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“Contracorrente” espande o êxito peruano no oficio do bom cinema

Ang Lee e seu Brokeback Mountain ensinaram ao mundo que uma história de amor é universal não importando os fatores humanos a ele envolvidos. Contracorrente, candidato peruano ao Oscar de filme estrangeiro segue a cartilha e ainda dimensiona essa descentralização discursiva para patamares de realismo fantástico.

Passado numa exuberante locação do litoral norte do Peru, a produção narra a história de Miguel (Cristian Mercado), um pescador de um povoado simples que goza de certa liderança entre os locais e, apesar de ser casado e com a esposa grávida, mantém um relacionamento secreto com Santiago (Manolo Cardona), um artista plástico e fotógrafo que possui uma casa na região e tem fama de forasteiro entre os moradores. A trama evolui para uma relação sobrenatural que encontra seu ápice quando o segredo precisa confrontar as tradições religiosas e culturais daquele povo.

Dirigido com delicadeza pelo estreante Javier Fuentes-Léon, Contracorrente conta com interpretações intensas (nada que lembre as novelas latinas), em especial ao trio de protagonistas com Tatiana Astengo, como a mulher traída, sendo um dos grandes destaques do longa. O roteiro tem boas sacadas e conduz tudo com elegância (como nas cenas homo-eróticas) e segurança (como no climax final).

Ao contrário da maioria da cinematografia latina, o filme de Fuentes-León foge ao padrão de fotografia suja e procura na beleza e placidez de suas imagens a força e (de certa forma) dureza de seu conto. E o cinema peruano ascende qualitativamente a cada ano com seu olhar às idiossincrasias culturais de seu território – como o premiadíssimo A Teta Assustada, de Claudia Llosa – sendo vertido à universalidade do bom cinema.

[xrr rating=4/5]

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