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Jorge Drexler – Uma Guitarra, Uma Voz

Jorge Drexler faz três shows na Miranda, canta em português e encanta o público no Rio

Passava um pouco das 22h da quinta-feira, 30 de janeiro, quando o uruguaio Jorge Drexler, com seu kit voz, violão e guitarra, subiu ao palco da Miranda, casa de shows localizada no shopping Lagoon, Zona Sul do Rio de Janeiro, para a série de três shows que fez na cidade: dias 30 e 31 de janeiro e 1 de fevereiro. Drexler, que tem grande afinidade com o Brasil, com artistas daqui e com a música brasileira, estava gripado e chegou desculpando–se, mas agradecendo a oportunidade que o público brasileiro lhe dera. Afinal, o show de quinta-feira não estava planejado e só aconteceu por causa da grande demanda carioca.

Drexler iniciou os trabalhos com a linda música declamatória “Guitarra y vos” na qual canta um verso absolutamente verdadeiro: “ (….) Uno sólo conserva lo que no amarra(…) ” Seguiu, assim, seu show – falando em português e contagiando o público com sua simpatia e suas histórias de encontros com músicos brasileiros como Milton Nascimento e Caetano Veloso – por umas quatro ou cinco canções, até chamar dois artistas para canjas especiais que permaneceram por quase todo show: o baterista brasileiro Marcelo Costa, com quem disse tocar por telepatia, e o produtor de seu novo disco e também baixista Matías Cella.

Primeira vez de “Bolívia”

Apesar de visivelmente incomodado pela gripe – chegou a pedir que diminuíssem o ar condicionado, no que foi apoiado pelo público – Drexler conduziu o show com extrema competência, profissionalismo e bom-humor. Aliás, a Miranda foi o palco escolhido pelo artista para cantar, pela primeira vez, a música “Bolívia”, escrita por ele para seu novo Cd “Bailar en la cueva”, em homenagem a seus parentes que saíram da Alemanha nazista em 1939 e apenas na Bolívia conseguiram encontrar as portas abertas para recomeçarem suas vidas. A canção, aliás, tem a participação especial de Caetano Veloso que colocou sua voz num estúdio do Rio de Janeiro. “Foi uma honra pra mim, disse Drexler, emendando: “Se eu errar alguma parte da letra, vocês me perdoem, por favor”. O público, claro, nem ligou. Cantou junto com Drexler essa e outras canções, já que o artista estimulou o coro da plateia durante várias canções já conhecidas ou não pelo público, como foi o caso de “Bolívia”.

Além das baladas de pop-rock romântico que contagiam seu público, o artista uruguaio também reafirmou sua versatilidade cantando músicas com arranjos em forma de samba e cumbias. Entre seus sucessos, interpretou “ Al otro lado del río”, primeira música em espanhol a receber um “Oscar” de melhor canção pelo filme “Diários de Motocicleta”, de Walter Salles. Cantou ainda em português a música “Disneylândia”, de Arnaldo Antunes, e “Fora de ordem”, de Caetano Veloso, como música incidental.

E para falar sobre o palco onde aconteceu esta grande celebração, a Miranda, cuja programação é assinada pelo músico Zé Ricardo, também curador do Palco Sunset, do Rock in Rio, é impecável. Excelente ambiente e acústica, ótimo atendimento, boa comida. O público saiu com o gostinho de quero mais e desejando um rápido retorno do artista uruguaio. Belo show para ser visto ao lado de uma ótima companhia.

* Fotografia de Luisa Avelino

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Aprendiz

Publicado por George Patiño

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