Os irmãos Timótheo crédito Kessis Sena (9)
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“Os Irmãos Timótheo da Costa” estreia no CCBB RJ

A trajetória dos irmãos João (1879 – 1932) e Arthur (1882 – 1922) Timótheo da Costa é contada e cantada no espetáculo “Os Irmãos Timótheo da Costa”, dirigido por Luiz Antonio Pilar, com dramaturgia de Claudia Valli e direção musical de Muato. A peça estreia no Teatro I do Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro em 19 de março de 2026. A montagem, que passou pelas unidades do CCBB de Belo Horizonte e Brasília em 2025, é mais um resgate de nomes da cultura preta nacional apagados pelo racismo. “Os Irmãos Timótheo da Costa” faz temporada até 19 de abril, com sessões de quinta a segunda, com apresentação pelo Ministério da Cultura e patrocínio do Banco do Brasil, por meio da Lei Rouanet – Incentivo a projetos culturais.

Em formato de musical, a peça é uma jornada sobre a vida e obra dos irmãos João e Arthur Timótheo da Costa, que figuram entre os nomes mais destacados de pintores da cena artística brasileira, nas duas primeiras décadas do século XX. Eles sofreram o preconceito da sociedade e ambos, com um intervalo de dez anos, morreram internos com a mesma doença, a demência paralítica, no Hospital dos Alienados, no Rio de Janeiro. No mesmo lugar que o grande escritor Lima Barreto foi internado e que era dirigido pelo Dr. Juliano Moreira, médico preto, pioneiro da psiquiatria e da saúde mental no Brasil e que combatia o racismo científico.

Em cena, Irene, vivida por Jeniffer Dias (indicada ao “Prêmio Potências”, em 2022, por sua atuação na série do Globoplay “Rensga Hits”), é uma pesquisadora contemporânea empenhada em escrever uma peça sobre os irmãos Timótheo da Costa, de quem ela ouviu falar uma vez e nunca esqueceu. Ao pesquisar suas vidas, ela descobre que, como tantos outros personagens negros, eles foram apagados da história e quase não há material sobre eles, apenas um pesquisador que focou na obra e não na vida dos irmãos. Irene vai desvendando suas histórias e chega à realidade do negro pós-abolição na então capital federal, ao racismo da Belle Époque carioca, à hipocrisia da sociedade racista, à epidemia de doenças mentais de pessoas pretas entre o final do século XIX e o começo do século XX.

Realidade e ficção se misturam, já que não há dados suficientes sobre a vida dos irmãos Timótheo da Costa. Além de Jeniffer Dias, o elenco conta também com Lucas da Purificação (que atuou na série “Impuros”, da Disney Plus), Luciano Quirino (fez participação no elenco da novela “Êta, mundo melhor!”), Pablo Áscoli (interpretou César Camargo Mariano em “Elis, o musical”) e Sérgio Kauffmann (atuou na novela “Garota do momento”, 2024/2025).

A trilha sonora do espetáculo traz a música do avô dos irmãos Timótheo da Costa, o maestro Henrique Alves de Mesquita. “As músicas deste grande maestro serão executadas ao vivo, e algumas canções receberão letras inéditas e serão cantadas em cena. Outras serão executadas como trilha sonora instrumental pelos músicos que compõem a orquestra do espetáculo”, revela Muato, diretor musical do espetáculo e vencedor do Prêmio Shell 2024, pela direção musical de “Pelada – A Hora da Gaymada”.

A dramaturga Cláudia Valli, que soma 39 anos de carreira com trabalhos na Rede Globo e Record e nos canais Multishow, Canal Futura, Prime Box Brasil, entre outros, observa que “somos até capazes de superar o ódio, o desprezo, a violência, mas o esquecimento é insuperável, pois ele nos trata como se nunca tivéssemos sido”. Por isso, a importância de trazer à baila uma peça que resgata parte extirpada pelo apagamento desses nomes fundamentais da cultura nacional. “O esquecimento e o apagamento são sentimentos irmãos que cospem na nossa cara a rejeição de toda uma sociedade. De toda uma história. Você não é porque não merece ser. Você não é porque não faz parte de nós”, diz a dramaturga.

Tal feito, o de apagar a presença de pessoas da história pelo fato de não obedecerem a padrões impostos pelo eurocentrismo, acaba por esconder a genialidade de indivíduos que contribuíram para a construção do país. “Os dois, precursores do Modernismo Brasileiro, foram esquecidos pela Semana de 22. E, aos poucos, foram apagados da História da Arte Brasileira. Assim como o avô deles, o genial maestro Henrique Alves de Mesquita, que foi de músico de maior destaque nacional e internacional ao mais absoluto esquecimento”, lembra Cláudia.

