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Uma Análise da Trajetória de Gurps 4ed.

Como todos já sabem a Devir resolveu lançar o Gurps quarta edição esse ano. Confesso que eu não sei o que pensar quanto a isso em termos de estratégia de mercado. De um lado sei que a Devir não daria um tiro no escuro lançando algo que não despertaria nenhum interesse, pó outro lado não vi ninguém sentindo mais tanta falta da tradução do jogo de 2004 já que as poucas pessoas que conheço que são interessadas em Gurps já o compraram há anos.

O objetivo deste artigo é fazer uma breve análise financeira da quarta edição, respaldada pelas estatísticas de venda da indústria, fornecidas semestralmente pelo site ICV2.com e pelos relatórios escritos pelo próprio Steve Jackson no site principal de sua empresa ao final de cada ano financeiro.

É óbvio que Gurps goza de algum status ou prestígio diferente aqui no Brasil, tendo sido o primeiro RPG publicado pela Devir eu acho que existe um pouco da idéia de legado por trás dessa iniciativa da editora. Por outro lado, mesmo que a quarta edição seja excelente em relação as suas anteriores, ela já surgiu numa época onde o sistema de Steve Jackson não tinha força alguma internacionalmente, acabando por se tornar um jogo de nicho. Pelas estatísticas da indústria mesmo no ano de lançamento da quarta edição (agosto de 2004) e no período subseqüente (como podem ser vistas nos números de 2004, 2005 e 2006) Gurps nunca chegou nem perto de figurar nas listas de RPGs mais vendidos. Isso sem levar em conta que ele já não aparecia nas listas anteriores e nem nas mais recentes. Nessa época, eu já havia notado o desaparecimento do Gurps nos fóruns mistos internacionais de RPG, como a RPGnet ou a RPGbomb e acho que os números de venda da indústria acabaram por demonstrar isso.

Sei que a Steve Jackson ainda mantêm um público leal o suficiente para se manter, mas se lermos os próprios relatórios da empresa veremos que esta renda não vem de Gurps e sim do Munchkin. Quando a quarta edição foi lançada havia ainda um grande suporte de livros físicos nos anos imediatamente subseqüentes, mas tendo eles se mostrado pouco rentáveis a empresa concentrou todos os seus esforços em relação ao Gurps para a mídia digital. No relatório mais recente (no site deles é possível acompanhar essa “crise financeira” do Gurps ano a ano), sobre a gestão do ano de 2009, em relação ao RPG, o próprio Steve escreve:

We continued to offer RPG support, mostly in PDF form . . . which (sadly) sells fewer copies, but breaks even on a lot fewer copies. (Nós continuamos a dar suporte ao RPG, principalmente no formato PDF…”Nós continuamos a dar suporte ao RPG, principalmente no formato PDF…o que (tristemente) vendeu menos cópias, mas precisa de muito menos cópias vendidas pra não ficar no vermelho.”

Já no primeiro ano da Quarta edição duas políticas básicas da empresa acabaram tendo de ser modificadas: depois de declarar em 2004 que a STG só lançaria material inédito em PDF e não publicaria em mídia digital os livros que foram impressos em papel, essa situação teve de ser revertida, uma estratégia coerente pois se tratava de uma reivindicação clara dos jogadores atuais (que podem carregar todos os livros no laptop) além de aumentar as vendas destes livros muitas vezes encalhados em versões de papel. Outra mudança substancial é que o ritmo de lançamento prometido (um livro por mês) não foi alcançado fazendo a empresa prometer que mudaria a escala para uma publicação bimensal, algo que ela também não conseguiu cumprir pelo relatório do ano seguinte.

O declínio de vendas do RPG da Steve Jackson Games prosseguiu até chegar a triste revelação do ano passado onde Gurps vendeu ainda menos do pouco que já era esperado. Dada essa trajetória da quarta edição lá fora, eu realmente me surpreendi com a decisão da Devir de trazê-lo agora para o Brasil, principalmente se for no formato luxuoso cujo o original é impresso, pois vai acabar por exigir da empresa que cobre um preço próximo de seus jogos de D&D e é particularmente pouco provável que tenha o mesmo mercado potencial.

