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Crítica: "Juntos e Misturados" é uma comédia romântica que não vai além do lugar comum

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“Juntos e Misturados” (“Blended”, EUA/2014) é a terceira parceria nas telas de Adam Sandler e Drew Barrymore. A primeira, e certamente a melhor, foi “Afinado no Amor”, de 1998, uma deliciosa comédia romântica passada nos anos 80, com várias piadas referenciais à cultura pop da época. A segunda foi “Como Se Fosse A Primeira vez”, outra comédia romântica simpática, em que Sandler é um veterinário em um parque aquático no Havaí e se apaixona pela amnésica vivida por Barrymore, com a tarefa de conquistá-la todos os dias como se fosse o primeiro encontro, uma vez que sua memória recente é apagada toda vez que acorda.
Em “Juntos” Jim, um viúvo funcionário de uma loja de artigos esportivos (Sandler), e Lauren, uma divorciada prestadora de serviços de arrumação de armários vivida por Barrymore (sim, lá nos EUA, como empregados domésticos são apenas para a elite, serviços de limpeza, arrumação e organização domésticas são muito requisitados) se conhecem em um encontro às escuras que termina de forma desastrosa e decidem que nunca se encontrarão novamente. Porém acabam se reencontrando acidentalmente em uma loja de conveniências.
A reviravolta se dá quando Jen (Wendi McLendon-Covey), a sócia de Lauren, desiste de uma viagem para a África com o namorado e seus cinco filhos, e manda a amiga no seu lugar para que desfrute do passeio ao lado dos rebentos Brendan (Braxton Beckham) e Tyler (Kyle Red Silverstein). O que ela não esperava era que o namorado de Jen, dono da loja onde Jim trabalha, também negociasse o pacote com ele. Daí, Jim e suas três filhas, Hillary (Bella Thorne, da série “No Ritmo”, do Disney Channel); ESPN (Emma Fuhrmann) e a caçula Lou (Alyvia Alyn Lynd), encontram Lauren e seus dois filhos em um resort de luxo na África, tendo que dividir as mesmas dependências durante uma semana.

A convivência, a princípio conflitante, vai aos poucos se tornando maleável, à medida que Lauren assume a figura materna que as meninas não tiveram e Jim faz o papel de figura masculina presente que falta aos meninos, já que Mark (Joel McHale da série “Community”) é um pai ausente. Nesse contexto, em meio a muitas confusões, Jim e Lauren terminam juntos. Não, não é spoiler, no trailer já é possível detectar que isso ocorrerá. A previsibilidade, aliás, é um dos maiores pontos fracos da película. Sabe-se o que vai acontecer, o que será dito.
Como é de praxe nas comédias em que Sandler atua e assina a produção, piadas infames se sucedem, há momentos de pieguice, mas a parte interessante são algumas referências pop e as músicas que compõem a trilha. O ator tem bom gosto musical, isso é inegável.
Adam Sandler começou sua carreira como stand up e, logo, ingressou no Saturday Night Live, a maior escola de comediantes americanos e plataforma de lançamento de nomes bem sucedidos do humor nas telonas. O problema é que Sandler nestes 20 anos de carreira cinematográfica parece incapaz de trazer alguma novidade. É sempre o mesmo papel de gaiato, bonachão, que não liga muito para os bons modos, mas no fundo tem um grande coração. Têm-se a impressão de que todos os seus papéis na verdade são interpretações dele mesmo, o que se caracterizaria como uma fraude. Steve Carrell, por exemplo, é um excelente comediante, mas mostrou em “Pequena Miss Sunshine” uma capacidade de interpretar um tipo completamente diferente do que aquele com que o público estava acostumado.
O filme é dirigido por Frank Coraci, que já havia trabalhado com Sandler em “Rei da Água”, “Afinado no Amor” e “Click”. Aqui ele não tem muito que fazer a não ser deixar ligar a câmera e deixar o comediante fazer o que tem garantido gordas bilheterias, sobretudo na terra do Tio Sam. Então, não se atreve a nenhuma ousadia autoral, pois ele sabe quem é o dono do show.

Drew Barrymore está visivelmente confortável dentro do contexto a que está bastante habituada. A eterna garotinha de “ET” parece ter mesmo se encontrado como mocinha romântica, só que com muito mais graça do que Meg Ryan e mais acessível do que Julia Roberts. Sua personagem é cativante e gera empatia.
No mais, Juntos e Misturados é mais um filme sobre homem e mulher, cada um com sua prole, que tinham tido para dar errado, mas vão aos poucos se entendendo, e resolvendo seus problemas internos. Não vai além do lugar comum e nem acrescenta à filmografia pessoal de ninguém. Sua longa duração de 116 minutos também incomoda. Uma enxugada de uns 20 minutos não fariam mal. É apenas um veículo para Adam Sandler, o que vai agradar aos fãs do ator e talvez a quem não procura nada além do que um passatempo ligeiro. Para estes citados por último eu recomendaria algo impublicável aqui sob risco de estar estimulando a pirataria, então mudo meu discurso e indico que aguardem o lançamento em serviços On Demand.

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