Na noite de ontem, em Nova York, o mundo da arte presenciou um feito histórico: um raro quadro de Gustav Klimt foi vendido por US$ 236,4 milhões (mais de um bilhão de reais), estabelecendo um novo recorde mundial em leilões. A obra, intitulada Retrato de Elisabeth Lederer, foi pintada entre 1914 e 1916 e é considerada uma das últimas grandes peças de corpo inteiro do artista ainda em mãos privadas.
O leilão, realizado pela Sotheby’s, reuniu colecionadores e investidores de diversas partes do mundo. A disputa pelo quadro durou cerca de vinte minutos e envolveu seis participantes, em uma atmosfera de tensão e expectativa que culminou em aplausos quando o martelo bateu o lance final. A pintura fazia parte da coleção de Leonard Lauder, herdeiro da Estée Lauder, falecido em junho deste ano, cujo espólio trouxe ao mercado algumas das obras mais cobiçadas da arte moderna.
Além do valor financeiro, o retrato carrega uma forte carga simbólica. Elisabeth Lederer, filha de uma influente família vienense, sobreviveu à perseguição nazista durante a Segunda Guerra Mundial. Sua imagem, eternizada por Klimt, tornou-se um testemunho da resistência e da memória de uma época marcada por violência e destruição. O quadro também sobreviveu ao incêndio que consumiu outras obras do artista em um castelo austríaco, o que aumenta ainda mais sua aura de raridade.
Com a venda, Klimt se consolida como um dos nomes mais valorizados do século XX, e o mercado de arte vê abrir-se um novo capítulo de valorização de obras de calibre museológico. Especialistas apontam que o recorde pode impulsionar futuras transações de artistas igualmente raros, como Frida Kahlo, cuja obra deve ir a leilão nos próximos dias.









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