Captura de Tela 2026 06 24 às 14.28.14
AgendaSem categoriaTeatro

Marco França conta histórias de vida e morte em A Última Cova

Com direção de Ana Rosa Genari Tezza, solo inédito com música ao vivo narra as aventuras de um coveiro nordestino que veio a São Paulo para procurar sua mãe

A vontade de discutir questões relacionadas à morte como forma de nos alertar para a urgência da vida instigou o ator, músico e diretor musical Marco França a idealizar o solo A Última Cova, com texto inédito de Newton Moreno e direção de Ana Rosa Genari Tezza. O espetáculo, com produção da Morente e Forte, tem sua temporada de estreia de 1º a 30 de julho no Espaço Cênico do Sesc Pompeia, com apresentações de quarta a sexta-feira, às 19h30. Em cena, ainda estão os músicos Bruno Menegatti e Juliano Veríssimo.

A trama acompanha a história de Djalma, um coveiro nordestino que veio à capital paulistana à procura da mãe e munido de sua pá. Ele nunca aceitou que a mãe o tivesse deixado para se aventurar pelo mundo, busca nos olhos das mães enlutadas os olhos da sua mãe, e trabalha atento às ‘injustezas’ que sofrem muitos de seus clientes e parentes deles, como se sua pá pudesse consertar um pouquinho das mazelas do mundo.

Djalma burla a estrutura para cumprir com os pedidos e situações mais esdrúxulas de vários sepultamentos dos quais participou, até que desrespeita uma nova ordem e terá que sofrer as consequências deste ato, o que o faz cavar sua última cova. 

Desde o começo da elaboração do texto até a estreia foram 2 anos de trabalho, a peça traz na sua equipe artistas que elaboram o teatro com tempo, escuta, e muita troca, isso porque todos têm intimidade com processos de grupo, que costumam ter no Tempo um grande aliado para o aprofundamento da pesquisa. Marco França integrou o grupo potiguar Os Clowns de Shakespeare por 15 anos, Ana Tezza é diretora artística da Trupe Ave Lola de Teatro e a Ave Lola Espaço de Criação, e Newton Moreno integrou a Cia Os Fofos Encenam.

A ideia de encomendar a peça, segundo França, surgiu depois que ele assistiu a um espetáculo em Santiago, no Chile, em 2024. “Foi de maneira distraída, mas com o radar sempre atento às poesias do mundo que, ao assistir um espetáculo que contava a vida de Leoncio Badía Navarro, um coveiro que viveu a ditadura franquista em Paterna (Espanha), me transportei aos canteiros de minha terra, pensando quantas histórias incríveis um cemitério coleciona: lugar de memórias. Ali eu soube por onde começar”, conta o idealizador do trabalho.

Sobre essa figura tão emblemática, Newton Moreno diz: “Esse cabra tinhoso retrata a resiliência e inconformidade do homem nordestino. Talvez não exista prova maior de resistência que não morrer; nisso o povo nordestino é mestre. Djalma está aí para provar. Mas nosso Djalma quer justiça e os que lutam por ela sempre são os primeiros alvos da ganância do mundo. Ele é um dos tantos que se faz a pergunta: “Justiça é mesmo coisa desse mundo?”.

Marco França ainda revela que se interessa pelo invisível e os invisibilizados nessa história. “É na figura do coveiro Djalma que dou voz aos que lutam diariamente contra o dragão da mentira, contra as ‘injustezas’ do mundo. ‘Porque a coisa mais perigosa pra esse mundo enganoso e feio é um cabra que restou no silêncio!’”, cita.

Para contar essa história, a diretora Ana Rosa Tezza revela ter escolhido uma linguagem necessariamente popular. “Uma linguagem que bebe da palhaçaria, da clássica oralidade dos repentes e da infinita capacidade comunicativa da canção brasileira. Neste trabalho, a busca constante foi explicitar o jogo teatral para a audiência, ao mesmo tempo em que lhes oferecemos uma viagem para dentro deste país que tinge, borda e tece, em sua fábula, as raízes de um Brasil ao mesmo tempo vivido e sonhado”, explica.

Já o cenógrafo e figurinista Kleber Montanheiro diz que fugiu do realismo para criar esses elementos já que a peça trata da lembrança. “A partir das ideias trazidas por Marco França, fui somando camadas, imagens e materialidades até chegarmos a uma forma que não ilustra as histórias, mas as faz emergir como memória viva. Não lidamos apenas com personagens — lidamos com vestígios, com ecos de vidas que já passaram, mas que insistem em permanecer”.

E o desenho de luz de Gabriele Souza “embaralha os limites entre palco e plateia, aproximando corpos, covas, sombras, presenças e ausências”, antecipa. “Confundir os tempos, os humores e as nuances desse território tão concreto, frio — mas que também guarda suas cores, temperaturas e encantamentos, de histórias que foram e seguem sendo. Sempre serão”, acrescenta.

Selma Morente e Célia Forte se associaram ao ator Marco França na realização deste projeto, segundo elas, é profundamente emocionante acompanhar o encontro de artistas como Newton Moreno, Marco França e Ana Rosa Tezza, tão comprometidos com a escuta, com o humano e com um teatro que insiste em permanecer vivo dentro das pessoas. “A Última Cova nasce desse território, onde memória, ausência e poesia caminham juntas. Ao olhar para a morte, o espetáculo nos devolve – com delicadeza – a urgência da vida. Para a Morente Forte,.” Completa Selma Morente.

