Nesta retrospectiva, apresento os grandes destaques da música no ano que se encerrou. Confira abaixo:
Melhores discos internacionais:
DtMF – BAD BUNNY
Indiscutivelmente o MELHOR DISCO INTERNACIONAL do ano! Tudo é de uma beleza e autenticidade absurda! Seu impacto político-cultural refletem muito da estatura que Bunny chegou hoje.
Destaque para “DtMF”, “NUEVAYoL”, “TURiSTA”, “BAILE INoLVIDABLE” e “LA MuDANZA”
Mayhem – LADY GAGA
Seu disco mais coeso desde “Born This Way” e uma profusão de hits magistralmente bem produzidos. O talento melódico e radiofônico (?) de Gaga é espetacular!
Destaque para “Abracadabra”, “Perfect Celebrity”, “Disease”, “Die With a Smile”, “Zombieboy” e “Killah”
Lux – ROSALÍA
A inventividade, o inconformismo e a propriedade cultural de sua carreira é sublinhada com competência nesse que é um dos discos do ano!
Destaque para “Berghain” e “Porcelana”
Never Enough – TURNSTILE
Esse álbum marca uma nova etapa na carreira da banda que ressignifica sua natureza hardcore para sonoridades amplas como o new wave! De longe, o melhor álbum de rock do ano! E ele, com eles, está vivíssimo!
Destaque para “Sole”, “Dull” e “Look Out For Me”
The Art of Loving – OLIVIA DEAN
Demasiadamente apaixonada e chique, Dean faz um disco cujo diálogo vai de Motown à Bossa Nova, com ecos na Sade da década de 80. Uma profusão de canções excepcionais que exalam passionalidade e melancolia, e configuram esse trabalho e a cantora como os grandes momentos de 2025.
Destaque para “Man I Need”, “Lady Lady”, “So Easy”, “Loud”, “A Couple Minutes” e “Nice To Each Other”
Essex Honey – BLOOD ORANGE
A poesia desse disco do Blood Orange está ainda mais afiada na complexidade emocional, na consciência (dolorida) política e nas texturas sonoras que ele alcança tão delicadamente.
Destaque para “Mind Loaded”, “The Train” e “Look At You”
Through The Wall – ROCHELLE JORDAN
Já aclamado como um clássico instantâneo, Through The Wall é pura identidade da cantora anglo-canadense ao botar o R&B e a eletrônica para fazer a pista ter personalidade e sua obra, o destaque é.
Destaque para “Sum”, “The Boy” e “Never Enough”
Sincerely – KALI UCHIS
Não dá para encaixar Kali em nenhum rótulo musical. Como sua persona parece ser, seu som vem de instintos, e nesse disco, após o primeiro filho e perda da mãe, ela está emocionada, saudosa e melancólica. Seu disco é exatamente assim.
Destaque para “Sunshine & Rain…” e “All I Can Say”
The Clearing – WOLF ALICE
Eles chafurdaram na sonoridade e até numa experimentação bem setentista, falando e tocando as emoções que a subjetividade das letras entregam. Discaço!
Destaque para “Bread Butter Tea Sugar” e “Just Two Girls”
Sinners (Original Motion Picture Soundtrack)
Se a alma do filme é sua trilha sonora, ela o é pela riqueza com que foi construída com nomes como Miles Caton, Jack O’Connell e Buddy Guy! Canções poderosas como “I Lied to You” terem furado a bolha cinematográfica, diz muito sobre esse discaço.
Destaque para “I Lied to You” e “Rock Road to Dublin”
moisturizer – WET LEG
Quem diria que num mesmo ano que HAIM lançaria um disco tão sonolento, “as” Wet Leg entregariam a continuidade de sua obra-estado-de-espírito”.
Destaque para “pokemon” e “catch these fists”
West End Girl – LILLY ALLEN
Imagine fazer de sua expurgação pessoal o seu melhor disco? Aliás, britânicas são geniais nisso…
Destaque para “Just Enough” e “West End Girl”
Son of Spergy – DANIEL CAESAR
Quarto disco de estúdio do cantor canadense, traz colaborações com Bon Iver e e Sampha (!!!) e forte influência no gospel, o que complementa com sua maneira de verter o neosoul que tanto canta cada vez mais para si.
