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Peça no CCJF traz Padre Cícero encarando a própria morte

No sertão nordestino, onde fé e sobrevivência caminham lado a lado, uma missa se transforma em um acontecimento sobrenatural: ao receber do padre a hóstia, uma beata vê o sagrado se converter em sangue diante dos olhos do povo. Entre gritos de milagre e a negação da Igreja, emerge a figura controversa de Padre Cícero — homem de devoção inabalável que desafia instituições, mobiliza multidões e ainda hoje ecoa como uma das maiores encruzilhadas entre fé e política no Brasil.
A peça “Cícero – A Anarquia de um Corpo Santo”, de Samir Murad, coloca Padre Cícero em um momento absolutamente crucial de sua existência: a passagem da vida para a morte. Apresenta de forma poética, rompendo tempo e espaço, passagens significativas de sua vida, e os vislumbres que Cícero teria do futuro de tudo aquilo que um dia ajudou a fundar. O espetáculo fica em cartaz de 2 a 30 de junho – (terças e quartas às 19h, exceto dia 24), no Teatro do CCFJ, na Cinelândia, centro do Rio.

Fazendo uma retrospectiva crítica da própria vida, Padre Cícero permite aos espectadores ressignificar a história desse mito nacional e por extensão, provocar reflexões a respeito da Igreja e da política na sociedade contemporânea. Valendo-se de referências do teatro e do misticismo oriental, em consonância com o pensamento de Antonin Artaud, Samir Murad utiliza de elementos do BUTOH – uma espécie de teatro-dança japonês – assim como de conceitos extraídos do LIVRO TIBETANO DOS MORTOS, ambos tendo no estudo da Morte sua fonte de investigação artística e espiritual.

O Cariri, no Ceará, é uma região rica de lendas e mitos, sagas familiares e, acima de tudo, de uma religiosidade singular, onde se encontram a tradição e o contemporâneo, em um diálogo desafiador e poético, como os versos cantados de um repentista. É nesse ambiente, reconstruído através de cenário, iluminação e trilha sonora especiais, que o padre será desconstruído e reconstruído, a partir de uma evocação do ser humano cheio de contradições, por trás da aparente impavidez do mito.

Com a dimensão mágica emprestada desse momento de passagem da física  para a espiritual, Cícero revive em seu  corpo de forma poética, as diversas personagens, que definiram sua trajetória e que foram definidos por ela; tanto os protagonistas  quanto as vozes vindas do imaginário popular. A partir de então, passa-se a discutir não só sua existência, mas toda a questão religiosa e política que dela emanou e que marcou esse povo para sempre.

A trilha sonora que mescla diversos ritmos do Cariri, tradicionais e contemporâneos, ladainhas e cantos a ritmos do Oriente Médio e da Asia Central, acentua o clima solar e de aridez que povoa essas regiões, aproximando esses povos a partir de seus códigos mais essencialmente tribais. O cenário apresenta um tapete vermelho que sobe ao teto, como um caminho que une a Vida à Morte traduzindo, juntamente com a iluminação, a solidão do homem diante de sua luz e de sua escuridão.

“Se fui expulso da Igreja por uma decisão política, foi na política que tive de me decidir 

para trazer de volta a minha religião”

CÍCERO – A ANARQUIA DE UM CORPO SANTO

Criação, texto e atuação: Samir Murad

De 2 a 30 de junho (terças e quartas) às 19 h

Debate pós-peça: toda terça-feira, durante 30 minutos

Não haverá espetáculo na quarta dia 24/jun

Teatro do CCJF: Av. Rio Branco, 241 – centro / metrô estação Cinelândia

70 minutos | 14 anos | Ingressos: R$40,00 e R$20,00 (meia entrada) – via Sympla ou bilheteria do teatro
https://www.sympla.com.br/evento/cicero-a-anarquia-de-um-corpo-santo/3409904

FICHA TÉCNICA

Criação, texto e atuação: Samir Murad

Direção: Daniel Dias da Silva 

Cenário e figurino: Karlla de Luca

Trilha sonora: André Poyart e Samir Murad

Desenho de luz: Russinho e Francisco Hashigushi

Operação de luz e som: Francisco Hashigushi

Assessoria de Imprensa e media Social: Rodolfo Abreu | Interativa Doc

Programação visual: Redson Pereira
Fotos: Fernando Valle

Produção executiva: Wagner Uchoa

Apoio Logístico: Fernando Alax Casa 136

Realização: Cia.Cambaleei, mas não caí…

Instagram: @samirmurad.ator Facebook: Samir Murad

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