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Crítica: O Protetor se ampara na força de seus "super poderes"

No cartaz do novo filme de Denzel Washington, sob uma imagem de bravura, há a pergunta: “O que vê quando olha para mim?“. O Protetor parece a todo momento indagar até mesmo sobre o que é como Cinema. E a resposta mais latente é a de que o diretor Antoine Fuqua faz aqui seu grande filme sobre um super-herói. Um super-herói decalcado da (aparente) realidade, mas com uma onipotência quase cartunesca, além de um desmedido senso de justiça.
Washington incorpora Bob, um metódico funcionário de uma grande loja de departamento que, com insônia perene, frequenta uma mesma lanchonete 24 horas e bate papos furtivos com uma prostituta melancólica, da qual cria certa afeição. Até que um dia, sua rotina é alterada quando Alina, a prostituta (cheia de graça na pele de Chloë Grace Moretz), é brutalmente espancada por seu cafetão russo, o que faz com que Bob se reconecte com seu passado e se envolve numa caçada justiceira, desbaratando assim toda uma rede de tráfico humano e de drogas.

O filme é baseado na série televisiva The Equalizer, exibida pelo canal CBS nos anos 80. Fuqua se apropria de um fiapo da historia original elevando a potência dramática de seu protagonista para níveis de heroísmo de Hqs. Basta notar os enquadramentos catárticos de Bob em momentos de clímax da trama, como nas cenas finais. Assim como a caricatura proposital dos vilões (aliás, a própria Rússia naquele contexto, é um sintoma disso). Para tal, o roteiro de Richard Wenk soa quase superficial na justificativa de seu herói, pouco aprofundando o homem por trás de suas motivações.
O máximo que faz é paralelizar seu passado (com boa participação de Melissa Leo, camaleônica), para minimamente dar algum sentido a seus superlativos. Porém, não deixa de ser um filme divertido, no sentido de se levar a sério no tocante as cenas de ação e luta (Fuqua sabe bem conduzir esse tipo de circunstância, basta lembrar que essa expertise era a melhor coisa no fraquinho Rei Arthur), e até mesmo na forma como Denzel sabe evocar a si em quase todo papel que faz.
O Protetor, se visto apenas como uma espécie de “decalque da Marvel“, torna-se um filme muito melhor. Agora se preferir enquadrá-lo apenas como um filme de ação, como tantos, a decepção é bem clara. “O que você vê quando olha pra mim?”. Talvez, Denzel, o que você é e o que você quer mostrar ser…

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