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A edificante contundência de “Estrelas Além do Tempo”

Katherine G. Johnson, Dorothy Vaughan e Mary Jackson fizeram história ao conseguirem com que suas determinações fossem mais audíveis que o segregacionismo que imperava nos EUA dos anos 60. Funcionárias da NASA, essas mulheres tiveram que romper barreiras da cor da pele e machismo para contribuírem potencialmente para que a instituição enfim, enviasse o primeiro astronauta a orbitar na Terra. “Estrelas Além do Tempo” trata dessa impressionante história real que já traz em si um antídoto bem motivacional que cinemão adora alimentar.

O desenrolar desse processo dramático pelo qual essas três amigas passaram, é tratado com leveza pela direção de Theodore Melfi, que se revela bem acertada diante do verniz “edificante” que o fato real ganha. Muito diferente do melodrama excessivo que virou o novelesco “Histórias Cruzadas” de Tate Taylor.

Dosando humor e emoção – a cena em que Katherine, vivida pela caricata Taraji P. Henson, explode por não poder usar os “banheiros para brancos” da NASA é forte, mas perfeitamente adequada à, digamos, pegada do filme – o roteiro romantiza despudoramente o livro de Margot Lee Shetterly, deixando tudo redondinho para melhor satisfação do público em geral.

Não que isso seja necessariamente um problema, uma vez que o filme funciona perfeitamente dentro do que se propõe e a história em si vem carregada de contundência e bem vinda representatividade. Para tal, ainda conta com uma trilha sensacional de Pharrell Williams, num casamento extraordinário com o grande Hans Zimmer e Benjamin Wallfisch.

Apesar da caricatice costumeira de Taraji, o longa se alimenta também das interpretações de Octavia Spencer (maravilhosa) e Janelle Monaé (cada vez mais atriz, para além da interessante carreira de cantora). “Estrelas Além do Tempo” é um simpático retrato de como a resistência pessoal em um cenário social mudou todo um caminho, que ainda está sendo aberto.

Katherine, uma matemática super dotada ganhou o respeito da NASA; Dorothy foi a primeira supervisora mulher e negra da instituição; e Mary Jackson, conseguiu entrar numa universidade “para brancos” e assim ser promovida a engenheira aeroespacial na agência. O filme enaltece essas trajetórias e, nesse caso, mesmo como toda perfumaria bem hollywoodiana, dá para aceitar a pecha de “edificante” sem medo de soar pejorativo. Não há melhor palavra para classifica-lo…

Filme: “Estrelas Além do Tempo” (Hidden Figures)
Direção: Theodore Melfi
Elenco: Taraji P. Henson, Octavia Spencer, Janelle Monaé
Gênero: Drama biográfico
País: EUA
Ano de produção: 2016
Distribuidora: Fox Film do Brasil
Duração: 2h 07min
Classificação: Livre

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Publicado por Renan de Andrade

Renan de Andrade

A paixão pelo audiovisual me pegou de assalto desde o berço. Assim como a necessidade de desbravar o alcance da comunicação. Formado em Jornalismo e atuando nas áreas de roteiro e direção na TV, sinto-me cada vez mais imerso nos matizes da arte (audiovisual) e da vida (comunicação).

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