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“A Bela que Dorme” se distancia demais de sua provocação

Um dos grandes expoentes do cinema italiano, Marco Bellocchio tem propriedade de sobra para jogar sua lente (invariavelmente política) sobre o delicado tema da eutanásia. Entretanto, essa propriedade acabou se chocando com a complexidade do tema.
A Bela que Dorme” vai destrinchando casos dramáticos sobre conflitos pessoais que se deparam com o direito da morte. O ponto de partida é o polêmico caso (real) de Eluane Englaro.
Em 1992, na Itália, Eluana sofreu um acidente de carro que resultou em um estado de coma que não teria recuperação. Sem apresentar avanços, sua condição estagnada deu início à batalha judicial de seus pais pelo direito de desligar os aparelhos que a mantinham viva. Após 17 anos de processo, em fevereiro de 2009, Eluana morreu, incitando uma questão sobre o direito de vida e morte e a prática da eutanásia. Conflitando opiniões em um país tradicionalmente católico, o caso de Englaro serve como eixo condutor para a trama.

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O diretor vai expondo suas tramas com tamanho distanciamento que o filme carece daquilo que mais necessita para estabelecer uma reflexão mais assimilada: humanidade. Os princípios de seus personagens são esquemáticos justamente para sublinhar os diferentes pontos de vista buscados por Bellocchio, e isso afeta a pungência da proposta. É como se a narrativa ficasse o tempo todo buscando desesperadamente uma corroboração para seus pontos de vista. Algo até inesperado para um filme desse realizador.  O resultado é que a trama que encerra o longa é a que consegue ser mais orgânica diante de tamanho pragmatismo. E a sensação é de que faltou coragem para fazer da eutanásia uma questão, e não um tabu.

[xrr rating=3/5]

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