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Metá Metá leva plateia à loucura na Audio Rebel

Se o transe fosse uma ligação com (uni)verso e a palavra seu mantra. Há no transe uma batida sincopada ou ritmo cadenciado que faz da frequência, uma onda sonora que se encaixa como um quebra cabeça onde cada peça (instrumento de uma banda) se completa à perfeição com o outro. Assim foi que aconteceu na noite do dia 12 de Janeiro,  no show antológico que o Metá Metá deu no Audio Rebel – estúdio localizado em Botafogo, no Rio, que se converte em casa de show nas horas vagas – fazendo um apanhado de todos seus álbuns.  É a primeira vez na casa que a banda toca com a formação cheia, com seus cinco integrantes.
Cada músico vibra numa modalidade própria como Kiko Dinucci, com solos e acordes tão intensos e vibracionais modulando de uma vibe afro-beat para o puro Rock & Roll. Assim como o baixo de Marcelo Cabral, que pontua cada quebrada ou virada de célula rítmica com um encaixe dentro do entrosamento da banda incrível. A coisa vai num crescente com a exímia trovadora Juçara Marçal pontuando a condução melódica do grupo. Suas mãos parecem uma peça de reger a entropia dos músicos, que literalmente pegam fogo no decorrer do espetáculo. Tiago França (saxofonista) duplica em tons e células a frequência cardíaca dos acordes da trova afro-beat. Está enlouquecido com o ar e sua  embocadura no sopro. Ele é o pulso que pulsa numa quase arritmia melódica e fez a plateia ficar em êxtase nos seus solos.
O batera Sérgio Machado fez do seu bloco quebradas estarrecidas com contorcionismos de mão e mudanças de ritmo percussivo fora do normal. Eles a todo momento se entrosavam em duos como baixo e batera, sax e guitarra. Os arranjos são milimetricamente estruturados como um quebra-cabeça mesmo, com cada músico sabendo o que fazer no seu solo ou numa participação dentro do contexto geral da música.
Também é preciso lembrar das letras que carregam uma potência visual pouco vista na cena do rock. Um trabalho perfeito de métrica com rimas melódicas que se agarram aos arranjos de forma bem natural. O grupo retira da tradição africana o conto local de histórias mágicas e trabalham sempre literariamente o verso na composição.

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