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“Ninguém Sabe Meu Nome” retorna aos palcos em turnê nacional

Monólogo reflete sobre os desafios da relação de uma mãe preta com seu filho diante do racismo

Ana Carbatti em Ninguém Sabe Meu Nome (Foto: Renato Mangolin)
Ana Carbatti em Ninguém Sabe Meu Nome (Foto: Renato Mangolin)

O dilema de uma mãe preta em falar sobre o racismo na sociedade com o filho é o ponto de partida de “Ninguém Sabe Meu Nome”, peça aclamada por público e crítica que retorna aos palcos no Galpão Cine Horto, em Belo Horizonte, nos dias 20 e 21 de maio, sábado, às 20h, e domingo, às 19h. Já nos dias 25 e 26, quinta e sexta, às 19h, será a vez do Teatro Sesc Alberto Bins, em Porto Alegre, na programação do festival Palco Giratório. Com idealização e interpretação de Ana Carbatti, texto de Mônica Santana e Ana Carbatti, além da direção de Inez Viana e Isabel Cavalcanti, a produção fará temporada pelo país com datas já confirmadas em cidades no Rio de Janeiro, Bahia e São Paulo.

O monólogo reflete sobre os códigos racistas tácitos da sociedade, seus impasses, impactos e possíveis propostas de reparo. Em meio a isso, o desafio de uma mãe preta de meia idade, Iara, para educar e orientar seu filho pequeno, Menino, diante de uma sociedade que não o reconhece como igual, mesmo em um país, o Brasil, que tem a maior população preta do mundo fora do continente africano. Em cena, Ana Carbatti se multiplica em muitas vozes e corpos, cujas expressões são as premissas do projeto, que é apresentado e patrocinado pelo Banco BV.

– Da reflexão ao entretenimento, provocando engajamento e empatia, distinguimos o problema do preto e o problema do branco. Iara só quer ter a certeza de que seu filho vai chegar à idade adulta e se tornar um cidadão comum e respeitado. A sua angústia sintetiza a de milhões de mães no Brasil e no mundo – conta a premiada atriz, indicada ao Prêmio Shell e ao APTR pelo papel.

Tudo começa quando ela acorda de um pesadelo onde ocorre o desaparecimento de Menino. A partir daí, começa por questionar sua própria existência e sua função na sociedade, como mulher e mãe: educar seu filho para que se desenvolva como um indivíduo que cresça, floresça e contribua para a sociedade ou despi-lo, ainda em tenra idade, de sua inocência de modo a prepará-lo para o enfrentamento de uma sociedade que não o reconhece como igual. Em uma conversa íntima com o público, ela discorre sobre suas principais angústias, medos e esperanças, falando através de todos os seus sentidos, se expondo e expondo seu corpo tão marcado quanto belo, tão liberto quanto invisível.

– É urgente refletir e falar sobre o racismo no Brasil e sobre a violência que sofre a população preta, grande maioria no país. É fundamental repensar a história brasileira: um país fundado a partir do massacre violento de muitos, por parte de uma elite privilegiada. Nesse momento, em que vivemos um período de retrocesso político atroz, de guerra psicológica, emocional e moral, é fundamental esse debate no teatro, que é o lugar em que a nossa humanidade ainda sobrevive. E onde ainda é possível um diálogo amoroso – ressalta Isabel Cavalcanti.

Sem deixar de lado o humor e a empatia, o espetáculo traz uma reflexão sobre como a sociedade ainda precisa compreender sua responsabilidade e agir para reparar sua dívida histórica com a população preta.

– Promover a presença e o protagonismo pretos é necessário para a construção do que pode(re)mos chamar de identidade brasileira. E só o antirracismo conseguirá nos devolver à humanidade perdida em mais de 300 anos de escravização. Não haverá liberdade enquanto não houver igualdade. Essa peça é uma das mais importantes que já fiz, em quase 40 anos de teatro. É a palavra-semente que precisa ser espalhada pelo mundo – destaca Inez Viana.

Serviço:

Minas Gerais

Apresentações: 20 e 21 de maio

Onde: Galpão Cine Horto – Rua Pitangui, 3613 – Horto, Belo Horizonte

HORÁRIOS: sábado, às 20h, e domingo, às 19h  

INGRESSOS: R$30 e R$15 (meia-entrada)

DURAÇÃO: 60 min

CLASSIFICAÇÃO ETÁRIA: 12 anos

GÊNERO: drama

Mais informações: 31 3481-5580 / https://galpaocinehorto.com.br/

Rio Grande do Sul

Apresentações: 25 e 26 de maio, quinta e sexta, às 19h

Onde: Teatro Sesc Alberto Bins – Av. Alberto Bins, 665 – Centro Histórico, Porto Alegre – RS

Ingressos: R$ 30 para os usuários dos cartões Sesc/Senac nas categorias Comércio e Serviços ou empresários, estudantes, classe artística e idosos acima de 60 anos; R$60 para o público em geral, à venda na bilheteria e no site www.sesc-rs.com.br/palcogiratorio 

Ficha técnica:

Idealização: Ana Carbatti

Texto: Ana Carbatti 

Dramaturgia: Inez Viana e Mônica Santana

Direção: Inez Viana e Isabel Cavalcanti

Direção de Movimento: Cátia Costa

Cenário: Tuca Mariana

Figurino: Flávio Souza

Desenho de Luz: Lara Negalara e Fernanda Mantovani

Direção Musical: Vidal Assis

Direção de Produção: Aliny Ulbricht

Produção Executiva: Raissa Imani

Direção de Comunicação: Daniel Barboza

Coprodução: Kawaida Cultural

Produção Local/Apoio: Instituto In-Cena

Assessoria de Imprensa: Carlos Pinho

Apoio: Instituto In Cena e Teatro Cine Galpão 

Patrocínio: Banco BV

Realização: Ministério da Cultura, Governo Federal – BRASIL, União e Reconstrução.

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