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Crítica: O Terno é sim uma boa banda

O Terno tem uma leve semelhança com ocasiões festivas. Estar bem vestido para uma cerimônia, não ritualística, é o que dizem – apenas se comporte bem em eventos cerimoniosos. O terno é sinal de que você está de acordo? Com o meio social. Se for para um show não use terno a não ser que a banda  esteja se apresentando no palco cujo som é e(terno) já que andamos à procura de uma banda apresentável com uma roupagem digamos retrô bacana. Em cada canção, uma vestimenta condizente no arranjo e na alternância de agressividades em guitarras, com uma nostálgica andança naquelas melodias de 60 e 70.
Temos a primeira faixa, que cabe como uma luva na linha nas músicas da Jovem Guarda. “Bote ao contrário”, tem um órgão meio embreagem, botando a música em quarta marcha, deixando-a bem ondulante. “Ai, Ai, ai, como me iludo”, traz um blues também como um órgão dando uma cambiada no andamento candente da letra que fala dos erros gramaticais dos amores antigos. “Eu confesso”, é uma das mais bonitas, e me lembrou do Belchior, uma melodia cadenciada, quase um blues mais preguiçoso com vozes em off narrando sem melodia, em alguns segundos, e uma letra que fala da individualidade idealizada principalmente para fins estéticos-afetivos e como a auto imagem pode ser referencial aos estilos de que vogaram nos 60.
E outra música (“vanguarda”) que pode remeter ao rebuliço da contra cultura tropicalista, mas aí a banda averba num rock meio garagem e diz – Vanguarda cadê? Quem vai ouvir não sabe bem distinguir o que é serião e o que é zoeira. E o que não entenderem vão dizer vanguarda”. Talvez nesta noção do que se faz hoje de rock; as pretensões ao transgressor ou as pernas pro ar e sem produto (in)terno bruto para o mercado, o terno talvez diga que na hora da apresentação um pouco de embalagem no conteúdo (corpo) é sempre bom!

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