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Agenda

12º Round: A História de Emile Griffith no TUSP

Com a dramaturgia de Sérgio Roveri e direção de Bruno Lourenço, espetáculo conta a história desse lutador que enfrentou o preconceito ao assumir sua bissexualidade e evidencia como o racismo e a homofobia sempre estiveram presentes no meio esportivo

Racismo e a homofobia no esporte são pautas levantadas por 12º Round: A História de Emile Griffith, com texto de Sérgio Roveri e direção de Bruno Lourenço, que estreou em 2025 no Sesc Ipiranga. A peça agora ganha uma nova temporada no TUSP – Teatro da USP, de 21 de maio a 14 de junho, com sessões de quinta a sábado, às 20h, e aos domingos, às 19h. Em cena, estão Alexandre Ammano, Fernando Vitor e Letícia Calvosa.

Apesar de ter feito uma brilhante carreira no boxe, o caribenho Emile Griffith, passou a enfrentar uma luta contra o preconceito dentro e fora dos ringues ao assumir sua bissexualidade. Traçando um voo panorâmico sobre temas como a violência no mundo do esporte, o racismo, a homofobia e as fronteiras da masculinidade negra, a peça também se propõe a discutir como essas tensões ainda ecoam até hoje na sociedade, abordando as contradições, violências e resistências vividas por corpos dissidentes. 

A estreia do espetáculo contou com importantes personalidades do boxe brasileiro, como Servilho de Oliveira, primeiro brasileiro a conquistar uma medalha olímpica no boxe; Danila Ramos, primeira brasileira negra campeã mundial de boxe; Genival Guerra Gomes, árbitro da Confederação Brasileira de Boxe; Marcela Souza, primeira árbitra brasileira brasileira em uma olimpíada; Márcia Souza, Diretora de Arbitragem da Federação Paulista de Boxe e Fernando Tucori, jornalista e autor da biografia de Adilson Maguila.

Cinco vezes campeão mundial em três categorias de peso diferentes, Griffith foi o primeiro atleta com este perfil a assumir publicamente sua bissexualidade. Sua vida foi profundamente transformada após vencer o combate com Kid Paret, que havia chamado Emile de ‘bicha’ várias vezes em público e, no embate, foi nocauteado e faleceu, numa luta televisionada para todos os EUA em 1962. 

Negro e afro-caribenho, o lutador é uma figura de dimensões épicas, cuja trajetória nos permite discutir o quanto a sociedade contemporânea está — ou não — comprometida com a preservação dos direitos da população LGBTQIAPN+ e negra. O espetáculo busca dar corpo à memória de um herói complexo, que ousou desafiar as regras de seu tempo, um símbolo que rompeu paradigmas e enfrentou o peso do preconceito.

Idealizado pelo ator Fernando Vitor, que interpreta o protagonista, o espetáculo faz parte de uma longa pesquisa com o objetivo de dar luz a histórias queers e negras. “A trajetória de Griffith é uma das maiores histórias do mundo do esporte, e seu desconhecimento é resultado de um longo processo de apagamento de nossa história e nossas identidades. Estamos comprometidos em honrar sua trajetória, destacando o fato de Emile ter se tornado, além de tudo, um ativista da causa LGBTQIAPN+. O espetáculo está na encruzilhada de questões atuais. E num momento histórico onde a luta contra a homofobia e o racismo se fazem tão necessária, resgatar a história de Griffith nos inspira a seguir em frente”, revela.

A peça é encenada em “rounds”, assim como uma luta de boxe, num formato que aproxima o espectador de uma linguagem singular, marcada pela repetição, pelo esforço e pelo esgotamento, elementos que tensionam os corpos em cena e tornam esse “ringue” um constante território de disputa.

A montagem marca a estreia do Coletivo Nocaute, grupo de teatro negro formado por Bruno Lourenço (indicado ao Prêmio Shell de Melhor Ator por ‘Brás Cubas’), Fernando Vitor (‘James Baldwin: Pode Um Negro Ser Otimista?’), Letícia Calvosa (‘Escola Modelo’) e Alexandre Ammano (‘O Avesso da Pele’ e ‘A Máquina’).