Como jogador, ainda que tenha tido oportunidade de jogar praticamente todas as edições de Gurps, confesso que não é um sistema que eu gosto, ainda o acho muito quadrado e genérico, gosto de rpgs cujas mecânicas estão vinculadas diretamente ao gameplay temático, como é o caso da maioria dos RPGs indies. Existem livros da quarta edição que são verdadeiras obras primas (como o Gurps Thaumatology), mas realmente não costumo a me encantar tanto por regras quanto por cenários, portanto, usualmente poucos livros desta linha costumam a me chamar atenção. Apesar de não ser fã de Gurps confesso que respeito muito o sistema e sua importância, mas aprecio principalmente a transparência da Steve Jackson Games como empresa, que é sempre tão franca quanta aos seus sucessos e fracassos, algo que é quase o contrário do que a White Wolf vem fazendo, que a cada dia se mantém mais fechada sobre seus planos e rendimentos.

Terminada esta breve e superficial análise financeira é compreensível pensar que a Quarta Edição não foi um investimento dos mais felizes para a editora, que tem se salvado ano a ano principalmente graças ao seu Muchkin. De toda forma o mercado brasileiro não se parece tanto com o resto do mundo e pode ser que a figura aqui seja outra, eu não apostaria minhas fichas, mas como disse no início do artigo, não acredito que a Devir fosse arriscar algo se não tivesse alguma noção do mercado em que está.

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30 Comentários

  1. Na citação do Steve Jackson, erro de tradução importante:

    "We continued to offer RPG support, mostly in PDF form . . . which (sadly) sells fewer copies, but breaks even on a lot fewer copies."

    "Nós continuamos a dar suporte ao RPG, principalmente no formato PDF…o que (tristemente) vendeu menos cópias, mas precisa de muito menos cópias vendidas pra não ficar no vermelho."
    http://pt.wikipedia.org/wiki/Ponto_de_equil&iacut… do inglês "break-even point".

    I.e.: PDF pode vender menos, mas a venda maior de livros em papel tinha problemas maiores pra gerar receita igual ao custo, enquanto que PDF fica sempre no azul.

  2. Bem, me parece o seguinte.

    Desde 2004 a Devir vinha tentando trazer o GURPS pro Brasil com miolo p&b.

    A SJG sempre vetou.

    Agora que o GURPS chegou no ponto em que tá "quase" dando prejuízo, a SJG liberou geral e permitiu a versão P&B.

    Sendo assim, com custo resumido, e dindin em caixa pelas boas vendas de HQs, a DEVIR está arriscando com o GURPS em P&B.

    Não é nada, não é nada, é um jogo com passado. Com apelo junto ao público, e o sistema preferido ever por um dos donos da editora (que não muda NADA, mas deve ajudar nem que seja um pouquinho).

    PS: Todas as informações deste email são puramente especulativas, dotadas de achismo extremo e permeadas pela metodologia do papo de boteco. So just relax!

  3. Como sempre é dito quanto as pessoas pedem algum RPG e as editoras não o trazem: O mercado aqui é outro. Sempre existiu um pensamento comum que a "trinca sagrada" do RPG era Vampiro, D&D e GURPS. Isto nunca foi verdadeiro no exterior. Aqui nós temos influencias e culturas de jogo distintas e o fato de GURPS ter sido o primeiro RPG publicado por aqui tem muito a pesar nesta conta.

    Outro ponto interessante de discutir no ponto de vista mercadológico foi o que o Douglas Reis disse na última RPGCon. Com a 3ed de GURPS eles possuiam uma licença que era barata e podia trazer novos jogadores ao hobby, com o Mini-Gurps, somente de posse de D&D e do WoD isto não podia ser feito, o que aconteceu? Embora a Devir possuisse as licenças consideradas TOP, D&D e WoD, ele não possuia nenhum produto que iniciasse os clientes no mercado. Nenhum produto que fosse barato para isto. Este elemento ocasionou que empresas como a Daemon e, principalmente, a Jambô conseguissem assumir este mercado com base no baixo preço, como pudemos ver com o próprio Mutantes e Malfeitores.

    O esforço de trazer GURPS ao Brasil, que provavelmente será com o miolo P&B, é uma estratégia da Devir não para fazer um sucesso de vendas, mas para ter um produto de partida que tenha um custo acessivel e trazer os fuituros jogadores para as linhas "premium" da editora, que tem custos mais altos e precisam de um maior número de livros para funcionar.

