Crítica: Debi e Lóide 2 compensa falta de frescor com o carisma da dupla | Filmes | Revista Ambrosia
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Crítica: Debi e Lóide 2 compensa falta de frescor com o carisma da dupla

Em 1994 a carreira de Jim Carrey ascendia de tal forma que dava a entender que nada iria pará-lo. Naquele ano o comediante emplacou três sucessos de bilheteria: “Ace Ventura”, lançado em fevereiro, “O Máscara”, lançado em julho e “Debi e Lóide – Dois Idiotas Em Apuros” lançado em dezembro. Este último teve uma arrecadação acima das estimativas mais otimistas.

Com um custo de 16 milhões de dólares, faturou 127 milhões, sedimentando de vez a posição de Carrey como o rei da comédia do cinema americano dos anos 90, além de colocar os então estreantes na direção Peter e Bobby Farrelly na crista da onda em Hollywood. A possibilidade de uma continuação era aventada frequentemente, mas tanto Carrey quanto os irmãos Farrelly pareciam mais interessados em novos projetos.
Nesse meio tempo, veio toda uma leva de comédias descerebradas como “Tommy Boy”, que ganhou o título oportunista em português “Mong e Lóide” e “Nutty: Nasceu Burro, Não Aprendeu Nada e Esqueceu a Metade”; foram produzidos uma série animada para a TV no ano seguinte e um muito mal sucedido prólogo em 2003, o sofrível “Debi e Loide 2 – Quando Debi Conheceu Lóide”. Passados vinte anos, e com as carreiras tanto do ator quanto da dupla de cineastas passando por um período de baixa (há tempos que não emplacam um grande sucesso), chega finalmente a continuação de Debi e Loide: “Debi e Lóide 2” (“Dumb and Dumber To”, EUA/2014).

Depois de passar vinte anos cuidando de Lóide (Carrey), que durante todo esse tempo se fingia de inválido só para pregar uma peça, Débi (Jeff Daniels) revela que precisa de um transplante de rim e procura um doador compatível. Logo em seguida recebe a notícia de que tem uma filha de 21 anos, fruto de um breve relacionamento com Freida (Kathleen Turner). Daí a dupla tem a “brilhante” ideia de viajar para encontrar a menina e convencê-la a doar um rim, se metendo em toda a sorte de confusões, muitas delas acarretadas pela limitada capacidade cerebral de ambos.

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O filme segue a mesma linha do anterior: roadie movie cheio de trapalhadas e cambulhadas e, como era de se esperar, o teor das piadas também segue o mesmo descerebrado e politicamente incorreto, porém sem o frescor da película de 94. Umas situações até funcionam bem e rendem boas risadas, outras nem tanto. Muitas passagens anedóticas são reedições das vistas no primeiro filme, como, por exemplo, uma tendo como pivô o menino cego que cria pássaros (hoje adulto), outra mostrando um sonho desvairado de Lóide, e ainda uma outra envolvendo belas mulheres aparentemente disponíveis, já no final.

O que se pode notar é que, apesar de continuarem sem muitas papas na língua, a dupla de diretores parece ter diminuído a carga de politicamente incorreto aqui, entregando uma fita de teor bem menos anárquico do que o da predecessora. No entanto, é divertido observar que esses vinte anos que separam os dois filmes não alteraram a química entre Jim Carrey e Jeff Daniels, que permaneceu intacta. A impressão que fica é que o primeiro Debi e Lóide foi feito há uns dois anos.

É visível que todo o elenco está ali realmente se divertindo. Daniels, por exemplo, tinha embarcado em uma sequência de filmes menores, mais independentes, como o ótimo “Paper Man”, e entrou no projeto muito mais pela farra do que por dinheiro ou prestígio. E o que dizer da impagável atuação de Kathleen Turner, no papel de uma ex-gostosa que envelheceu mal e desprovida de qualquer glamour? Na verdade a personagem, mãe da suposta filha de Debi, com um passado para lá de promíscuo, é uma grande piada com a própria atriz, diva nos anos 80 e que hoje ostenta uma aparência que é apenas uma versão decadente dos dias de glória. E ela participa da brincadeira com muito bom humor.

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Por fim, “Debi e Lóide 2” pode não ter o mesmo frescor do original, até pelo fato de o gênero comédia politicamente correta e descerebrada já não ser mais tão desconcertante atualmente, devido ao número de similares que vieram na esteira da linguagem dos irmãos Farrelly, mas ainda assim não decepcionará quem esperou por essa continuação. Sequências tardias costumam pecar pela falta de fôlego e por, de certa forma, dissipar o espírito do anterior, o que não ocorre neste. E vale a pena não sair logo ao acender das luzes, pois há uma piada pós-créditos.

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