Que filme, feito há 20 anos, pode ser considerado inovador, surpreendente, de tirar o fôlego? Que filme lançado em 1994 já pode ser considerado clássico e obra-prima de seu diretor? A resposta é uma só: “Pulp Fiction”. O segundo longa-metragem de Quentin Tarantino, um cinéfilo ex-funcionário de videolocadora, assombrou Cannes. Assolou o planeta. Fez disparar os índices de adrenalina das plateias. E continua com o mesmo vigor ainda hoje.
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São três histórias, três núcleos que em algum momento se conectam. Vincent (John Travolta) e Jules (Samuel L. Jackson) são dois matadores de aluguel responsáveis por uma série de trabalhos sujos e uma maleta com um conteúdo brilhante e desconhecido. Eles são chefiados pelo gângster Marsellus Wallace (Ving Rhames), que é capaz de tudo para colocar sua esposa, Mia (Uma Thurman), no papel principal de um seriado de televisão. Butch (Bruce Willis) é um lutador que recebeu uma proposta irrecusável… para perder uma luta. Já o casal “Honney Bunny” (Amanda Plummer) e “Pumpkin” (Tim Roth) querem apenas assaltar um restaurante para conseguir uma graninha.
Todos têm um personagem ou uma cena de Pulp Fiction que guardam com carinho na memória cinéfila. Pode ser a injeção no coração de Mia Wallace, impedindo que ela sofra uma overdose, ou a dança artística de Mia e Vincent, inspirada ao mesmo tempo em “8 1/2” de Fellini e em “Bande a Part” de Goddard. Pode ser a simples discussão sobre como um sanduíche Quarteirão é chamado na França ou o assassinato mais besta que já aconteceu dentro de um carro. Pode ser a história bizarra do relógio de ouro do pai de Butch (e como ele foi “armazenado” durante a Guerra do Vietnã) ou a sequência em que o próprio Tarantino atua. Pensando bem, é difícil escolher apenas um momento genial na narrativa. Não foi à toa que Tarantino e seu colaborador Roger Avary ganharam o Oscar de Melhor Roteiro Original.
Samuel L. Jackson, Uma Thurman, John Travolta, and Bruce Willis as they appear in PULP FICTION, 1994.
A ideia inicial de Tarantino era ter um diretor para cada uma das três tramas. Hoje sabemos que isso seria inconcebível: embora muito da genialidade do filme venha do roteiro, quem senão o próprio Quentin poderia dar uma uniformidade e juntar perfeitamente os três universos por trás das câmeras? Além disso, que tem com Pulp Fiction a primeira experiência mergulahndo na obra de Tarantino tem uma ótima introdução. Além de seu inconfundível estilo “sangue no olho”, todas as marcas registradas do diretor mais pop de todos os tempos estão aqui: o fetiche por pés, os cadáveres ensopados de sangue, as drogas, as referências à cultura pop. A profecia feita quando seu primeiro longa estreou, dois anos antes, foi confirmada por Pulp Fiction: aí estava um brilhante realizador.
“Pulp Fiction – Tempo de Violência” é a atração das salas Cinemark nos dias 6, 7 e 10 de dezembro.

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