Destaque para “Baby Blue”
Woman of Faces – CELESTE
Reafirmando a excepcional safra britânica em 2025, Celeste entrega esse segundo álbum banhado a orquestrações intimistas e letras sensíveis, que refletem um fim de relacionamento.
Destaque para “This Is Who I Am” e “Keep Smiling”
Lótus – LITTLE SIMZ
A rapper segue muito bem influenciada pelo jazz e soul, trazendo a medida certa de sofisticação ao que tem (muito) a dizer.
Destaque para “Lotus”, “Lonely”, “Blue”e “Hollow”
Eusexua – FKA TWIGS
Interessante como seu experimentalismo virou sua identidade.
Destaque para “Eusexua” e “Drums of Death”
Melhores discos nacionais
Um Mar Para Cada Um / Antes Que A Terra Acabe – LUEDJI LUNA
MELHOR DISCO NACIONAL DE 2025!!! Luedji lançou dois álbuns que se complementam temática e emocionalmente. Para além do antagonismo entre emoção (mar) e razão (Terra), a delicadeza que exprime de sua voz torna extremos em características próprias para encerrar brilhantemente sua Trilogia das águas.
Destaque para “Ioiô”, “Karma”, “Kyoto”, “Harém”, “Joia”, “Apocalipse”, “Pavão” e “Bonita”
Coisas Naturais – MARINA SENA
A investigação de Sena sobre as sonoridades setentistas da música popular brasileira, encontra na simplicidade refinada de seu Pop, um sentido muito dela. E muito bom.
Destaque para “Ouro de Tolo”, “Sem Lei”, “Carnaval”, “Anjo” e “Numa Ilha”
Rock Doido – GABY AMARANTOS
O que Gaby promove aqui é a universalização de sua aldeia, como bem Tolstói nos ensinou. Citar literatura russa para falar de um ícone do Pará só reforça o quanto esse disco tem a importância de seu tempo.
Destaque para “Dá-lhe Sal”, “Foguinho”, “Short Beira Cu”, “Eu Tô Solteira”, “Tumbalatum” e “Te Amo Fudido”
Diamantes, Lágrimas e Rostos para Esquecer – BK
Samples, discursos e memória afetiva. U. Disco em que o olhar atento para a música brasileira, uma visão de mundo e as bases que o levaram até ali, tecem rimas, melodias e a consagração de um rapper que não faz disco nem mediano.
Destaque para : Ninguém Vai Tirar Minha Paz”, “Você Pode Ir Além”, “Não Adianta Chorar”, “Cacos de Vidro” e “Monstro”
Emicida Racional VL2 – Mesmas Cores & Mesmos Valores – EMICIDA
Olhando o passado com reverência e deferência e ainda fortalecendo a inventividade que consagrou sua carreira, Emicida entrega um disco que arranca lágrimas e certezas sobre seu lugar no mundo.
Destaque para “Quanto vale o show memo?” e “Us memo preto zica”
O Mundo Dá Voltas – BAIANASYSTEM
Aqui o Baiana conjuga toda sua sonoridade mais para olhar para si, sua espiritualidade, do que para seu meio, sua conjuntura social. Lindo demais.
Destaque para “Batukerê” e “Ogun Nilê”
Caro Vapor II – qual a forma de pagamento? – DON L
Continuação de seu potente álbum de 2013, Don L mira na convergência de musicalidade, sua fúria e poética, trazendo nessa contradição a complexidade de seu discaço!
Destaque para “para Kendrick e Kanye” e “aFF Maria”
Nyron Higor – NYRON HIGOR
O jovem maceioense entrega um disco delicado, confessional e de letras que dilatam qualquer sensibilidade. Discaço!
