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Crítica do filme “72 Horas”

Em “72 Horas” (The Next Three Days, 2010), Russel Crowe novamente é um homem comum que precisa superar todos desafios para reunir novamente sua família. Crowe vive John Brennan, professor ordinário que decide salvar sua esposa Lara, numa bela atuação de Elizabeth Banks, após ser presa pelo assassinato de sua chefe.

Com suas digitais na arma do crime, o sangue de sua chefe no casaco, e o testemunho de um colega de trabalho, Lara é condenada e tenta suicídio após seu último recurso na justiça ser recusado. Confiante da inocência de sua esposa, John decide dar um foda-se para o mundo e tirar sua mulher da prisão, não se importando com quantas vidas sejam danificadas em prol de seu ideal de felicidade. Mas o abismo entre ser professor e um Jason Bourne é grande demais e, mesmo que John sofra grande mudanças e caia em diversas armadilhas, é com desconfiança e descrença que a trama segue até seu terceiro ato.

Enquanto John quebra o sistema penitenciário e a segurança nacional para fugir com Lara, “72 Horas” mantém o espectador preso na cadeira esperando um desfecho. Segundos e minutos se prolongam com expectativa, inclusive com uma pausa avassaladora no momento mais tenso do filme, uma tensão devastadora, mas todo tesão acumulado se perde no final convencional e moralista, típico da sociedade americana.

A vida não é apenas preta e branca como colocam os filmes holywoodianos, assim não é possível culpar inteiramente o diretor Paul Haggis, vencedor do Oscar com “Crash – No Limite”, pelas falhas na adaptação da produção francesa “Tudo por Ela” (Pour Elle, 2008) para “72 Horas”. Produtores e executivos forçam o cinema para uma fórmula Disney, mas faltou ao diretor coragem para impor maior personalidade à produção, principalmente na construção da relação entre os personagens principais – por demais açucaradas, e na credibilidade na fuga dos personagens.

Mas o filme é de maneira nenhuma ruim, Haggis mantém no ar dúvidas com relação aos próximos passos de John, a culpa de Lara e o desfecho da empreitada. Boas sacadas são a presença de Olivia Wilde, como uma mãe solteira interessada no personagem de Russel Crowe, e do desconfiado detetive interpretado por Jason Beghe. Infelizmente a impressão final é de mais uma boa oportunidade perdida, com boas atuações que não levam a lugar algum.

[xrr rating=2.5/5]

12 opinaram!

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  1. Assisti ao filme com o objetivo de fazer um trabalho da disciplina Direito Processual Penal, sobres A Prova no Processo Penal.Gostei muito do filme, realmente houveram cenas eletrizantes e prenderam totalmente a minha atenção.Sendo a idéia central “a prova”, vê-se a falha na perícia técnica judicial, pois sendo o botão a única forma material de livrar a acusada, não foi devidamente procurado. Após três anos, é que um policial imaginou onde ele estaria, chegando perto de encontrá-lo. Assim, percebe-se que o trabalho da justiça e de seus assistentes é extremamente importante, pois lida com o destino de vidas humanas, podendo destruí-las e que nenhuma verdade é absoluta.

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Publicado por Salvador Camino

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