Ficha Técnica

Idealização, direção musical, visagismo e atuação: Marco França

Dramaturgia: Newton Moreno

Direção: Ana Rosa Genari Tezza

Núcleo de criação musical: Marco França, Arthur Jaime, Breno Mont Serrat

Músicos: Bruno Menegatti e Juliano Veríssimo

Assistência de Direção: Ana Elisa Mattos

Cenários e Figurinos: Kleber Montanheiro

Desenho de Luz: Gabriele Souza

Criação e confecção de boneco e assessoria de manipulação: Fernando Gomes

Designer Gráfico: Vicka Suarez

Fotografia: Caio Oviedo

Captação audiovisual: gatú filmes

Assessoria de Imprensa: Pombo Correio

Social Média: Isabella Pacetti

Assistência de Produção: Carol Ariza

Coordenação de Projetos: Egberto Simões

Produtores Associados: Selma Morente, Célia Forte e Marco França

Produção: Morente Forte Produções Teatrais e Galado Recordis

Realização Sesc SP

Sinopse

Munido de sua pá, a ‘potiguar’, Djalma é um coveiro nordestino que veio trabalhar em São Paulo para procurar sua mãe. Nunca aceitou que a mãe o tivesse deixado para se aventurar pelo mundo, atento às ‘injustezas’ que sofrem muitos de seus clientes. Djalma burla a estrutura para cumprir com os pedidos e situações mais esdrúxulas de vários sepultamentos que participou. Até que desrespeita uma nova ordem e terá que sofrer as consequências deste ato, o que o faz cavar sua última cova. Nesta noite, ele dividirá conosco sua história e sua narrativa embaralhando a busca pela mãe e os mistérios em torno desta última cova.

Serviço

A Última Cova, de Newton Moreno, com Marco França

Temporada: 1º a 31 de julho de 2026 *

De quarta a sexta-feira, às 19h30

*A sessão do dia 9 de julho acontece às 15h30 (feriado)

** Sessão extra no dia 30, às 15h30

Sesc Pompeia – Espaço Cênico – R. Clélia, 93 – Água Branca, São Paulo 

Ingressos: R$50 (inteira), R$25 (meia-entrada) e R$15 (credencial plena)

Vendas a partir de 23/06 online em sescsp.org.br ou na bilheteria de qualquer unidade do Sesc SP

Duração: 70 minutos

Classificação: 12 anos

Gênero: Narrativa folhetinesca-melofantástica-cordelística

Acessibilidade: sala acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida

Deixe um comentário

Sugeridos
João Attuy como o Imperador Sábio, Adriana Lessa como a Rainha da Neve, Carlo Porto como o Rei Vaidoso e Guilherme Carvalho como Andersen (Crédito João Pedro Hachiya)
AgendaTeatro

Belém recebe o espetáculo “Sonho Encantado de Cordel, O Musical”

Com músicas originais de Paulinho Moska, Chico César e Zeca Baleiro, peça...

Diego Esteve e Yasmin Martins Mendes
AgendaFilmes

‘Festival Intl de Cinema de Carazinho’ chega a 2ª edição

Após o sucesso da primeira edição em 2025, o ‘Festival Intl de...

Priscilla Colombi em A Vingança é um Jardim Selvagem foto Adriana Marchiori
AgendaTeatro

“A vingança é um jardim selvagem” vai entrar em cartaz no iBT

  Pela primeira vez na capital paulista, A vingança é um jardim...

Captura de tela 2026 10 13
AgendaTeatro

Do Ventre à Cabeça, solo de Luiza Braga, estreia no Sesc Ipiranga

Com dramaturgia e atuação de Luiza Braga, e direção de Victor Mendes...

Écoute
AgendaShows

Buster Keaton em três curtas

Em apresentação única no Teatro B32, músicos franceses executam ao vivo a...

Squel Confissões de uma porta bandeira
AgendaFestivaisFilmes

‘Squel, Confissões de uma porta-bandeira’ participa da 50ª Mostra de São Paulo

Após se aposentar em 2022, Squel Jorgea decide voltar ao Carnaval do...

Foto Mariana Scofano Divulgação
AgendaTeatro

Mariana Scofano integra elenco de Heathers, o Musical, no Rio

A atriz Mariana Scofano integra o elenco de Heathers, o Musical, montagem...

JET TOUR PHOTO
AgendaShows

JET pela primeira vez no país

A espera de mais de duas décadas finalmente chega ao fim para...

Giovanna Adoracion
AgendaShows

“Jazz dos Muertos” estreia no La Esquina, na Lapa

Novo projeto abre espaço para talentos do Jazz, Latin Jazz, Bossa Nova,...

1 Fábio Rizental Crédito divulgação
AgendaShows

Fábio Rizental celebra legados da MPB

O aclamado guitarrista, compositor e cantor revisita clássicos de Milton Nascimento, Djavan...

Era Uma Vez o Rei – Grupo Pombas Urbanas Foto de Ricardo Avellar
AgendaTeatro

Teatro Comunitário reúne Brasil e Colômbia em Cidade Tiradentes

De 13 a 17 de outubro de 2026 (de terça-feira à sábado),...

Na Terra de Arto (Le Pays D’arto) crédito Autoral Filmes
AgendaFestivaisFilmes

Dois títulos da 50ª Mostra de São Paulo

Com première nacional no evento, dentro da mostra Perspectiva Internacional: “Na Terra...