O gênero de ficção científica sempre oscila entre a pretensão e a mesmice. Os que conseguem justificar o primeiro sem descambar para o segundo, até se redime de maiores análises, porém essa regra não existe e os filosofismos vazios se revelam uma praga no gênero. Looper descamba para os dois lados e acaba acertando em cheio a nossa paciência.

A trama é engenhosa: em um futuro no qual a viagem no tempo é possível, criminosos enviam suas vítimas para serem eliminadas no passado, onde seus corpos não serão encontrados. A viagem no tempo foi descoberta e proibida. Isso não impediu que grupos criminosos se aproveitassem da tecnologia para enviar ao passado aqueles que quisessem “apagar”. Como corpos podem ser facilmente rastreados em sua época, os chefões enviam para 2042 as vítimas, que são mortas e tem seus corpos destruídos por agentes conhecidos como Loopers.

Joe (Joseph Gordon-Levitt) é um desses executores, fazendo fortuna e vivendo à base de drogas e festas. Um dia, porém, a vítima enviada é ninguém menos que ele mesmo, 30 anos depois (Bruce Willis). O Velho Joe consegue escapar de sua execução, partindo para tentar eliminar aquele que um dia se tornará o Rainmaker, o chefão da máfia. Joe, enquanto isso, passa a fugir de seus companheiros, que o caçam para acabar com seu “eu” futuro. Resta ao rapaz decidir ser deve eliminar aquele que irá se tornar ou ajudá-lo em seu plano.

Escrito e dirigido pelo mesmo Rian Johnson, o filme troca a objetividade por uma burocrática busca por complexidade que não existe, ou seja, resulta pretensioso e cansativo a beça. A sensação que dá é que Rian foi se entusiasmando com o que ia escrevendo e acabou por perder o domínio de suas ideias, principalmente em seu final, exagerado e totalmente desconectado com o que o filme vinha  desenvolvendo até ali. Muito barulho por nada. Mas se existe uma contrariedade nisso tudo é que, mesmo Looper não sendo um filme necessariamente bom, não podemos deixar de observar que seu afobado diretor, quando aprender a conter seu equivocado entusiasmo, pode vir a trazer boas loucuras que talvez se desvencilhem da pretensão e da mesmice.

[xrr rating=2.5/5]

  • Gabriel O.

    Só uma nota: na verdade, Rian Johnson não é nenhum estreante (a não ser no gênero da ficção científica). Ele já dirigiu o ótimo noir “Brick”, em 2005, com um Joseph Gordon-Levitt ainda com carinha de adolescente como protagonista, e o divertido “Vigaristas”, em 2008. Ainda não pude conferir “Looper”, mas, apesar dos problemas apontados no texto, talvez valha pelo menos como uma primeira imersão do diretor neste novo universo – em geral, o filme até que foi bem recepcionado pela crítica.