“Já provou?” “Não, mas não gosto.” Quem convive com crianças conhece de cor esse diálogo, travado diante de um brócolis, um chuchu ou a couve-flor e o repolho esquecidos na beirada do prato, enquanto a beterraba é escondida debaixo do arroz e a vagem desaparece, misteriosamente, dentro do guardanapo. Forçar a criança a comer costuma aumentar o repúdio ao alimento.
Em O Mundo Colorido dos Alimentos, essa pequena batalha de todos os dias vira aventura: para atravessar cada um dos quatro mundos da história, o protagonista precisa provar algo que nunca comeu. Sem sermão e com muita imaginação, o espetáculo usa o teatro para despertar a curiosidade das crianças pela comida e mostrar que comer bem pode ser uma descoberta divertida.
Com texto de Marcelo Ferraz e direção de Vinicius Cattani, a montagem estreia dia 24 de outubro, sábado, às 15h, no SESI Birigui, e segue até dezembro por unidades do SESI em Marília, Itapetininga, Osasco, São José dos Campos, Franca e Ribeirão Preto, sempre com entrada gratuita.
Para o SESI, a chegada da montagem a Birigui reforça o papel do teatro na formação das crianças. “Estamos muito felizes em receber o espetáculo O Mundo Colorido dos Alimentos no Teatro SESI Birigui. Além de proporcionar uma experiência artística divertida e acolhedora para as crianças, a montagem aborda de forma lúdica, criativa e acessível um tema extremamente relevante para os dias de hoje: a alimentação saudável. Acreditamos que o teatro tem um papel importante na formação das crianças e, quando alia arte, imaginação e educação, amplia ainda mais seu potencial de transformação. Temos certeza de que será uma experiência significativa tanto para os alunos do SESI quanto para todo o público que prestigiará o espetáculo”, afirma Gustavo Fernandes, orientador de cultura do SESI Birigui.
No palco, os super-heróis são os alimentos, e eles chegam em forma de cor. A cada sabor descoberto, o protagonista amplia sua relação não só com a comida, mas com tudo aquilo que lhe parece estranho e novo.
Nos mundos vermelho, verde, amarelo e roxo, ele é conduzido por guias inspirados nos profissionais da escola que raramente recebem aplausos. Já adulto, o menino se torna cozinheiro, e a montagem presta homenagem a chefs, cozinheiras e merendeiras. “A ideia é propor mudanças positivas nos hábitos alimentares, na relação das crianças e jovens com a comida, e valorizar também a profissão de quem está na cozinha”, afirma o autor.
Do prato recusado ao palco
A história nasceu dentro de casa. O ponto de partida foi Giovani, sobrinho de Marcelo Ferraz, hoje com 8 anos. Mesmo crescendo numa família atenta à alimentação, o menino rejeitava quase tudo o que fugisse do básico. “Ele sempre recusou feijão, brócolis, comida verde, legumes e até carne. O macarrão tinha que ser puro: sem cebola, sem alho, sem molho de tomate”, lembra o autor. Aos 5 anos, a seletividade virou um problema de saúde, e o médico avisou que, sem mudar a alimentação, Giovani precisaria passar por uma cirurgia.
A saída encontrada pela família foi a brincadeira. “Comecei a dizer que os alimentos eram super-heróis, para que ele se sentisse estimulado a experimentar”, conta Marcelo. A escola entrou no jogo: quando Giovani provava algo novo, a professora anunciava a conquista e a turma aplaudia a coragem do colega. “Hoje ele ama macarrão com brócolis, ama feijão. Foi um trabalho de construção.”
Para escrever o texto, o autor conversou com mães e educadores de escolas públicas e particulares, incluindo mães de crianças autistas, para quem a textura dos alimentos costuma ser uma barreira. Dessas conversas veio também um olhar sobre desigualdade. “Hoje comer bem custa caro. A pessoa trabalha o dia inteiro e vai no mais fácil, que é o macarrão instantâneo, a bolacha. E isso custa saúde”, diz. Sem eleger vilões: “A ideia não é demonizar nenhum alimento.”
Brincar antes de ensinar
Para o diretor Vinicius Cattani, o desafio era falar de um tema tão presente no cotidiano infantil sem transformar o palco em sala de aula. “Quando a gente quer ensinar alguma coisa, principalmente para uma criança, é muito difícil fugir do didatismo. O que eu tentei fazer foi não explicar, e sim fazer com que os personagens vivenciem situações”, afirma. Em cena, Giovani prova um alimento, gosta, e esse primeiro passo o encoraja a experimentar o próximo.
Experimentar, aliás, é o verbo que atravessa a dramaturgia. “O espetáculo fala o tempo todo sobre experimentar, descobrir, ousar. A criança é curiosa por natureza, e o teatro é isso: lúdico, sensorial, um convite à descoberta de novos sabores e novas cores”, resume Marcelo.
