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O som e a fúria do Motörhead de volta em Bad Magic

O Motörhead está de volta com sua indefectível levada acelerada e guitarras cheias de efeitos e solos desconcertantes, além, é claro, do vocal inconfundível do lendário Lemmy Kilmister. Bad Magic (UDR/2015) é exatamente o que se espera de um disco dos caras: barulheira ensandecida. E daí que as músicas soam iguais? Essa é uma observação também feita sobre o AC/DC e também era feita em relação ao Ramones. Mas funciona. É a velha máxima de “em time que está ganhando não se mexe”. Se é mais do mesmo, então que seja bem feito e com autenticidade; tem sido assim nesses 40 anos (a banda foi formada em 1975 em Londres).

Lemmy faz parte do grupo de sobreviventes do rock junto com Keith Richards e Iggy Pop, mas garante que ultimamente tem pegado leve. A lenda, que completa 69 anos em dezembro, contou que achava improvável que chegasse aos os 30.

“Não tenho arrependimentos,” ele disse. “Lamentações são inúteis. É tarde para lamentar. Você já fez o que tinha que fazer, né? Você viveu sua vida. Não existe razão para desejar qualquer mudança. Existem algumas coisas que eu poderia fazer de forma diferente, mas, no geral, nada faria tanta diferença. Estou bem feliz com a maneira com que as coisas aconteceram. Eu gosto de pensar que eu trouxe alegria para várias pessoas ao redor do mundo. Sou verdadeiro comigo mesmo e fiel à minha gente.”

motorMuito da mudança se deve à doença cardíaca que lhe obrigou a usar um marcapasso. Infelizmente, Lemmy parece estar mesmo passando por problemas sérios de saúde. Cancelou sua vinda ao Monsters of Rock desse ano em São Paulo e se viu obrigado a interromper dois shows nos EUA nos últimos dias, um em Salt Lake City, alegando que o ar estava rarefeito, e o outro em Austin, em que abandonou o palco na terceira música do setlist e logo após voltou para se desculpar, mas que não conseguiria continuar. O momento foi até registrado por um fã.

Pelo menos no estúdio nada se alterou. A banda continua esbanjando riffs e solos energizantes acompanhando o vocal gutural de Lemmy. A faixa de abertura ‘Victory or Die’ já mostra que os senhores não estão de brincadeira e o chumbo grosso continua em ‘Thunder & Lightning’ e ‘Fire Storm Hotel’. É possível notar ao longo do álbum como o baixo de Lemmy ainda soa potente como trovão e a bateria de Mikkey Dee acrescenta todo o tempero especial à receita que também conta com a indispensável guitarra de Phil Campbell. O disco ainda traz um cover de ‘Sympathy for the Devil’ dos Rolling Stones, que pode até não acrescentar muito à versão original, mas surte um bom resultado.

Bad Magic é, em suma, um bom disco de rock pesado, e se não é o melhor do Motörhead, mantém a dignidade da banda, que a essa altura é difícil de manchar. Ficamos, assim, aliviados por receber mais um trabalho de qualidade e, principalmente, autêntico da banda que pode sossegadamente continuar ostentando o título que lhe coube de a mais barulhenta do mundo.

MI000

 

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