O que seria das superproduções de Sci-fi/Fantasia se não fossem os efeitos especiais? O evento VFX Rio que aconteceu no Rio de Janeiro nos dia 08 e 09 de dezembro reuniu diversos profissionais de renome nessa área. Essa terceira edição do evento foi realizada no Museu de Arte Moderna e no Museu do Amanhã, Rio de janeiro. Entre eles estavam Richard Clegg, supervisor de efeitos especiais de “Blade Runner 2049”, e Dan Lemmon, supervisor de efeitos especiais de “Planeta dos Macacos: A Guerra”.

Richard Clegg e os segredos de Blade Runner 2049 (ALERTA PARA POSSÍVEIS SPOILERS)

Richard Clegg é VFX Supervisor da MPC. A produtora já realizou trabalhos em filmes como “Liga da Justiça”, “Mulher Maravilha” e “Perdido em Marte”. O profissional revelou os desafios técnicos e criativos que sua equipe enfrentou para criar digitalmente Rachel, interpretado por Sean Young, no filme “Blade Runner”, de 1982. A cena em que a replicante surge recriada por Niander Wallace (Jared Leto) foi a mais impressionante em termos de efeitos especiais no filme. Mostrou a que ponto chegou o potencial do CGI no cinema.

Ele disse em seu painel que trazer de volta uma personagem tão icônica de volta era um desafio. Desafio porque precisavam driblar o que se chama de Uncanny Valley, ou o Vale da Estranheza. Quando vemos um cartoon, uma charge, achamos engraçado, mas uma representação realista mal feita gera incômodo.

Daí o que foi feito? Usaram fotos de Sean Young em 1982 como referência, scanearam o crânio da atriz hoje, já que a pele muda ao longo dos anos, mas a estrutura craniana muda muito pouco. Para contracenar com os atores, usaram uma atriz (até com certa semelhança com Sean) que vestiu a máscara digital. Foram oito meses de trabalho e o resultado surpreendeu tanto os envolvidos na produção que, quando o CGI foi mostrado pela primeira vez, acharam que se tratava de uma cena do filme original.

Dan Lemmon e Planeta dos Macacos

Dan Lemmon é VFX supervisor da Weta Digital. Segundo ele, a base para criar os símios foram os símios verdadeiros, já que se trata de um filme de origem. O supervisor de efeitos contou que ele e sua equipe têm bastante respeito pelo filme original (de 1968) que usava maquiagem prostética. Eles queriam honrar essa tradição. Ele explicou as etapas da técnica motion capture utilizada no filme. Consiste na captura de movimentos de atores (vestindo macacões especiais com pontos a serem lidos pelo software) que serão substituídos por personagens digitais. A primeira etapa é a captura corporal, ou seja, dos movimentos do corpo. Depois vêm os movimentos faciais. Ele também falou da interação dos animais com o meio (chuva, neve) o que tornava o processo mais complicado.

Perguntado pela Ambrosia a repeito da diferença entre seu trabalho no vencedor do último Oscar de Efeitos Especiais “Mogli: O Menino Lobo” e “Planeta dos Macacos”, ele disse que é similar, mas em sentidos diferentes. Em o Planeta dos Macacos foi usada a supracitada técnica de motion capture. Em “Mogli”, o diretor Jon Favreau pediu que criasse algo mais parecido com uma animação tradicional da Disney, com os atores dublando. O Rei Louie, interpretado por Christopher Walken, eles tinham como referência os vídeos dele em uma cabine lendo suas falas. Contudo foi um trabalho mais dos animadores. Favreau até dava algumas ideias como fazer referência à cena do relógio em Pulp Fiction.

Mas o que tornou as coisas bastante difíceis foi colocar Mogli, interpretado pelo menino Neil Sethi, interagindo com os animais de forma realista. Até operadores de marionete do estúdio de Jim Henson entraram em ação para que o menino reagisse de modo natural. Mas foi difícil pois não havia a relação ator para ator que tiveram na série Planeta dos Macacos.