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Tarja Turunen encanta fãs cariocas com carisma e vigoroso metal lírico

Tarja Turunen no Brasil sempre sobe ao palco com a plateia nas mãos. Não à toa o país é um dos destinos obrigatórios da finlandesa, atualmente jurada do The Voice em seu país. É uma mútua paixão antiga, que vem dos tempos em que Tarja estava à frente do Nightwish. Ela chamava atenção por sua beleza, carisma e voz lírica, tanto que após sua saída da banda em 2005, arregimentou um séquito de fãs fiéis.

Quem esteve no Sacadura 154 – local na zona portuária onde funcionava a The Week e que empreende uma consolidação no circuito roqueiro carioca – na noite de ontem (17) conferiu uma performance maiúscula da Diva do Metal, que não parece precisar de muito esforço para defender seu título.

A apresentação se iniciou com ‘Serene’, do álbum “In The Raw”, de 2019, que dá nome à atual turnê, Raw Tour. A faixa foi bem recebida pelo público, sobretudo os fãs de longa data, mesmo levando em consideração que abertura de show, a plateia é sempre efusiva devido ao primeiro contato com a estrela.

Em seguida veio ‘Demons In You’, do álbum “The Shadow Self”, de 2016, em que na gravação de estúdio conta com participação de Alissa White-Gluz, do Arch Enemy.

Ao se dirigir ao público, Tarja declarou como é bom estar de volta aos palcos, diante de uma plateia, depois de dois anos. “Oi, galera! Estou super emocionada de estar com vocês! Faz tanto tempo. Obrigada por estarem aqui hoje”, disse em um português bastante digno.

Foram cinco as músicas do álbum mais recente, de 2019, que por conta da pandemia só pode ganhar sua turnê agora. Inclusive a faixa cantada na língua natal da cantora, ‘The Golden Chamber (Loputon Yö)’, que foi executada por Tarja sozinha ao piano. Para quem esperava ouvir pelo menos umas quatro canções da fase Nightwish pode ter havido um banho de água fria. Apenas ‘Planet Hell’ constou no setlist, e só mesmo em respeito e gratidão aos fãs da banda que não deixaram de seguir a cantora e, de certa forma, aos ex-companheiros, já que foram a peça fundamental para sua carreira.

O terço final enfileirou as poderosas ‘Victim of Ritual’, ‘Innocence’, ‘I Walk Alone’ (do primeiro disco solo, “My Winter Storm”, de 2007, que já pode ser considerada um clássico), e ‘Untill My Last Breath’, faixa do segundo álbum, “What Lies Beneath”, que fechou a apresentação sem aquela manjada saída para o bis.

Tarja é acompanhada de uma competentíssima banda, que inclui o guitarrista Alex Scholpp, que há muito colabora com a cantora. Multi-instrumentista, ele também faz contraponto gutural à voz lírica.

Durante os 95 minutos de show, Tarja esbanjou simpatia, seja falando em português com a plateia – afinal são 22 anos desde a sua primeira vinda, ainda com o Nightwish, e ela lembrou da data durante a apresentação – ou brincando de lições básicas de canto lírico na música ‘Victim of Ritual’ (deixando-nos, pelo menos naquele momento, a ilusão de ser fácil acompanhar aquelas notas). Não é muito trabalhoso entender o porquê de ela ser conhecida em seu país como “a voz da Finlândia”. E fica claro também ao vivo que no Nightwish ela nunca foi apenas um adorno à frente da banda, como alguns desavisados podem achar.

Melhor definição para Tarja Turunen, por mais que possa parecer clichê, os gritos de “Diva! Diva!” formaram o coro após a execução da faixa do disco The Shadow Self que tem o adjetivo como título. Claro que há aqueles que ainda sonham com uma reunião com o Nightwish, mas a própria diz que acha hipotético demais. Tudo bem, sua bela carreira solo mostra robustez suficiente, e que ela não precisa da antiga banda como sustentáculo. Foi um belo encontro da musa com seu público, que já anseia pelos próximos.

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