Led Zeppelin – mais de 80 minutos de show histórico de 1970 surgem na internet

Gravado em 16mm durante o Festival de Bath, registro cru e inédito revela a banda no ponto de virada definitivo de sua carreira Poucos momentos no folclore do rock britânico carregam tanta mística quanto a apresentação do Led Zeppelin no Bath Festival of Blues and Progressive Music, em 28 de junho de 1970. Durante décadas,…


Gravado em 16mm durante o Festival de Bath, registro cru e inédito revela a banda no ponto de virada definitivo de sua carreira

Poucos momentos no folclore do rock britânico carregam tanta mística quanto a apresentação do Led Zeppelin no Bath Festival of Blues and Progressive Music, em 28 de junho de 1970. Durante décadas, registros visuais daquela noite existiram apenas como rumores ou trechos fragmentados de baixíssima qualidade – há quatro anos meia hora da performance foi postada, e logo removida. Agora, mais de meio século após o evento, o arquivista e pesquisador conhecido como ledzepfilm trouxe a público a totalidade do material gravado em 16mm, disponibilizando mais de 80 minutos de imagens históricas que já são consideradas o “Santo Graal” entre os colecionadores da banda.

O ponto de virada de uma lenda

O Festival de Bath em 1970 não foi apenas mais um compromisso na concorrida agenda do Led Zeppelin; foi o concerto que consolidou o grupo no topo da pirâmide do rock mundial. Apresentando-se para o maior público de sua carreira no Reino Unido até aquele momento, a banda entregou um show avassalador com cinco bis e momentos de pura inovação.

Naquela noite, Jimmy Page, Robert Plant, John Bonham e John Paul Jones apresentaram pela primeira vez ao vivo a explosiva “Immigrant Song” e introduziram um set acústico — incluindo a estreia de “That’s The Way” —, antecipando a mudança de sonoridade que definiria o álbum Led Zeppelin III. Para historiadores da música, a performance de Bath marcou a transição do Zeppelin de uma promissora banda de blues-rock para uma instituição cultural de escala global.

Os bastidores do resgate: Imperfeições e crueza

O registro visual é fruto do trabalho dos cineastas Peter Whitehead e Ernie Vincze, que originalmente pretendiam documentar o festival e entrevistar o grupo. Os bastidores da filmagem, contudo, foram marcados pelo improviso. A equipe atrasou-se e perdeu a chegada épica da banda de helicóptero. Além disso, as rolos de filme de 16mm disponíveis eram destinados para gravações diurnas, o que resultou em uma iluminação escura e granulada durante o show noturno.

A captação de áudio seguiu o mesmo tom de guerrilha: sem uma mesa multipista dedicada, o som foi registrado em gravadores portáteis de rolo e, posteriormente, sincronizado pelo arquivista usando uma combinação de áudio original e fitas bootleg gravadas pela plateia. O resultado passa longe da alta fidelidade dos lançamentos comerciais modernos, mas é precisamente essa crueza documental que confere ao material um valor histórico inestimável.

O que o material revela

Entre os destaques da gravação, o público pode conferir vislumbres raros da intimidade da banda no backstage, com registros de Jimmy Page ao lado de sua então namorada Charlotte Martin, e momentos de descontração entre Robert Plant e John Bonham antes de subirem ao palco.

No campo musical, o filme captura trechos hipnotizantes de clássicos como “Dazed and Confused”, “Since I’ve Been Loving You”, “Whole Lotta Love” e os solos avassaladores de “Moby Dick”.

*Com informações via Louder Sound