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Crítica: Maze Runner é mais uma empreitada no lucrativo filão literário-juvenil

A Literatura Juvenil se consolidou como um filão rentável não é de hoje. O fenômeno Harry Potter foi o responsável por abrir os olhos do mercado editorial para o fato de que, ao contrário do que se pensava, os adolescentes leem, e correm para o cinema para ver seus personagens favoritos em carne e osso, tanto que o sucesso nas livrarias se repetiu nas bilheterias. Com tamanho êxito, claro que Hollywood iria correr atrás desse pote de ouro que parece ser bastante fundo. Tivemos basicamente três tendências de transposições cinematográficas da Literatura Juvenil: a primeira, da magia, desencadeada por Harry Potter trazendo a reboque “Percy Jackson” e “Crônicas de Nárnia”; a segunda a do sobrenatural, na esteira de “Crepúsculo”, que nos apresentou, por exemplo, os nem tão rentáveis “Dezesseis Luas” e “A Hospedeira”; e a terceira é a do futuro distópico, que veio à tona através de Jogos Vorazes e que já rendeu dois “filhotes”: “Divergente” e agora “Maze Runner – Correr ou Morrer” (The Maze Runner EUA. 2014), adaptação do Best seller de James Dashner, capitaneado pelo estreante na direção Wes Ball.
Na trama, um grupo de jovens vive detido em uma colônia localizada em uma clareira onde são depositados com suas memórias apagadas. O local é circundado por um grande labirinto aparentemente intransponível que dá acesso ao mundo exterior. Um dia chega à colônia Thomas, um rapaz a princípio desacreditado, mas que, além de acidentalmente recuperar em parte sua memória, se revela com habilidades especiais e começa a despertar em todos o questionamento sobre o propósito do lugar, o motivo pelo qual foram parar ali e o que está por trás de tudo aquilo. Daí, Thomas se une aos detentos que se empenhavam em desbravar o labirinto sem sucesso até então, conhecidos como corredores (os maze runners do título), na tentativa de voltar ao mundo externo e descobrir toda a verdade.
MV5BMjIxMDQ2MTQwOF5BMl5BanBnXkFtZTgwNTI0NDE1MjE@._V1__SX1191_SY512_Best Sellers juvenis são apenas variações do mesmo tema: jovem comum, e muitas vezes desacreditado, se descobre especial e formidável e se torna a esperança para um grupo. A adaptação de Maze Runner parece em muitos momentos uma versão masculina de Jogos Vorazes e é possível observar elementos não só da referida franquia, mas ecos de “Fuga do Século 23″, a comunidade lembra a ilha de “Lost”, há um quê de Tom Sawyer e até dos garotos perdidos de Peter Pan. A trama como um todo é banal e previsível, e nem a introdução do elemento feminino Teresa (Kaya Scodelario), já no avançar da trama, provoca uma reviravolta interessante como sugere.
A inexperiência de Ball como diretor de longas para o Cinema não chega no entanto a incomodar, ele soube dar um bom desenvolvimento às cenas de ação, e ainda é amparado por um bom trabalho de direção de arte e por uma fotografia interessante. Porém tudo é prejudicado pela sensação de déjà vu causada pela semelhança com as franquias similares. Os corredores, por exemplo, em muito lembram a facção da audácia de Divergente. Até a edição e as tomadas de câmera denunciam certo parentesco com o referido filme lançado em abril deste ano, que já tinha sua afinidade estética e temática com Jogos Vorazes. Porém, vale observar que a maior parcela da responsabilidade é dos executivos de estúdio e dos produtores que procuram homogeneizar ao máximo o produto deixando tudo com o mesmo aspecto de modo que o consumidor final se sinta confortável pela familiaridade.
O elenco é composto por jovens sem muita expressão. O protagonista vivido por Dylan O’ Brian (das séries “New Girl” e “Teen Wolf”) ganharia mais brilho e geraria mais empatia se fosse vivido por um ator com um pouquinho mais de bagagem ou mesmo carisma, que em muitos casos camufla a falta de cancha. Como já é de praxe nos filmes do gênero, sempre há o personagem adulto vivido por um ator de renome, aqui a honra coube a Patrícia Clarkson, de “Dogville”, “Vicky, Christina, Barcelona” e da série da HBOA Sete Palmos”, mas devido a seu exíguo tempo em tela, seu talento passa quase despercebido.
Apesar de ser visto por muitos como um genérico da saga da “garota em chamas”, Maze Runner tem um séquito de fãs que pode até garantir sua sobrevida no Cinema, pois se tudo der certo financeiramente, os outros três livros da série também serão levados às telonas, sendo que o último, como já se tornou regra, será certamente desmembrado em dois. Para os fãs do gênero, o filme será um bom aperitivo para o terceiro episódio da saga Jogos Vorazes, que chega aos cinemas em novembro, pois ali estão contidos elementos familiares e um tom aventuresco satisfatório. É um filme de nicho, não é para toda e qualquer audiência.

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