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"Ana e Vitória" é crível, mas formalmente limitado

Dupla conhecida pelo repertório “fofinho”, mas assertivamente confessional, Anavitoria ganha um filme que ao mesmo tempo foge do clichê que suas imagens poderiam levantar, sofre com a suas limitações dentro de suas pretensões. A história é um misto de real e ficção sobre a trajetória de vida das meninas, que se conhecem, descobrem que têm a música como ponto forte em comum, diante de suas promissoras carreiras universitárias, estouram com um vídeo de uma música na internet, são empresariadas por um influente da indústria e ficam conhecidas no país inteiro.
O diretor Matheus Souza escreve e dirige com sua costumeira propriedade em comunicar com os jovens, dentro de suas idiossincrasias. É interessante a propensão musical que dá à trama, trazendo frescor ao texto moderninho que procura dá conta da fluidez sexual das novas gerações (ou de sua melhor compreensão).

Entretanto, tal propensão fica muito exprimida nas limitações físicas das locações (praticamente duas!), o que enfraquece a dimensão de seus números musicais (mesmo os mais intimistas), assim como o texto, que apesar dos bons diálogos, procura acampar tanto os conflitos amorosos da dupla, que pouco as constroem como indivíduos.
Ana Caetano e Vitória Falcão, são carismáticas, e nas cenas entre as duas, a naturalização dessa sintonia fica evidente. O problema está quando elas têm que interagir com o restante do elenco, onde a falta de estofo dramático é clara. Ana e Vitória fica nesse pêndulo entre o acerto e o erro (a excessiva duração também depõe contra), o que de certa forma, reflete às experiências amorosas erráticas que o duo tanto canta.

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