Com direção de Ana Rosa Genari Tezza, solo inédito com música ao vivo narra as aventuras de um coveiro nordestino que veio a São Paulo para procurar sua mãe
A vontade de discutir questões relacionadas à morte como forma de nos alertar para a urgência da vida instigou o ator, músico e diretor musical Marco França a idealizar o solo A Última Cova, com texto inédito de Newton Moreno e direção de Ana Rosa Genari Tezza. O espetáculo, com produção da Morente e Forte, tem sua temporada de estreia de 1º a 30 de julho no Espaço Cênico do Sesc Pompeia, com apresentações de quarta a sexta-feira, às 19h30. Em cena, ainda estão os músicos Bruno Menegatti e Juliano Veríssimo.
A trama acompanha a história de Djalma, um coveiro nordestino que veio à capital paulistana à procura da mãe e munido de sua pá. Ele nunca aceitou que a mãe o tivesse deixado para se aventurar pelo mundo, busca nos olhos das mães enlutadas os olhos da sua mãe, e trabalha atento às ‘injustezas’ que sofrem muitos de seus clientes e parentes deles, como se sua pá pudesse consertar um pouquinho das mazelas do mundo.
Djalma burla a estrutura para cumprir com os pedidos e situações mais esdrúxulas de vários sepultamentos dos quais participou, até que desrespeita uma nova ordem e terá que sofrer as consequências deste ato, o que o faz cavar sua última cova.
Desde o começo da elaboração do texto até a estreia foram 2 anos de trabalho, a peça traz na sua equipe artistas que elaboram o teatro com tempo, escuta, e muita troca, isso porque todos têm intimidade com processos de grupo, que costumam ter no Tempo um grande aliado para o aprofundamento da pesquisa. Marco França integrou o grupo potiguar Os Clowns de Shakespeare por 15 anos, Ana Tezza é diretora artística da Trupe Ave Lola de Teatro e a Ave Lola Espaço de Criação, e Newton Moreno integrou a Cia Os Fofos Encenam.
A ideia de encomendar a peça, segundo França, surgiu depois que ele assistiu a um espetáculo em Santiago, no Chile, em 2024. “Foi de maneira distraída, mas com o radar sempre atento às poesias do mundo que, ao assistir um espetáculo que contava a vida de Leoncio Badía Navarro, um coveiro que viveu a ditadura franquista em Paterna (Espanha), me transportei aos canteiros de minha terra, pensando quantas histórias incríveis um cemitério coleciona: lugar de memórias. Ali eu soube por onde começar”, conta o idealizador do trabalho.
Sobre essa figura tão emblemática, Newton Moreno diz: “Esse cabra tinhoso retrata a resiliência e inconformidade do homem nordestino. Talvez não exista prova maior de resistência que não morrer; nisso o povo nordestino é mestre. Djalma está aí para provar. Mas nosso Djalma quer justiça e os que lutam por ela sempre são os primeiros alvos da ganância do mundo. Ele é um dos tantos que se faz a pergunta: “Justiça é mesmo coisa desse mundo?”.
Marco França ainda revela que se interessa pelo invisível e os invisibilizados nessa história. “É na figura do coveiro Djalma que dou voz aos que lutam diariamente contra o dragão da mentira, contra as ‘injustezas’ do mundo. ‘Porque a coisa mais perigosa pra esse mundo enganoso e feio é um cabra que restou no silêncio!’”, cita.
Para contar essa história, a diretora Ana Rosa Tezza revela ter escolhido uma linguagem necessariamente popular. “Uma linguagem que bebe da palhaçaria, da clássica oralidade dos repentes e da infinita capacidade comunicativa da canção brasileira. Neste trabalho, a busca constante foi explicitar o jogo teatral para a audiência, ao mesmo tempo em que lhes oferecemos uma viagem para dentro deste país que tinge, borda e tece, em sua fábula, as raízes de um Brasil ao mesmo tempo vivido e sonhado”, explica.
