Realização dos produtores João Ibaixe Jr. e Jonathan H. Marcantonio para texto de Marco Casanova, a peça tem direção de produção de Gonzaga Pedrosa, trilha do maestro Marcelo Amalfi, cenário de Sylvia Moreira, figurinos de Simone Mina, iluminação de Wagner Freire, caracterização de Beto França, fotos de Heloisa Bortz, design gráfico de Denise Bacellar, assessoria de imprensa da Arteplural e mídias de Roberto Gobatto

Referências do cinema – de Michelangelo Antonioni a Federico Fellini- , o olhar filosófico aplicado ao teatro e a sensibilidade de Bárbara Bruno sobre o conflito conjugal marcado por violência velada e hipocrisia são condimentos que fazem de Depois da Chuva uma trama instigante. Primeiro texto para teatro do filósofo carioca Marco Casanova, a montagem estreia dia 10 de outubro, sábado, às 20h, no Ágora Teatro. (Sessão para convidados dia 9.)
Em uma produção de João Ibaixe Jr. e Jonathan H. Marcantonio, a primeira decisão do diretor e ator teatral Gonzaga Pedrosa foi abrir mão do convite para assinar a encenação em favor da atriz e diretora Bárbara Bruno. Sua experiência soprava que a obra deveria ser montada com a sensibilidade de uma mulher.
Artista experiente, então como diretor de produção, em nome da qualidade, em seguida chamou um grupo de talentosos criativos – maestro Marcelo Amalfi na trilha musical, Sylvia Moreira no cenário, Simone Mina no figurino, Wagner Freire na iluminação, Beto França na caracterização e Heloisa Bortz nas fotos. Para dar corpo no palco à história das personagens Lígia e Alberto estão Tatiana De Marca e Clóvis Gonçalves.
A trajetória do projeto é desenhada inicialmente por João Ibaixe Jr. Mestre em Filosofia, doutor em Filosofia do Direito e mestre em Direito Penal, sempre nutriu interesse ativo por ampliar seu raio de atuação profissional e atuar na Cultura. Há dois anos à frente da Iason Cultural, ao lado do sócio Jonathan H. Marcantonio, ele vê se concretizar seu desejo, a realização do primeiro espetáculo teatral de sua produtora. Para dar vida ao projeto da peça Depoisda Chuva não teve dúvidas ao começar a escalar a equipe: convidou os amigos Gonzaga e Clóvis, também companheiros do grupo de estudos (Encontros Literários- Filosóficos).
Trama
Prontos para ir a um casamento, figurino de festa e tudo, Lígia e Alberto são obrigados a ficar em casa por conta de um forte temporal. Impedidos de sair, a conversa, de início corriqueira, deságua em acalorada discussão quando vêm à tona feridas ainda não cicatrizadas de uma relação longa e desgastada.
Sustentados por uma tênue linha, Ligia e Alberto têm que lidar com os desejos e as frustrações permeadas pela violência recalcada e latente, com os preconceitos e com as impossibilidades de se libertar do que incomoda. Drama psicológico, o espetáculo usa a chuva como metáfora para transmitir a claustrofobia de um casal cuja relação começa a ruir e é detonada por um acontecimento banal (uma frase ouvida na rua).
A cena que desencadeia os conflitos se dá quando Lígia tem um insight de uma situação vivida na rua. Em sua volta pra casa, ao passar por um casal de jovens ela escuta a moça dizer: “Como você quer que te perdoe se você transou com minha mãe”. Foi disparado o gatilho que detona o bombardeio de emoções e revolve todo o lodo soterrado sob a hipocrisia do casamento.
Cinema, Teatro e Bossa Nova
Marco Casanova partiu de duas referências para escrever o texto. O filme A Noite, de Michelangelo Antonioni, com Monica Vitti, Jeanne Moreau e Marcelo Mastroianii, sobre um casal que não se ama mais, e cujos problemas afloram numa noite. A peça O Manifesto, com Claudio Correa e Castro e Beatriz Segall, assistida pelo autor há anos, que se passa numa sala de jantar foi também inspiração. Outra fonte em que o Marco bebeu, a bossa nova Eu e a Brisa, de Johnny Alf, entra como pano de fundo e tem a citação do trecho (…quem sabe o inesperado não faz uma surpresa..) incluída na peça.
