guitarra, violão de 12 cordas e gaita. Eles garantem com competência técnica indiscutível aquele clima bem característico de banda de bar americano, com muitas cores, alguma crueza e vigor.
As primeiras sessões para o álbum ocorreram em agosto de 2011, no lendário “Clubhouse”, espaço dos ensaios da banda em Los Angeles onde a canção “Burn Out Town” foi gravada. Com isso, a bem-vinda volta de Tom Petty a um repertório de inéditas pode ser tranquilamente colocadas entre as mais gratas surpresas de 2014 na seara da Música.
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