Créditos / foto: Gill Oliveira
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A poesia de Johann Heyss

Autor lançou ‘As Águas-Rubis’ pela Patuá

Em pouco menos de oitenta páginas, o escritor, poeta, músico e tradutor Johann Heyss nos apresenta seu novo trabalho. Desta vez a seara é poética e vem chancelada pela Editora Patuá. Em seu “As Águas-Rubis”, Heyss demonstra inequívoca capacidade de transitar pela poesia logo após ter submergido vitorioso de um delicado trabalho em prosa (recentemente o autor lançou Crianças do Abismo, romance editado pela paranaense Kotter Editorial). Agora, em seu novo trabalho, apresenta um livro forte, bem trabalhado e conciso.

Existem duas possibilidades na realização da leitura de sua poesia. Quem não conhece o autor pode ter dificuldade em entender certas referências, quem o conhece, por sua vez, irá encontrá-lo – sim, em essência – com mais facilidade nas citações e induções ao universo da magia e do fantástico que permeiam certos poemas. Heyss é referência internacional nesse campo de conhecimento e prática.

Vejamos exemplos de sutis indicativos da ligação do autor com elementos míticos ou ensinamentos primordiais de suas práticas:

 

“aí a realidade

nos espera

fera

de bocarra arreganhada

e nos espera

com a garra afiada

nos pendura

pela garganta

para mostrar o que se faz a cavalo novo”

 

(do poema “outra escola”)

 

Ou

 

“perdoo a demência fluida

como um córrego

de insanidade

 

contudo

não perdoo

a maldade”

 

(do poema “o outro ele”)

 

De substanciosa matéria-prima, entre plaquetas e hemácias,  tal o belo projeto gráfico do livro, os poemas de Heyss são sangue correndo nas veias. Os mais belos textos são os longos, e evito reproduzir trechos aqui por apreço em não querer lhes fragmentar a beleza. Aliás, ao leitor comum, às vezes a erudição de Johann Heyss atrapalha, frases extremamente bem construídas, palavras de raro uso em nosso cotidiano. Certo está ele. Mantém seu estilo e não entrega nada de mão beijada. Se querem flores e fadas não será nele que encontrarão.

 

Outros momentos altos do livro estão em mergulhos prazeroso nos temas da trivialidade.

 

 

“e aí você se pergunta

se é mesmo um cara

diferente

ou é apenas sua mente defunta

armando régias estratégias

para você não se achar obediente?”

 

(do poema “diferente”)

 

No conjunto, o livro funciona muito bem. A obra pode ser adquirida pelo site da Editora Patuá, na Amazon, ou com o autor.

Marcelo Adifa

Publicado por Marcelo Adifa

Marcelo Adifa é jornalista, roteirista e redator. Autor de Exílio (2015); A quem se fizer estrela (2016) e Saltar Vazio (2018), entre outros livros de jornalismo, poemas e romances.