Destaque para “Eu Pensando em Você” e “Me Vestir de Você”
Deekapz FM – DEEKAPZ
Essa dupla mergulha nas referências radiofônicas dos anos 1990 e 2000, brincando com a MPB e a eletrônica, e demonstrando intrepidez para revelar do que é capaz de entregar.
Destaque para “Dance” e “Eu Te Entendo”
AFIM – ZÉ IBARRA
Nao é um disco desse tempo, ao mesmo tempo que traz frescor do novo que tem dado personalidade a nossa música hoje.
Destaque para “Da Menor Importância”, “Segredo” e “Morena”
CARRANCA – URIAS
A versatilidade do trabalho de Urias alcança o ápice ( e a maturidade) nesse discaço que arregimenta uma fusão de gêneros e um discurso feérico sobre ancestralidade, crítica social e amor romântico. Talvez a melhor produção musical do ano!
Destaque para “Deus”, “Voz do Brasil” e “Águas De Um Mar Azul”
Divina Casca – RACHEL REIS
Rachel sempre faz discos que te amaciam, te amaciam e quando você percebe, está imerso todinho nele.
Destaque para “Furacão”, “Jorge Ben” e “O Maior Evento da Sua Vida”
Quanto Mais Eu Como, Mais Fome Eu Sinto! – DJONGA
Djonga está rimando e compondo com intensidade num disco que ferve de tanto ímpeto do que ele tem a dizer. Não à toa tem o ótimo título que tem.
Destaque para “Melhor Que Ontem” e “Fome”
Beleza. Mas agora a gente faz o que com isso? – RUBEL
Depois do disco anterior que dividiu opiniões (eu gostei!), Rubel volta a sua essência delicada e dedicada ao violão e às reflexões poéticas amadurecidas que vem entregando.
Destaque para “Noite de Réveillon”, “Feiticeiro Gozador” e “Reckoner”
HASOS – BACO EXU DO BLUES
Baco sentou de frente para sua terapeuta e fez esse disco sobre auto conhecimento e cura. A sinceridade com que poetiza essa auto análise engrandece tanto seu disco que, mesmo ele inchado, ainda é um dos seus melhores trabalhos.
Destaque para “Pequeno Príncipe”, “Que Eu Sofra” e “Assassinos de Saudade”
CAMINHOS SELVAGENS – CATTO
Catto se derrama em letras de pura expurgação pessoal e reconhecendo o tamanho que chegou na música brasileira nesse trabalho puramente sensível e forte.
Destaque para “Eu Não Aprendi a Perdoar” e “Para Yuri Todos os Meus Beijos”
MARAVILHOSAMENTE BEM – JULIA MESTRE
Com seu canto sussurrado e ecos claros a Rita Lee, ela entrega mais um disco cheio de personalidade.
Destaque para “Sentimento Blues”, “Vampira” e “Marinou, Limou”
Mata-Leão – LORENA MOURA
O disco de estreia da carioca Lorena Moura bebe muito da fonte da MPB desbundada das décadas de 1970 e 1980 e com isso sua personalidade é ao mesmo tempo refinada e despretensiosa em canções muito bonitas e bem arranjadas. Bela revelação!
Destaque para “Perigo,” e “Titanomaquia”
Pedras vivas, Vol. 1 – ‘ahki huna
Sempre prestando atenção no trabalho desse duo brasiliense de origem libanesa, seu disco (e o som deles em si) segue sem uma catalogação muito clara, mas um resultado bem coeso e novo. O volume 2 também saiu esse ano, e poderia estar nessa lista. Descubram pois vale muito!
Destaque para “Kylian” e “na pedra”
A VISITA – KATY DA VOZ E AS ABUSADAS
Amoral, imoral e divertido. Punk a beça, o novo trabalho do trio pisa forte no acelerador de duplos sentidos, poéticas cruas e safadas para falar exatamente sobre como o meio que as circundam as vertem em resistência! “Santo”, música que abre o disco, é uma preciosidade.
Destaque para “Santo” e “Sufocunty”









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