Um mundo que ganha cor
A transformação do protagonista também está no visual. “A proposta para o cenário, o figurino e toda a linguagem é fazer esse mundo se transformar, assim como o personagem se transforma”, explica Cattani.
Conforme Giovani avança na jornada, a cenografia de Amauri Santos e os figurinos de Divina Núbia ganham cores aos poucos, refletindo a mudança interior do menino. “A gente quis mostrar essa transformação não só no personagem, mas também no cenário e no figurino.”
Em cena, Luís Maurício e Aurélio Lima conduzem a história, que tem músicas de Andréa Celegatto, arranjos de Jhésus Brito, efeitos sonoros de Rafael Thomazini e voz em off de Lavínia Pannunzio.
Oficina de Bonecos para Crianças
Como parte das ações formativas do SESI, a passagem do espetáculo por Birigui inclui a Oficina de Bonecos para Crianças, uma vivência lúdica de iniciação ao teatro de bonecos que une brincadeira, imaginação e expressão artística. Conduzida pelo ator e bonequeiro Luís Maurício, integrante do elenco, a atividade convida as crianças a descobrir como um boneco simples pode ganhar vida, voz e movimento nas mãos de quem o manipula.
Cada participante constrói o próprio boneco, com todo o material fornecido, e depois brinca com ele ao lado dos colegas. A proposta dialoga com os processos de formação cultural e artística na infância, estimulando a criatividade, a oralidade e o trabalho em grupo. Em Birigui, a oficina acontece no dia 24 de outubro, às 10h, e as crianças podem emendar a experiência com a sessão do espetáculo à tarde, quando reencontram os bonecos em cena, como o Chefinho, o chef de cozinha que integra a montagem.
Com mais de 50 anos de trajetória no teatro de bonecos, Luís Maurício é conhecido por criar grandes bonecos em homenagem a artistas como Fernanda Montenegro, Zé Celso e Rita Lee. Gratuita, com cerca de 30 vagas, a oficina é recomendada para crianças de 6 a 12 anos, que podem participar acompanhadas dos pais. As inscrições são feitas pelo site do SESI-SP.
Sinopse
O Mundo Colorido dos Alimentos é um espetáculo infantil que leva as crianças a uma viagem cheia de imaginação, sabores e descobertas. Ao lado de um menino curioso, o público conhecerá um universo em que os alimentos, com suas cores e sabores, permitem possibilidades surpreendentes, mostrando que uma alimentação nutritiva pode ser divertida, saborosa e cheia de magia.
Ficha técnica
Texto: Marcelo Ferraz. Direção: Vinicius Cattani. Elenco: Luís Maurício e Aurélio Lima. Cenografia: Amauri Santos. Figurinos e Maquiagem: Divina Núbia. Músicas: Andréa Celegatto. Arranjos: Jhésus Brito. Efeitos Sonoros: Rafael Thomazini. Voz em Off: Lavínia Pannunzio. Operador de Luz – Jotappê Silva. Coordenação Pedagógica e Editorial: Cristiane Boneto. Coordenador de Produção: Charles de Montrigaud. Assistentes de Produção: Renata Santos e Luciano Silva. Mídias Sociais: Cannal. Assessoria de Imprensa: M.Fernanda Teixeira e Mauricio Barreira – Arteplural.
Serviço
O Mundo Colorido dos Alimentos
SESI Birigui – Av. José Agostinho Rossi, 620 – Jardim Sumaré, Birigui (SP).
Data: 24 de outubro (sábado), às 15h. Duração: 60 minutos. Classificação indicativa: a confirmar. Entrada gratuita.
Oficina de Bonecos para Crianças
Data: 24 de outubro (sábado), às 10h. Local: foyer do teatro do SESI Birigui. Duração aproximada: 120 minutos. Recomendada para: crianças de 6 a 12 anos. Gratuita, cerca de 30 vagas.
Circulação pelo Estado de São Paulo
Marília – 5 e 6 de novembro (quinta e sexta), às 14h; 7 de novembro (sábado), às 16h.
Itapetininga – 12 de novembro (quinta), às 10h e 15h; 13 e 14 de novembro (sexta e sábado), às 15h; 15 de novembro (domingo), às 16h.
Osasco – 17, 18 e 19 de novembro (terça, quarta e quinta), às 14h.
São José dos Campos – 3 de dezembro (quinta), às 10h e 15h; 4 e 5 de dezembro (sexta e sábado), às 15h; 6 de dezembro (domingo), às 16h.
Franca – 10 e 11 de dezembro (quinta e sexta), às 14h30; 12 de dezembro (sábado), às 16h.
Ribeirão Preto – 19 e 20 de dezembro (sábado e domingo), às 17h.





