“A terrível noite da personagem Lígia, é uma oportunidade para encontrar seu caminho em direção a si mesma. Este é o cerne da peça”, discorre o filósofo, revelando que Alberto é um cara violento, estereótipo da burguesia hipócrita. “É aquele casamento que funciona porque as pessoas mal se encontram, pouco se vêm, quase não se falam e, quando são obrigadas a ficar juntas em um espaço fechado, os problemas, empurrados por debaixo do tapete, são revelados”. Em sua primeira incursão em um texto para teatro, ele não tem pruridos de autor, e está na expectativa para assistir suas palavras encenadas: “Quando acabo de escrever, fico com a sensação de que aquilo não é mais meu”.
A diretora Bárbara Bruno
O envolvimento da diretora Bárbara Bruno com o drama psicológico se deu primeiro pela emoção. “Somos movidos à paixão, em seguida a gente realiza. Depois da Chuva chegou pra mim como uma garoa mansa e densa que vai se transformando em bruma. Com o tempo, foi tomando forma, corpo, virando chuva que lava a alma. Isso se refletiu no trabalho. Reunimos artistas extremamente afins, com uma sintonia bonita e rara, o que está me dando um prazer muito grande no trabalho.”
A partir da concepção de direção realista de Bárbara Bruno, os criativos desenvolveram seus trabalhos nessa linha, com liberdade para propor outras ideias. “É sempre uma via de mão dupla”, cita, tecendo elogios a cada um dos criativos, a maioria já conhecidos de espetáculos anteriores – Wagner Freire, maestro Marcelo Amalfi, Sylvia Moreira. Bárbara destaca o reencontro com Gonzaga Pedrosa, que dirigiu em O Amor Venceu, peça que trazia também Clóvis Gonçalves no elenco. É a primeira vez que trabalha com a figurinista Simone Mina e a com atriz Tatiana De Marca (“atriz visceral”).
Sobre o autor, “professor de filosofia, intelectual interessantíssimo”, em suas palavras, comenta que ele faz sua primeira incursão na dramaturgia com a sorte do principiante munido de forte intuição. “Seu texto tem uma qualidade, a profundeza e a essência das personagens, o que compensa a falta de experiência na dramaturgia, [ingrediente] que a gente pode colocar. O teatro precisa de uma boa história, de quem saiba contá-la e gente pra ouvir. Ele necessita essencialmente do talento das pessoas.”
Ficha técnica
Texto: Marco Casanova. Elenco: Tatiana De Marca e Clóvis Gonçalves. Direção: Bárbara Bruno. Assistente de Direção: Ari Pinotti. Trilha sonora original: Maestro Marcelo Amalfi. Cenário: Sylvia Moreira. Figurinos: Simone Mina. Assistente de figurino – Grazi Cavalcanti. Iluminação: Wagner Freire. Caracterização: Beto França. Design gráfico: Denise Bacellar. Mídias – Roberto Gobatto. Comunicação Digital: Roberto Gobatto. Fotografia: Heloisa Bortz. Assistente de Produção: Lucas Abdalla. Assessoria de Imprensa: M Fernanda Teixeira e Maurício Barreira/ Arteplural. Camareira – Dhenize Iwone. Técnico de som: Lienio Medeiros. Técnico de luz: Samya Peruchi.
Direção de Produção: Gonzaga Pedrosa.
Idealização e Produção Geral: João Ibaixe Jr. e Jonathan H. Marcantonio.
Apoio Cultural: Vino & Cinema
Realização: Iason Cultural.
Serviço
DEPOIS DA CHUVA – Drama psicológico. Estreia dia 10 de outubro, sábado, às 20h.
ÁgoraTeatro – R. Rui Barbosa, 664 – Bela Vista, São Paulo – SP, 01326-010.
Temporada – De 10 de outubro a 22 de novembro de 2026.
Sessões – Sexta-feira, 20h; Sábado, 20h; Domingo, 19h.
Classificação indicativa – 14 anos.
Ingressos – R$100,00 (inteira) e R$50,00 (meia).
Link de vendas – https://www.sympla.com.br/produtor/agorateatro