“Decidi escrever esta peça principalmente por achar imperdoável que um lutador de sua importância, um ser humano generoso e ativista de tantas e tão belas causas sociais não tivesse gravado seu nome na história. Griffith foi um ser humano excepcional, dentro e fora dos ringues. Senti que a dramaturgia poderia obedecer às regras do Boxe, no intuito de reproduzir o tempo de uma disputa na íntegra. Criei 12 cenas de três minutos, separadas por cenas menores, de um minuto, que correspondem aos intervalos do gongo, com o objetivo de ser fiel ao esporte. A narrativa surge entrecortada, com algumas idas e vindas no tempo, até que o arremate final se dá na última cena, na qual Griffith vive, aparentemente, o que teria sido o melhor dia de sua vida”, adianta Sérgio Roveri.

Neste percurso, a montagem dá voz a personagens reais e ficcionais que orbitam o universo de Griffith — sua mãe; seu maior adversário, Kid Paret; seu namorado; jornalistas e figuras simbólicas — oferecendo uma cartografia afetiva, política e histórica de sua trajetória e seu legado. 

A peça propõe uma reflexão sobre a complexidade da vida do boxeador, seus dilemas íntimos e os desafios impostos por uma sociedade que marginalizava sua identidade. A encenação busca captar a tensão entre o corpo como máquina de luta e o corpo como espaço de desejo, dor e resistência. O espetáculo conta ainda com projeções de imagens de arquivos em fotos e vídeos, utilizados com a finalidade de conferir verossimilhança às memórias fragmentadas, apresentar os rostos das personalidades reais e estabelecer diálogos entre os diversos tempos históricos.

“Esse foi o maior desafio da minha estreia na direção artística: transformar a luta em linguagem, em dança e em narrativa. E, mais do que isso, dar corpo e voz a uma história que me atravessa. Emile Griffith não é apenas uma figura biográfica, é um ancestral. Um campeão mundial praticamente apagado do nosso imaginário por conta da homofobia. Como é possível que saibamos tanto sobre Muhammad Ali, Pelé, Michael Jordan e quase nada sobre Griffith? Achei que essa lacuna precisava ser preenchida. Através da tensão entre elegância e violência, o espetáculo se constrói como uma espécie de teatro-documentário com uma pegada pop. A trilha sonora, marcada por clássicos do cinema, contribui para esse clima híbrido entre o real e a memória, entre o ringue, o vestiário e o clube noturno”, ressalta Bruno Lourenço.

Ficha Técnica

Idealização de projeto: Fernando Vitor

Direção Artística: Bruno Lourenço 

Dramaturgia: Sérgio Roveri

Elenco: Alexandre Ammano, Fernando Vitor e Letícia Calvosa 

Cenografia, Figurino e Direção de Arte: Maíra Sciuto e Natália Burger

Assistência de Cenografia: Matheus Muniz

Iluminação e Técnica de luz: Ariel Rodrigues

Preparação de Corpo: Tainara Cerqueira
Preparação de Voz: Malú Lomando

Consultoria e Treinamento de Boxe: Wellinton Souza 

Vídeo e Projeções: Renan Almeida

Direção Musical: Bruno Lourenço 

Técnico de Som: Fernando da Mata 

Piano (gravação): Lisi Andrade 

Vibrafone (gravação): Lua Oliveira

Sound Design: Lua Oliveira

Gestão de Projeto: Jéssica Rodrigues

Direção de Produção: Natália Burger

Diretor de Palco: Gabriel Diniz

Fotos: Rony Hernandes

Identidade Visual: João Victor Lage
Cenotécnica: Alício Silva, Casa Malagueta

Stand-in: Thamiris Mandú 

Apoio: Diamond Sports Brasil

Sinopse

Um dos maiores boxeadores de todos os tempos, o afro-caribenho Emile Griffith, passou a enfrentar uma luta contra o preconceito dentro e fora dos ringues ao assumir sua bissexualidade. Traçando um voo panorâmico sobre temas como a violência no mundo do esporte, o racismo, a homofobia e as fronteiras da masculinidade negra, a peça também discute como essas tensões ainda ecoam até hoje na sociedade, abordando as contradições, violências e resistências vividas por corpos dissidentes. 

SERVIÇO

12º Round: A História de Emile Griffith, do Coletivo Nocaute

Temporada: de 21 de maio a 14 de junho de 2026

De quinta a sábado, às 20h; e aos domingos, às 19h

TUSP – Teatro da USP – Rua Maria Antônia, 294 – Vila Buarque, São Paulo

Ingressos: gratuitos, liberados 1h antes de cada sessão na bilheteria (sujeito à lotação do espaço), limitados a uma entrada por pessoa

Classificação Indicativa: 16 anos

Duração: 70 minutos 

Instagram: @12roundteatro

Capacidade: 100 lugaresAcessibilidade: Elevadores

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