Em sua sexta temporada, Homeland demonstrou cada vez mais coerência dentro de sua perspectiva dramática: de uma vez por todas, é uma série sobre o conflito interno e externo de Carrie (Claire Danes, a dona da série) com o complexo aspecto político que a cerca. Ponto. Dito isso, a cada temporada, Homeland engenhosamente vai evoluindo pela inadequação dessa persona em conflitos civis e pessoais. 

Agora morando em Nova York, Carrie deixou de fazer parte do governo para trabalhar em uma organização de ajuda à muçulmanos. Dada sua expertise em política internacional, ela também passou a ser conselheira da presidente eleita dos Estados Unidos, Elizabeth Keane, meses antes de sua posse, com intuito de orientá-la nas questões urgentes referentes ao Oriente Médio.

Nessa fase da sua vida, até então pacata, ela vai vivendo seu cotidiano doméstico com a filha e tentando recuperar a dignidade física e psicológica de Peter Quinn (Rupert Friend, excelente) que sofre as terríveis consequências do derrame que resultou diretamente de ação de Carrie ao retirá-lo do coma induzido pós-inalação do gás sarin, na quinta temporada. 

A série sempre foi dada a grandes viradas que, muitas vezes, redefinia seu próprio contexto. Mas Carrie sempre foi Carrie, e sua jornada, especialmente a psíquica, ditou a perenidade da trama. Aqui, os roteiristas foram sagazes ao estabelecer a virada, partindo de um personagem já muito conhecido dos fãs da série, e que sempre nutria certa ambiguidade em suas performances: Dar Adal (F. Murray Abraham). Assim, esse sexto ano foi num crescente persuasivo nas desventuras da protagonista, num jogo de intrigas bem construídos e afinado com o presente (discussões sobre o poder difamatório da mídia e das redes sociais, por exemplo). 

E como a vida de Carrie nunca tem paz (para nós, ainda bem!), o final de temporada reserva mais uma surpresa/virada que vai justificar ainda mais a paranoia que é quase patológica na personagem. E abre um bom gancho para a sétima temporada (já confirmada, assim como a oitava), mantendo nosso interesse nas tensas e rocambolescas tramas que virão, além do apreço pela perturbação constante da protagonista.