    Isto pode não ser oficial mas também consigo ver a publicação de GURPS no Brasil uma tentativa de freiar, na medida do possivel, o crescimento de M&M como "o sistema genérico" do Brasil. Outra peculiaridade brasileira já que no exterior o sistema só é encarado assim por aqueles que são realmente fãs dele.

    O que pode-se compreender do publico de RPG nacional é que ele tem uma predileção por sistemas genéricos. Eles sempre se dão bem por aqui, mesmo não o sendo, como o Sistema Daemon e o próprio 3D&T que foram alçados ao "status" de genérico por "pressão" do público.

  4. Ficaria meio triste se sair P&B, mas seria de se compreender.

    Tinha esquecido esse mau desempenho do GURPS lá fora. Mas o principal já foi retomado, é um sistema genérico e tem historia no Brasil.

    Além de poder trazer novo jogadores, acredito que o GURPS possa trazer jogadores antigos de volta ao hobie, pelo saudosismo e por finalmente ter "algo novo velho" que talvez alguns queriam, afinal não desejavam aprender tudo de novo, mas algumas coisas sim.

    E também tem a questão do "realista" brasileiro para que gosta de jogo assim!

    Será que fizer sucesso e lançar em P&B a Devir lança uma versão luxo?

    • Mas tem um detalhe hoje em dia lançar algo visualmente bonito ajuda muito a vender nas livrarias comuns, M&M vendeu porque ele preencheu um nicho vago no Brasil Supers, agora que a Jambô da os primeiros passos em tornar ele "genérico".

      Se GURPS Sair digamos até uns 50 reais cada livro colorido ele ganharia muito espaço com os iniciantes… é caro? Sim, então que venha junto à no maximo 30 reais um mini-GURPS! Assim Vocês pega os novatos com mais e com menos dindim!

      E os PDF's? Seria a Devir a primeira a entrar nesse mercado ou no POD?

      Ps.: O meu está em dois, porque ele pediu para dividir…

  5. Sim Felipe. Interior P&B para GURPS 4. Capa e preço não tenho certeza, mas o interior é isso mesmo.

    Quanto à sua estadia no Brasil, concordo plenamente com o Shingo.
    Acho que o GURPS e sua versão Lite [anotem ai, vai ser distribuida em eventos (em algum tempo veremos se estou certo)] podem ser uma verdadeira entrada de público ao RPG.
    A versão Lite é muito fácil e enxuta, fazendo com que os novos jogadores tenham opções realmente baratas para entrar no mercado consumidor.
    Depois de os jogadores acostumados, passar a consumidores de livros de ponta, é um pulo.

  6. Enfim um artigo bem construído, com argumentos sólidos e inteligentes. Citar a própria fonte do Gurps, a SJG, que tem transparencia quanto às suas perdas economicas sobre o RPG Gurps, é mais que suficiente para termos uma projeçao (e uso o termo PROJEÇAO e nao advinhaçao) do que pode ser o fracasso do produto no Brasil. Reafirmando que somos um mercado de nicho, sou muito cético sobre o quanto a Devir precisa reduzir o preço deste produto (ou melhorar sua estratégia de marketing), para que tenha saída e lucro para o Gurps. Quanto a precisarmos de rpgs para novatos, sinceramente, novatos sao atraídos por bons jogos E bons mestres E sorte (sim, infelizmente sorte ou acaso), acredito que Gurps apresenta um sistema de regras amplos e sólidos, mas assustadores para qualquer iniciante, o que nao condiz com uma boa estratégia de marketing (D&D 4th se mostra mais simples, pois guarda similaridades com um card game, algo muito em voga hoje em dia). Assim, defendo minha posicao de que a escolha de trazer Gurps é um pouco curiosa, senao duvidosa, pois como o autor do artigo até cita, podíamos ter algo mais indie e que, aí sim, trouxesse apelo a jogadores novos (vide Dragon Age que a jambo vai trazer, embora nao seja indie).

