Hoje, 5 de abril de 2009, completam 15 anos da morte do último ídolo do rock, Kurt Cobain. Aquele que era tratado como o salvador da pátria, que iria salvar o rock da onda da música comercial e dance music e que no final não aguentava mais as pressões que estava sofrendo e supostamente se matou.
Bem, a parte do se matar entra em uma séria controvérsia pois, existem algumas teorias que dizem que Kurt foi assassinado e não se matou. Sem querer entrar nessa discussão pois, se depois de 15 anos ainda não se descobriu isso, não sou eu quem vai chegar a uma conclusão lógica sobre o assunto.
O que importa é a carreira meteórica de Kurt e como este criou um hino da famosa Geração X, “Smells Like Teen Spirit”.
[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=kPQR-OsH0RQ[/youtube]
Eu, que vivi os anos do grunge (e fui um) me lembro claramente daquele começo da década de 90 em que bandas como Nirvana, Pearl Jam, Stone Temple Pilots, Alice in Chains, Smashing Pumpkins e Soundgarden começavam a cair na mídia após lançamentos de álbuns como “Bleach” e “Nevermind” do Nirvana, “Ten” do Pearl Jam e “Core” do Stone Temple Pilots, ganhando um espaço que até então era ocupado por hair bands, posers e dance music (lembrem-se que o poperô surgiu na mesma época).
Alguns ícones do rock como Metallica e Guns ‘n Roses ainda estavam presentes, especialmente após 1992 com os lançamentos do “Black Album” e “Use Your Illusion I e II” destas bandas. Nesta mesma época, um outro ícone do rock havia morrido (Freddie Mercury) e o grunge agora era visto como uma revolta contra o sistema, contra o que as gravadoras queriam fazer com o rock e com os riffs e solos de guitarra.
Na minha opinião, o grunge e as bandas de Seattle que vieram em seguida atrasaram essa nova onda de rock que existe hoje em dia, ou seja, bandas sem qualquer criatividade ou um mínimo de empenho em tentar ser diferente. Eles simplesmente tocam seus riffs pré fabricados e nem sequer se arriscam em um solo porque o público de hoje em dia não quer solos (ou assim pensam as gravadoras).
A sujeira do grunge, aquela guitarra e voz raspada e sem técnica, as camisas de flanela, bermudas e botas, os cabelos compridos e sujos, sem lavar há dias, e, especialmente, a atitude, tudo isso foi um marco na história do rock em que se podia falar de amor em uma música sem ter que ficar fazendo cara de choro e colocar uma mecha de cabelo na cara e usando maquiagem pesada para mostrar que sentir EMOção é se fazer de idiota.
Porém, Cobain não foi um exemplo a se seguir. Quando todos viam nele um salvador, ele se via como uma pessoa que não queria esse rótulo e muito menos gostava de ser classificado como grunge. Seu vício em heroína, juntamente das outras drogas em sua vida (isso inclui sua esposa, Courtney Love), acabaram por afastá-lo dos palcos e o colocaram em uma clínica de reabilitação da qual ele fugiu e foi encontrado morto três dias depois.
O legado de Cobain permanece em bandas como Pearl Jam que mantém suas convicções políticas a toda forma, mesmo já não sendo tão famosa quanto antigamente e não sendo ouvida tão facilmente como essas bandas de hoje em dia que começam com “The”.
Para os neófitos de plantão que querem saber o que era o Nirvana e como era a Seattle dos anos 90, recomendo ver duas coisas. A primeira é o acústico Nirvana da MTV e o filme “Vida de Solteiro” de Cameron Crowe, que retrata a história de várias pessoas enquanto eles vivem em uma Seattle em ebulição com o movimento grunge, nota-se que o Pearl Jam, Soundgarden e outras bandas da época fazem parte da trilha e do filme, inclusive com uma cena hilária do vocalista Chris Cornell do Soundgarden e Matt Dillon com seu carro de som envenenado.
Desta forma, deixo vocês com o último ícone do rock mundial, o último herói daqueles que se viam obrigados a ouvir o poperô nas rádios e clamavam por um salvador. Pena que ninguém percebeu que quem precisava de salvamento era o salvador.
J.R. Dib










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