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“Velozes & Furiosos 9” é um exercício de suspensão da descrença cinematograficamente desnecessário

Ao assistir a um filme de super-heróis você aceita que o homem pode voar, arremessar uma pedra gigante como se fosse uma bola ou parar um caminhão com apenas uma mão. Em uma obra que se passa em um universo fantástico é crível que existam dragões que obedecem comandos de um ser humano. Isso se chama suspensão de descrença, quando lhe é dado um determinado contexto e suas regras que, por mais que pareçam inverossímeis, estão de acordo com a proposta. Na franquia “Velozes & Furiosos” não é diferente, e em “Velozes & Furiosos 9”, o último longa da série dos carrões tunados, aposta as fichas nisso.

Na trama, Dom Toretto (Vin Diesel) está aposentado de aventuras, criando seu filho Brian com sua esposa, Letty (Michelle Rodriguez). Mas aí, surge em seu caminho um dispositivo chamado Aries, que pode invadir qualquer sistema bélico no mundo nas mãos do agente sinistro Jakob (John Cena), com quem Dom possui laços. Relutantemente ele aceita se juntar a essa missão para salvar o mundo da ameaça.

“V9” não se difere em nada do que foi visto na série desde sua nova guinada no filme 4, que contou com a volta de Vin Diesel. A partir dali os pegas nas ruas foram ficando cada vez mais em segundo plano, dando espaço a missões cheias de façanhas no melhor estilo 007 e Missão Impossível. Só que aqui, o absurdo é elevado à enésima potência. E a suspensão da descrença é exigida além do razoável porque a inverossimilhança extrapola o combinado.

Se é aceitável alguém voar e lançar raios pelas mãos no mundo dos super-heróis, um carro saltar de um despenhadeiro para outro em uma trama que se passa na nossa realidade (ou ao menos não especifica que é a nossa realidade até um certo ponto) cai no vale da estranheza. E isso compromete a experiência.

O roteiro, que o diretor Justin Lin assina junto com Daniel Casey também não ajuda muito. Além da lei da física, a coerência narrativa é quebrada sem cerimônia apenas para fazer a trama andar. A direção de Lin é genérica e no piloto automático como a atuação de Vin Diesel, que a essa altura já se confunde com seu personagem. Se falta talento dramático, sobra carisma e é muito sobre ele que repousa o êxito da franquia.

O novo personagem, vivido por um canastríssimo John Cena, é claramente introduzido para de alguma forma preencher a lacuna deixada por Paul Walker. O problema é que Jakob é arremessado de forma displicente no universo furioso e os flashbacks (excessivamente) explicativos, além de não conferirem muita substância a ele, ainda prejudicam a fluidez narrativa. Isso sem mencionar a quebra de tom. O longa é permeado de piadinhas, dando a entender que não se leva a sério, daí é remendado um arco dramático anômalo.

“Velozes & Furiosos 9” faz absoluta questão de superar seu antecessor no “elemento fantástico” da vez. A sucessora da sequência do submarino é uma para lá de improvável viagem ao espaço. Mas isso se dá a uma altura em que qualquer resquício de lógica na cabeça do espectador foi vencido pelo cansaço.

Os fãs certamente irão aprovar. A fórmula “Velozes” está intacta e é mais uma oportunidade se reunirem com os seus personagens queridos, a grande família de Dom Toretto, da qual os aficionados no seu íntimo também se sentem parte. Contudo, se seu grau de envolvimento com “Velozes e Furiosos” é meramente casual, ou menos que isso, o que sobra é um produto cinematograficamente desnecessário.

Nota: Regular – 2.5 de 5 estrelas

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