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“Amanhecer – Parte I”, uma mal-fadada novela das oito!!!

Como sempre reitero nas minhas críticas a respeito da Saga Crepúsculo, não li os livros de Stephenie Meyer. Até tentei, mas nas primeiras páginas do primeiro livro percebi a furada que me esperava e desisti. Literatura requer muito de nossos neurônios para desperdiçarmos com histórias destituídas de sentido, principalmente quando se justifica pura e simplesmente pela fantasia. Amanhecer – Parte 1 é o início do fim para uma franquia inesperadamente lucrativa (tendo, inclusive, levantado um estúdio – a Summit – os atores e um nicho de mercado). E como em qualquer saga, os caminhos dramatúrgicos do próprio universo são levados a um clímax até interessante. Recentemente tivemos um ótimo exemplo disso com Harry Potter, mas óbvio que a sustentação literária do filme,naquele caso, era muito mais rica e potencialmente vasta na telona.

A trama é quase de domínio público: O casalzinho formado pelo vampiro Edward (Robert Pattinson) consegue casar com a mocinha Bella (Kristen Stewart). Todo o espichado casamento e o movimento em torno (sim, o vestido Carolina Herrera é deslumbrante) servem para enfim acontecer o desvirginamento da mocinha (novela das seis?), que acontece num Rio de Janeiro tão caricato que as pessoas sambam para beber, para conversar, para beijar, etc, etc…

Depois de mais de uma hora de lenga-lenga, começa o conflito do filme. Bella engravida (jura?), o que desencadeia a ira dos “lobos”, já que surgiria um novo vampirinho e ainda movimentaria o passional triângulo com o vampiro/mocinho e o licantropo descamisado (Taylor Lautner), que temem pela vida da mocinha (não mais!) por carregar um filho de vampiro na barriga.

O que mais me intriga (e irrita!) nessa história (tanto do livro como no roteiro) é a falta de lógica que vai permeando todas as arestas da trama. Além do absurdo discurso neoconservador republicano da virgindade como virtude (!), principalmente com um vampiro que existe há centenas de anos, o filme vai se impondo sob diversos absurdos como o fato do cara, na lua-de-mel – repito, na lua-de-mel – levantar a hipótese de não transar mais com a mocinha para não machucá-la (“cê jura?”) ou quando, numa guerra anunciada entre vampiros e lobos, os vampiros (patriarcas!) que possuem habilidade de praticamente voar, ou seja, andar em cima das árvores, correm desesperados pelo meio, repito, meio da selva, onde estão sendo perseguidos. Quer mais uma? No embate, que se pretendia tenso, entre os vampiros e lobos (mais uma vez), a problemática do confronto se resolve de forma abrupta e absolutamente forçada…

O diretor Bill Condon (dos bons Deuses e Monstros e Kinsey, Vamos Falar de Sexo?) encarou o projeto como o é: trabalho de encomenda. E foi seguindo a lógica bizarra da história. Afinal, tinha que fazer aquele fiapo de parte da trama render um filme, pois o estúdio não ia perder a chance de estender as possibilidades de dólares, o que já se confirmou (só no Brasil, o filme teve o melhor final de semana da história). A direção, aliás, dos quatro filmes, mesmo sendo de diretores diferentes, pouco diferem, à exceção do primeiro que se dividia entre o trash e o eficiente. Em Amanhecer, a trilha excessiva torna tudo muito dramático e folhetinesco, a maquiagem continua sendo um problema incômodo e as atuações… Bem, contrariando a maioria, eu gosto do Pattinson e creio que sua aparente apatia seja mais do personagem do que do ator; assim como a Kristen, um pouquinho mais fraca que ele, mas compondo sua protagonista com coerência. O que é impossível não notar é a canastrice do Lautner/lobo, que nitidamente procura compensar a falta de talento com a vistosa forma física que cultivou para tal.

Não seria justo se não dissesse que a tensão levantada pela meia hora final é consistente, sim. Era mais do que obrigação de um momento tido como o ápice de tudo até ali e consegue ser persuasivo para a tal segunda parte em 2012. Para muitos, essa é a melhor parte da saga… Isso diz muito sobre o que é/foi a franquia de um modo geral.

[xrr rating=2.5/5]

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  1. bom tenho que respeitar todos os gostos mais para min tanto o filme como o livro sao otimos nos leva a uma realidade abistrata que todos aseiam , um amor, uma felicidade quase imposivel, um sonho a se realizar. resumindo muito lindo um verdadeiro sonho de amor

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