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Fortuna Crítica: Mundo Fantasma, de Daniel Clowes

Uma verdadeira maldição nos dias que correm é o uso da palavra “gênio”.

Lady Gaga é GÊNIA!
Gisele Bündchen é uma GÊNIA!
Mark Zuckerberg… Taí um GÊNIO!
– Essa Madonna, sempre se reinventando…GÊNIA!

Peraí, estão confundindo tino para negócios e talento empresarial com genialidade, coisa que não se encontra em qualquer página de jornal, revista ou na lista anual da Forbes ou da People.

Tenho sorte o suficiente para não ter que saber quem é a porra da Lady Gaga para viver, mas uma vez ouvi a sujeita num taxi e puta que o pariu, se isso é ser gênio o mundo está fodido COMO UM TODO. E o que dizer quando a “nossa” Gisele resolve abrir a boca? Ou a Madonna, que começou a carreira se vestindo como uma puta mal vestida cantando “Like a Virgin” e depois calculou milimetricamente a exposição de suas partes íntimas por décadas? Sobre o inventor do facefuck, bem, me recuso a falar.

Esse preâmbulo é para falar de uma obra que – aí sim – colocou Daniel Clowes como um verdadeiro gênio no campo da narrativa gráfica: “Ghost World”, ou “Mundo Fantasma”, como foi lançado aqui (com incompreensível – quer dizer, incompreensível mais ou menos, né? – atraso).

Pelas páginas finamente ilustradas – duas cores só, preto e um verde desbotado, o que para mim é o símbolo máximo de Elegância – de “Mundo Fantasma”, vemos o dia a dia das melhores-amigas adolescentes Enid e Becky, uma dupla de escrotinhas que passam seus dias falando mal dos outros e tentando se superar numa espécie de competição juvenil de ironia e sarcasmo, até onde um adolescente é capaz de ir nessa área, claro.

O que me assombrou na época e continua me assombrando quando releio Mundo Fantasma é o nível de realismo que Mr. Clowes imprimiu nos diálogos entre as duas e na compreensão desse mundo adolescente “espertinho”. É impressionante, parece que o sujeito plantou uns microfones escondidos em colégios e foi coletando o material para depois compilá-lo e desconstruir nesse álbum genial (agora sim!).

Esse tipo de personagem teen/feminino/cínico na cultura pop vem de bem antes, antes até da Andy Walsh de “A garota de rosa schoking”, vivida pela sumida Molly Ringwald, mas se tornou padrão em diversas construções de personagem, como a chatérrima adolescente Juno no filme homônimo.
A atitude “sou-esperta-e-meio-estranhinha-e-nunca-passou-pela-minha-cabeça-chupar-uma-rola”. Tem seu charme, mas uma hora cansa.

“Ghost World” também virou um excelente filme dirigido por Terry Zwigoff – que também rodou o documentário sobre Crumb & sua família – de 2001, com as quase novatas e belíssimas Scarlett Johansson e Thora Birch nos papéis de Becky e Enid, respectivamente.
Ah, Thora com a máscara de Mulher-Gato…

Esse filme, ao lado de “Anti-Herói Americano” (“American Splendor”), é a melhor adaptação de quadrinhos para o cinema que se tem notícia. Curiosamente, Thora Birch despontou em Hollywood dois anos antes com uma personagem que é quase uma irmã gêmea de Enid, a pentelha Jane, de “Beleza Americana”.
Ah, Thora sem sutiã na janela…
Deus, sou um péssimo resenhista e não consigo manter o foco. Me desculpem.

Voltando ao livro, o grande momento é o afastamento das duas amigas, melancólico como qualquer rompimento não brusco tem que ser. Aí vemos o quão hábil roteirista Daniel Clowes é. Sem truque baratos.

É isso, podem espalhar a notícia – nada velha – : Clowes é GÊNIO.

[xrr rating=5/5]

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Aprendiz

Publicado por Allan Sieber

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