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“Capitães de Areia” é reverente, mas apático frente ao universo de Jorge Amado

Um dos livros mais marcantes da literatura regional brasileira, Capitães de Areia, do autor baiano Jorge Amado até que demorou uma eternidade para ganhar sua adaptação cinematográfica. E esta foi feita pela neta do escritor, estreando na direção de longa-metragem, Cecília Amado.

Cecília procurou planar sua câmera para mostrar o dia a dia de delinquentes de Salvador, liderados pelo molecote Pedro Bala. O grupo é formado por crianças e adolescentes órfãos que vivem pela Salvador dos anos 30 praticando pequenos furtos e vivendo de uma liberdade que tanto atraem quanto amedronta a sociedade da época.

Nessa busca pelo cotidiano, tanto o roteiro (da própria diretora com Hilton Lacerda) quanto a direção em si optam pela escolha imagética da história, com pouquíssimo desenvolvimento dramático dos personagens.

Um ponto fraco também é a oscilante atuação do elenco que, ao buscar o “método Cidade de Deus” de trabalhar com atores inexperientes, não obtêm o mesmo êxito do filme de Fernando Meirelles, enfraquecendo a força o universo retratado.

De um modo bem geral, não dá para atestar o filme como propriamente ruim, até porque ainda que a diretora fala escolhas bem irregulares, ela demonstra traquejo técnico na ilustração de seu universo. Ainda conta com uma inspirada trilha sonora (original) de Carlinhos Brown. Mas não dá para não destacar que o filme, para além de algum carisma cênico, fica aquém do encantamento que seu bando vende na história.

[xrr rating=2.5/5]

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