Para o diretor Luiz Antonio Pilar, já virou uma missão criar espetáculos com a narrativa decolonial. “Recentemente, um crítico me definiu como ‘um mestre em retratar histórias de grandes artistas, como Candeia, Ataulfo Alves, Leci Brandão, entre outros, não só no teatro, mas também na TV e no cinema’. De fato, tenho feito espetáculos sobre diversas personalidades pretas, homens e mulheres, artistas ou não”, diz o diretor, que foi reconhecido na 34ª edição do Prêmio Shell na categoria direção pelo musical “Leci Brandão – Na Palma da Mão”.

Dessa forma, por meio da história de tantos grandes nomes da arte preta nacional, nota-se que todos passam pelas mesmas situações de constrangimento por conta do racismo e isso une a todos numa mesma trajetória. “Percebi que trazer para o palco a história dessas pessoas que me inspiraram, de certa maneira também compartilho com elas tudo aquilo que eu já passei”, atesta Pilar. Mas, é importante ressaltar que o objetivo não é colocar esses personagens no lugar de coitados. “A história que vamos contar é uma investigação. Vamos descobrir quem foram os irmãos Timótheo da Costa, além do apagamento”, vaticina o diretor.

 “Os Irmãos Timótheo da Costa” leva para o público a realidade dos pretos no país do final do século XIX e início do século XX, logo após a abolição. Mas também apresenta que essa realidade, de apagamento e racismo, ainda é presente e intensa na sociedade e, muitas vezes, leva à depressão e à loucura.

“Por isso, tantos homens pretos (e mulheres também) surtaram ao vislumbrar o ‘não futuro’ pela frente. Eles não tinham a menor chance. A não ser lotar os hospícios ou os presídios da cidade. O sucesso não supera o racismo”, diz a dramaturga Cláudia Valli. Sendo assim, para a população preta do século XXI, resgatar essas histórias é fundamental para autoestima. “Estes artistas, pretas e pretos, são a base da cultura e da sociedade brasileira. E fazem ecoar para sempre um recado: nós temos legado!”, afirma Pilar.

Arte Irmãos

Ficha técnica:

Apresentação: Ministério da Cultura e Banco do Brasil

Diretor de Produção e Artístico: Luiz Antonio Pilar

Assistente de Direção: Estela Silva

Dramaturgia: Cláudia Valli

Elenco

Jeniffer Dias

Luciano Quirino

Lucas da Purificação

Sergio Kauffmann

Pablo Áscoli

Atriz stand in: Estela Silva 

Produção Executiva: Thaís Cairo 

Direção Musical e Composições Originais: Muato

Figurinista: Rute Alves

Cenógrafo: Cachalote Mattos

Iluminador: Daniela Sanchez

Vídeo Designer: Plínio Hit

Projeção Mapeada: Alan de Souza

Designer de Som: Vilson Almeida

Músicas de Henrique Alves de Mesquita

Interpretadas pelo Art Metal Quinteto

Trompete: Jessé Sadoc

Trompete: Wellington Moura

Trompa: Antonio Augusto

Trombone: João Luiz Areias

Tuba: Eliezer Rodrigues

Músicos Instrumentistas

Felipe Oládelè

Márcio Sorriso

Muato

Assistente de Produção: Sandro Carvalho

Preparador Vocal: Pedro Lima

Preparador Corporal: Estela Silva

Equipe de Cenografia

Assistente de Cenografia: Joyce Oliveira

Assistente de Cenografia: Leandro Mattos

Cenotécnico: Marcos Souza

Contrarregra: Felipe Mattos

Contrarregra de Cena: Sandro Carvalho e Feliphe Afonso 

Equipe de Figurino

Assistente de Figurino: Ana Silva

Alfaiate: Leonardo Ramos e Alex Leal

Costura: Emerson Viana, Joanice Penna e Darlan Kroger

Visagista: Andrea Bordadagua

Chapelaria: Denis Linhares

Camareira: Erika dos Santos 

Operador de Multimídia: Alan de Souza

Operador de som: Moisés Cardoso 

Operador de luz: Guilherme Trindade 

Assessoria de Imprensa: Paula Catunda e Catharina Rocha

Fotografia Artística: Luiz Antonio Pilar e Plínio Hit

Fotografia de cena: Kessis Sena

Designer Gráfico: Pedro Pessanha

Coordenador de Mídias para Internet: Mozart Jardim

Realização: Governo do Brasil e CCBB

SERVIÇO:

“Os Irmãos Timótheo da Costa”

Temporada:  de 19/03 a 19/04 de 2026

Horário: Quinta, sexta, sábado e segunda, às 19h. Domingo, às 18h.

Duração: 90 min.

Local: Teatro I – térreo

Classificação indicativa: 12 anos

Centro Cultural Banco do Brasil  

Rua Primeiro de Março, 66, Centro, Rio de Janeiro – RJ  

Funcionamento CCBB RJ:   

De quarta a segunda, das 9h às 20h (fecha às terças).   

ATENÇÃO: Domingos, das 8h às 9h – horário de atendimento exclusivo para visitação de pessoas com deficiências intelectuais e/ou mentais e seus acompanhantes, conforme determinação legal (Lei Municipal nº 6.278/2017)

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