  7. Quanto à citação: não foi mal-redigida, é jargão econômico bem conhecido. E a tradução original fazia parecer que a transição pra só-PDF era "não temos opção", quando é mais "nós vimos que isso incorre em menos risco".

    Quanto a M&M: pode não ser "um jogo distinto", no sentido de ser d20, mas é um dos maiores sucessos em d20, numa época em que d20 quase não tem rivais (a White Wolf costumava ser claramente a 2ª maior do mercado, depois da WotC; hoje em dia, a 1ª não pára de encolher e é essencialmente só uma fonte potencial de idéias pra sua atual dona CCP Games, e a 2ª se vê MUITO ameçada em D&D 4E pelos derivados do seu próprio d20). Em outras palavras, é um jogo grande, e a Green Ronin é uma empresa "grande" (Quem sabe maior que a WW?) graças a M&M.

    Quanto a GURPS 4E: eu tenho a impressão de que GURPS nunca foi (comercialmente) grande coisa lá fora, foi parcialmente soterrado (como vários outros jogos) por d20, e a SJ Games achou coisa (comercialmente) melhor – Munchkin. Lembrando que Magic também sempre foi maior que D&D, e tão maior hoje em dia que a Hasbro cita M:tG como um dos seus melhores jogos e nem fala em D&D (em relatórios comerciais); do ponto de vista da Hasbro, a WotC foi comprada porque tinha M:tG, e D&D apenas veio junto.

    • Fugindo totalmente da questão para te responder… Como editora de RPG acredito sim que hoje a Green Ronin seja maior do que a WW, mas não como empresa. Nós não podemos pensas na Wizard como se ela fosse a Hasbro, mas podemos pensar na CCP como se ela fosse a WW, isso por que boa parte dos autores da WW passaram realmente a trabalhar nos mmos da CCP e diversificar em termos de publicações, portanto mesmo que a WW/CCP seja maior que a green ronin, esta é mais forte atualmente na publicação de RPGs.

  8. Amigo Sem Nome, GURPS Lite é um livreto de 32 páginas, com um resumo de tudo que é obrigatório para se jogar GURPS. Aprendido o que tem nele, o que tem nos livros básicos são detalhes adicionais.
    Por isso acredito que ele seja, atualmente, a melhor opção de porta de entrada para novos jogadores, que tem suporte, caso o jogador se interesse em se aprofundar mais no assunto.
    O D&D por ter muito de estratégia de combate em seu sistema, tem uma similaridade com os card games, mas o problema que vejo [por mais que isso seja uma vantagem] é que não existe versão resumida.
    Claro, para um bom mestre que conheça um sistema com regras consistentes, nenhum dos sistemas que citamos é falho. Mas pensando como um grupo escolar, que acaba de ouvir falar de RPG, se depara com o menor livro de D&D, o menor de WoD e o menor de GURPS, com certeza, GURPS Lite chama mais a atenção desses jogadores.

    @Felipe, gostaria de ouvir uma opinião dos amigos comentaristas sobre o por que o GURPS não ter funcionado como deveria 'lá fora'. Confesso que isso me intriga.

  9. Oops, a conclusão não ficou tão clara quanto deveria (desculpas pelo post duplo): ela é de que, aparentemente, CCG >>>>> RPG, pra todas as empresas envolvidas (nesses exemplos, SJG e WotC – também tem o caso da Alderac, que tinha passado um tempo com a produção de RPG cancelada – eles sempre foram de CCGs – e provavelmente só voltou com Legend of the Five Rings porque aumenta as vendas do CCG), e a SJ Games simplesmente se deu conta disso e seguiu em frente.

  10. Alguém poderia me explicar pq Gurps Lite é usado como referencia para o Gurps Livro-em-si, pois se o raciocínio é gosto de Gurps Lite LOGO comprarei o Livro maior, parece um silogismo falho, mas, ao invés disso, o raciocínio for: Gurps Lite me abre opçoes de jogo LOGO o Livro maior deve possuir mais opçoes, aí temos um argumento. Entretanto, ambos caem por terra quando usamos o pensamento mais simples que me faz perguntar: para que vou comprar uma versao resumida PARA comprar uma versao maior depois? Acredito que poucas pessoas no Brasil gostam de gastar dinheiro com a mesma coisa duas vezes, principalmente se por pouco a mais ela comprará uma versao mais completa. O que nos trás novamente a todos meus argumentos sobre complexidade excessiva e falta de foco. Aliás, não estou respondendo sua dúvida, mas levantando mais uma: o fracasso no exterior não se daria justamente pela falta de apelo focal? Algo que inúmeros outros jogos mais bem sucedidos possuem no exterior?

