[Daniel Braga é nosso ilustre autor convidado]
O artista argentino Mauro Cascioli foi abordado pela Wizard Magazine para compor uma capa especial para o número que anuncia a nova formação da maior equipe de Super-Heróis da DC. Sob a batuta do roteirista James Robinson (Era de Ouro, Starman e Superman: Nova Krypton), Cascioli será o novo artista desta série vindoura. Aclamado pelo seu trabalho Os Desafios de Shazam, o ilustrador recebeu da revista especializada americana a encomenda de uma capa com uma abordagem direta, apresentando os personagens que estarão no título, todos enfileirados.

Dentre eles, o desenhista se mostrou especialmente interessado por dois: “Lanterna Verde é meu personagem favorito desde que era um garoto.” admitiu. “Gosto de seu visual e de sua origem. Também gosto do Capitão Marvel Junior… Quando criança passei algum tempo copiando o trabalho de Mac Raboy (famoso artista que desenhava as aventuras do personagem nos anos 40, responsável pelas revistas e principalmente pelas tiras de jornal de Flash Gordon até o final da década de 60 por ocasião de seu falecimento). Não vamos esquecer, Cap. Marvel Jr. era o personagem favorito do Elvis”. Presley copiou o corte de cabelo do personagem e fez dele referencia em diversos programas e shows seus.

No primeiro rascunho da esquerda para direita estavam o Arqueiro Verde, Supergirl, Eléktron no ombro direito do Lanterna Verde, Batwoman, Capitão Marvel e Congorila. Sem a aparição de Starman, o esquete sugeria todos em uma posição de ação eminente. Expandindo o conceito original da encomenda, o artista espalhou mais o time e mudou alguns de posição, além de optar por um ângulo inferior de visão, fazendo com que apenas o Lanterna parecesse olhar para frente. Starman começava a fila da esquerda, seguido pelo Arqueiro, a mulher morcego, Lanterna, Eléktron agora no ombro esquerdo, a Garota de Aço e Marvel. O Gorilão passou para trás do grupo. A idéia do artista era alargar a perspectiva, contrastando as cores dos uniformes e sugerindo um sentido de detalhismo e profundidade “Gosto de sentir a atmosfera na ilustração, dá mais credibilidade à cena”.
Por fim, Starman passou para trás da cena flutuando no canto superior esquerdo, com seus longos cabelos para cima (dando-lhe um certo “distanciamento alienígena”) e o ângulo de visão foi corrigido para um pouco mais frontal e com que todos os personagens passem a olhar para o leitor. Batwoman olha projetando o queixo para baixo , como se encarasse o leitor e Supergirl olha com o queixo levemente para cima, num limítrofe entre a realeza e a soberba. Hal Jordan quase não mudou nada do tratamento anterior, no primeiro plano da ilustração, agora que ele assume a liderança do grupo, com Eléktron numa posição de foto de zagueiro de futebol americano. Ali ao pé do ouvido de Jordan, Ray Palmer parece bancar a consciência do novo líder quase como um grilo falante da Disney. Porém o que mais impressiona é a intensidade do olhar de Congorilla, você realmente acredita que ele é um daqueles fascinantes símios gigantes dos documentários sobre animais que parecem estar se comunicando algo primitivo que nossa razão não nos deixa mais entender, mas nossa sensibilidade ainda alcança.
Entretanto, a pedido da DC Comics um pequeno detalhe sofreu correção: A cor do uniforme de Freddy Freeman como Capitão Marvel deixou de ser vermelha e passou para o azul dos seus tempos de Júnior, alias o único dos Marvels a usar uma cor diferente (Capitão, Mary, Tio Dudley e os Tenentes eram todos rubros). Cacioli só comentou que tanto ele quanto Robison concordaram com o pedido da editora. Feita a modificação em sua arte final, o desenhista completou a obra em lápis para a colorização sozinho, um processo que lhe deu muito mais liberdade criativa. O argentino acha que utilizar um assistente limitaria o processo natural de sua criação, “Dependendo do caso, utilizo diferentes técnicas para obter resultados diferentes. Penso nas páginas como a representação visual de uma composição musical. O que mais me diverte é ser capaz de dar vida as ilustrações faço em minha mente.”

No interior da revista há também outra ilustração de Mario Cascioli, só que recortada pela editoração. Dessa vez, em vez de pousar, as personagens estão em plena ação: De forma livre e sem comprometimento com o “real”, eles emergem de uma explosão branca, azul-avermelhada sobre a órbita terrestre. No primeiro plano estão à esquerda o Arqueiro e à direita o Lanterna, numa possível referencia das suas opiniões políticas na era de bronze.
As duas versões femininas dos mais famosos heróis da DC seguem logo atrás, em posições com referência claras as encarnações cinematográficas do Cavaleiro das Trevas e do Homem de Aço: Kathy Kane de perfil olhando para baixo segura sua capa como se saltasse entre bandidos de rua e Kara ereta de punhos fechados que Chistropher Reever compôs para voar nos filmes. Ao lado de Kara está Ray Palmer invadindo a editoração do artigo e atrás de todos estão Staman, voando com as mãos abertas, uma delas bem para o alto como se quisesse tocar as estrelas, e Congorilla de bocarra e braços abertos em ataque, expressando toda fúria bestial de sua espécie. Estranhamente, Freeman não aparece na imagem, há um erro na colorização: a pedra dourada incrustada no peito de do Homem Estelar Mikaal Tomas está branca como a camisa em volta.
Por outro lado há uma novidade: vemos alguns vilões em plano americano ou closes recortados no infinito em posições estáticas: Podemos reconhecer na esquerda Hera Venenosa, Bizarro, Capitão Frio e na direita Grood, Sinestro, Solomon Grundy. Há outro, bem magro, que alem de estar atrás da luz e completamente azulado pelo espaço sideral a sua volta, está cortado pela paginação da revista, o que impede de ser reconhecido. Seria uma prévia do ilustrador do que nova formação vai enfrentar? Da forma com que Cascioli está “antenado” com Robison, sim, devem ser esses os desafios que a Liga da Justiça desses dois fãs e artistas tem em 2009.
Daniel Braga








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