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“Assassin’s Creed”: ainda uma tentativa de ser plenamente cinema

Procura-se uma adaptação de game para o cinema que seja digna de nota. Ainda se procura. Mesmo depois da estreia do aguardado Assassin’s Creed. Nesse caso, o caminho é até promissor. O filme não é o desastre que costumam ser essas tentativas de migração de veículos. Entretanto, o backstage para tal é tão promissor que a decepção é inevitável, diante do resultado mediano, dado o seu elenco e ficha técnica.

Para quem não conhece os princípios do jogo, muito popular nesse universo quase paralelo que é o mundo dos games um pouquinho mais, digamos, complexos, a trama deve soar muito rocambolesca. Mas basta entender a premissa. A história introduz duas sociedades secretas: os Assassinos, que lutam pelo livre arbítrio da humanidade, e os Templários, que buscam criar uma nova ordem mundial ao acabar com a violência, tirando o direito à liberdade.

O roteiro foca na história de Callum Lynch (Michael Fassbender), um homem condenado à morte que é levado para a Fundação Abstergo em Madri, na Espanha. A empresa, dirigida por Alan Rikkin (Jeremy Irons) e administrada pela filha (Marion Cotillard), é uma das fachadas para que os Templários possam atuar nos dias atuais. Cal é levado para um centro de pesquisas Abstergo e é introduzido na Animus para que sincronize com o seu ancestral, Aguilar. Na pele do Assassinos espanhol, Cal precisa descobrir o paradeiro da maçã do Éden, ao mesmo tempo que deve lutar contra os templários, que são forças militares poderosíssimas e numerosas.

O paralelismo na condução da trama é interessante do ponto de vista dos contrastes que isso proporciona entre o mundo presente e o épico passado. Mas tamanha suntuosidade na estrutura não esconde alguns problemas de construção do eixo central da história. Por exemplo, nunca fica muito claro qual o poder especial da tal maçã. Assim como o vilão, vivido por Irons, que pouco sai da penumbra narrativa para alcançar alguma relevância mais clara na trama.

O diretor Justin Kurzel pesa a mão demais na concepção da história. Como vimos nos seu filme anterior, o duro Macbeth – Ambição e Guerra, fica clara sua obsessão pela bruma constante (em todos os tempos e ambientes) e uma fotografia mais bruxuleante, numa metáfora óbvia do obscurantismo daqueles personagens. Acaba que o próprio filme banaliza sua densidade, deixando a história um pouco burocrática e excessivamente solene. Para os fãs do game, talvez o filme ganhe um plus do interesse de assistir em outra conjuntura, mas para o resto dos mortais, Assassin’s Creed soa como muito barulho por nada (ou pouca coisa). Procura-se…

Filme: Assassin’s Creed (Idem)
Direção: Justin Kurzel
Elenco: Michael Fassbender, Marion Cotillard, Jeremy Irons
Gênero: Aventura
País: EUA
Ano de produção: 2016
Distribuidora: Fox
Duração: 1h 56min
Classificação: 12 anos

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