  11. Concordo com o que o Psycho Mantis falou, sobre card games. A maioria das editoras americanas trabalham com as duas opções de jogos e invariavelmente, os TCGs sempre rendem mais. No caso da SJG, o Munchkin rendeu bem mais que o esperado [já que ele era só um jogo de sátira] e a SJG, capitalista como toda empresa americana, passou a focar mais nele, assim como as outras editoras o fazem.

    Quanto ao Gurps Lite, eu lhe mostro dezenas de links para você baixá-lo gratuita e legalmente. A pessoa lê e, se gostar, comprar a versão completa. Coisa que as outras linhas da Devir infelizmente não têm. Eu tenho ele impresso na revista finada Dragão Brasil, sem ter gasto um centavo com ele. Ou seja, vi, gostei e vou comprar o livro completo. Entende agora?

    • Sim, havia me esquecido do detalhe que ele é gratuito, obrigado pelo esclarecimento. Entretanto, pesquisando em fóruns americanos pude perceber que muitos citam FUDGE, FATE, Savage Worlds, D20 SRD, como opçoes de sistemas genéricos, talvez este seja o motivo de Gurps nao vender como deveria. Outro ponto interessante a se notar é que, pelo menos eu, costumo comprar jogos de RPG pelo tema/história que eles vendem, nao somente pelas regras, comprei All Flesh Must Be Eaten por gostar de zumbis e nao pelas regras. Gurps tem um potencial épico de criaçao de cenários, mas nao possui algo que o defina como WoD, D&D, Rifts ou Pathfinder. Amigo, nao sou contra Gurps, sou contra a escolha deste como mais uma opçao em um mercado que precisa de novidades e reviravoltas, pois quem frequenta lans ou mesmo conversa com os mais jovens (pois nao posso me considerar mais um menino), percebe como Pokemon, Digimon e jogos similares sao as adaptaçoes caseiras mais feitas, ou seja, é o tema independente das regras.

  12. Só uma pergunta, não sei se ninguém percebeu isso ainda quanto ao fato de GURPS 4e vir em P&B aqui para o Brasil… M&M é P&B e por ser genérico e barato vende bem por aqui o que eu não tenho tanta certeza como seria se fosse capa dura e colorido pelo preço. GURPS seria um concorrente direto de M&M o que tem bastante sentido já que muitos jogadores não gostam do sistema D20. Fora o que o shingos falou, no final mata-se vários problemas de uma vez.

    • (Alguém pode me dizer porque esses comentários estão dando erro?)
      (Será que assim como resposta saiu?)

      Pessoas, me ocorreu aqui, porque não deu certo nos EUA?

      Seria por uma questão social onde hoje em dia muitas pessoas querem tudo pronto e for preciso um pouco mais de molde detalhamento elas não se animam?
      Eu mesmo poderia dizer que não se pegarmos o M&M e você ter que construir seu PJ…
      Porem ele tem algo que o GURPs não tem, que é todo uma conjunto de expectativas por trás, “fazer um super como…; ou fazer algo diferente de…” Isso talvez motive o jogador a pegar e trabalhar as regras.
      Isso leva a questão dos “jogos narrativos” todo eles ja dão um cenário para trabalhar e regras soltas onde você mais fala que rola dados (o que sabemos é bem relativo e depnde do grupo independente de sistem).
      Será que foi isso que o GURPS perdeu?
      Essa conexão com o novo público que tem criatividade mas precisa de uma ignição para poder ativar a mesma?
      E também a questão das regras, por mais simples que GURPS seja ele não é tão libre ” leve” como um PDQ.
      Mas ao mesmo tempo um PDQ não pode ser tão detalhado como GURPS.
      E ambos em minha opinião podem ser super mega abrangentes quanto a relação cenário + sistema (nunca um contra o o utro, por favor!).

      O que me dizem?