Já o cenógrafo e figurinista Kleber Montanheiro diz que fugiu do realismo para criar esses elementos já que a peça trata da lembrança. “A partir das ideias trazidas por Marco França, fui somando camadas, imagens e materialidades até chegarmos a uma forma que não ilustra as histórias, mas as faz emergir como memória viva. Não lidamos apenas com personagens — lidamos com vestígios, com ecos de vidas que já passaram, mas que insistem em permanecer”.
E o desenho de luz de Gabriele Souza “embaralha os limites entre palco e plateia, aproximando corpos, covas, sombras, presenças e ausências”, antecipa. “Confundir os tempos, os humores e as nuances desse território tão concreto, frio — mas que também guarda suas cores, temperaturas e encantamentos, de histórias que foram e seguem sendo. Sempre serão”, acrescenta.
Selma Morente e Célia Forte se associaram ao ator Marco França na realização deste projeto, segundo elas, é profundamente emocionante acompanhar o encontro de artistas como Newton Moreno, Marco França e Ana Rosa Tezza, tão comprometidos com a escuta, com o humano e com um teatro que insiste em permanecer vivo dentro das pessoas. “A Última Cova nasce desse território, onde memória, ausência e poesia caminham juntas. Ao olhar para a morte, o espetáculo nos devolve – com delicadeza – a urgência da vida. Para a Morente Forte,.” Completa Selma Morente.
Ficha Técnica
Idealização, direção musical, visagismo e atuação: Marco França
Dramaturgia: Newton Moreno
Direção: Ana Rosa Genari Tezza
Núcleo de criação musical: Marco França, Arthur Jaime, Breno Mont Serrat
Músicos: Bruno Menegatti e Juliano Veríssimo
Assistência de Direção: Ana Elisa Mattos
Cenários e Figurinos: Kleber Montanheiro
Desenho de Luz: Gabriele Souza
Criação e confecção de boneco e assessoria de manipulação: Fernando Gomes
Designer Gráfico: Vicka Suarez
Fotografia: Caio Oviedo
Captação audiovisual: gatú filmes
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio
Social Média: Isabella Pacetti
Assistência de Produção: Carol Ariza
Coordenação de Projetos: Egberto Simões
Produtores Associados: Selma Morente, Célia Forte e Marco França
Produção: Morente Forte Produções Teatrais e Galado Recordis
Realização Sesc SP
Sinopse
Munido de sua pá, a ‘potiguar’, Djalma é um coveiro nordestino que veio trabalhar em São Paulo para procurar sua mãe. Nunca aceitou que a mãe o tivesse deixado para se aventurar pelo mundo, atento às ‘injustezas’ que sofrem muitos de seus clientes. Djalma burla a estrutura para cumprir com os pedidos e situações mais esdrúxulas de vários sepultamentos que participou. Até que desrespeita uma nova ordem e terá que sofrer as consequências deste ato, o que o faz cavar sua última cova. Nesta noite, ele dividirá conosco sua história e sua narrativa embaralhando a busca pela mãe e os mistérios em torno desta última cova.
Serviço
A Última Cova, de Newton Moreno, com Marco França
Temporada: 1º a 31 de julho de 2026 *
De quarta a sexta-feira, às 19h30
*A sessão do dia 9 de julho acontece às 15h30 (feriado)
** Sessão extra no dia 30, às 15h30
Sesc Pompeia – Espaço Cênico – R. Clélia, 93 – Água Branca, São Paulo
Ingressos: R$50 (inteira), R$25 (meia-entrada) e R$15 (credencial plena)
Vendas a partir de 23/06 online em sescsp.org.br ou na bilheteria de qualquer unidade do Sesc SP
Duração: 70 minutos
Classificação: 12 anos
Gênero: Narrativa folhetinesca-melofantástica-cordelística
Acessibilidade: sala acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida









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