      Seriam esses dois fatores a influenciar?
      A “saida do armario” de jogadores que falam: “Regras o minimo!”
      E A maior virtude o GURPS, não ter “base de cenário” exbarrar em adolescentes criativos, mas que tem preguiça ou muitas outras oportunidades prontas de diversão… como MMO, 4ed de D&D que é só escaixar varios blocos?

    • Acredito que o GURPS vem para o Brasil por dois motivos:

      1 – A Devir vai utiliza-lo como porta de entrada para o RPG, da mesma forma que fez com a 3ed. no passado

      2 – O M&M esta tomando um espaço como sistema genérico aqui no Brasil. A Devir concorre com a Jambô com sistemas de fantasia medieval, mas nada neste campo. Lançar GURPS seria uma forma de frear este crescimento.

  13. "De um lado sei que a Devir não daria um tiro no escuro lançando algo que não despertaria nenhum interesse"

    Toda trajetoria do GURPS em portugues, na verdade, mostra que essa frase nao faz sentido (nunca ter trazido Fantasy Bestiary, e ter trazido Illuminati…), mas espero que a metodologia de selecao de produtos da empresa tenha mudado e que realmente exista procura do GURPS.

    • A devir original realmente era assim, se ela dissesse que ia publicar uma coisa amanhã, teria um prazo mínimo de dois anos para coisa realmente ser publicada. De toda forma, atualmente, pelo menos pelo o que eu vejo com o Mundo das Trevas a empresa se tornou bem mais série e coesa, ainda que de vez em quando lance uma coisas que quase ninguém quer como New Orleans… rs

  14. Acho que o Shingo acertou em cheio. O público brasileiro gosta de sistemas genéricos e nosso mercado não tem nenhum representante satisfatório desse segmento sendo publicado.
    RPGs genéricos costumam fazer sucesso com jogadores mais descompromissados e sem disposição para gastar muito dinheiro com livros. O GURPS 3ª edição custava quase a metade do que os concorrentes Vampiro e D&D, o que certamente alavancou suas vendas no passado. A 4ª edição originalmente perderia o apelo econômico, mas se for publicada nos moldes da 3ª edição, pode retomar o lugar de principal sistema genérico do país.
    GURPS possui inclusive alguns bons cenários como Transhuman Space e o novo Vorkosigan Saga, mas cenários de ficção científica nunca foram muito procurados no Brasil, e este é justamente o tipo de cenário em que a SJG mais investe.

  15. Sou do Maranhão e, por causa da distribuição setorizada, só agora comprei “A Marcha dos Soldados de Madeira”. Apesar do fácil acesso a scans e tudo mais, só havia lido o primeiro arco. Fábulas é muito bom, fico na torcida pra Panini não interromper a publicação, assim como os outros títulos Vertigo e Wildstorm.

  16. Pensar em como vai ser a resposta do publico no futuro é algo importante a se analisar, mas eu ainda prefiro ver o Gurps como mais uma opção de Rpg no mercado.

    Alem do mais Gurps tem um peso de marca que não se pode mais ignorar, tanto para o bem quanto para o mal dele mesmo. Já M&M não tem toda essa historia ainda, possui a leveza de não ser tão cobrado quanto Gurps, pois como Gurps já teve uma grande importancia no cenário rpgista nacional, creio que a nova edição já vem com essa responsabilidade de se igualar aos feitos do passado (coisa dificil de acontecer) e caso falhe nisso existe uma grande possibilidade de ser rotulado como algo ruim.

    Minha primeira experiencia com rpg foi jogando AD&D, o primeiro sistema que Mestrei foi AD&D e mesmo assim ao conseguir um livro de Gurps3E em mãos e depois de ler, mudei sem pensar duas vezes e tive em gurps o meu sistema favorito durante muito tempo, até que chegou o dia que me libertei dos sistemas e passei a ver o rpg como um todo: jogar rpg é mais importante do que me prender a um sistema e deixar de jogar por naum ser akilo q gosto (imagino que com a maioria dos jogadores é assim, mas nem todos q conheço o são…).

    Espero que gurps se mantenha durante um bom tempo e que dispute cabeça a cabeça com M&M e com os outros sistemas tambem, pois quanto mais opções de escolha tivermos mais facil vai ser jogarmos aquilo que gostamos.