em

Crítica: “A Teoria de Tudo” busca ser correta como cinebiografia de Stephen Hawking

O físico inglês Stephen William Hawking é um dos maiores nomes da ciência (se não o maior) ainda vivos. Doutor em cosmologia, foi professor de matemática na Universidade de Cambridge, onde hoje encontra-se como professor lucasiano emérito, um posto que foi ocupado por Isaac Newton, Paul Dirac e Charles Babbage. E, coincidência das coincidências, nasceu no dia dos 300 anos da morte de outro gênio, Galileu Galilei. Além de suas famosas e revolucionárias pesquisas no campo da cosmologia teórica e gravidade quântica, Hawking também ficou conhecido pela superação de não parar com sua insofismável contribuição para a ciência após o agravamento de uma doença degenerativa que lhe tirou os movimentos e a fala. Uma história que certamente renderia um filme.

A Teoria de Tudo – Crítica revista Ambrosia

Baseado no livro Travelling to Infinity – My Life With Stephen (traduzido aqui como A Teoria de Tudo – A Extraordinária História de Jane e Stephen Hawking), escrito por Jane Hawking, primeira esposa do cientista, “A Teoria de Tudo” (The Theory of Everything, UK/2014) conta a história de Stephen Hawking (Eddie Redmayne) desde sua vida acadêmica, onde já demonstrava seu brilhantismo, chegando a sua afirmação como um importante nome no mundo científico, mas o foco principal é seu relacionamento com a estudante de literatura e línguas Jane (Felicity Jones), que veio a ser sua companheira durante os anos mais importantes e também duros, a partir do progresso da doença degenerativa que o acometeu.

O principal problema das cinebiografias é justamente seu comprometimento com os fatos, por mais que haja elementos romanceados. Com esse compromisso estabelecido, não resta muito espaço para ousadias narrativas ou estéticas sob o risco de ofuscar o biografado. Daí, salvo raras exceções como “Meu Pé Esquerdo” e “Gandhi”, filmes que contam a história de uma vida variam entre o medíocre e o correto, mas nunca brilhante. “A Teoria de Tudo” pode constar no grupo dos corretos. A eficiente direção de James Marsh (do documentário “O Equilibrista”) em alguns momentos até se assanha e arrisca alguns lampejos de ousadia, mas engessada pelo roteiro adaptado (indicado ao Oscar deste ano) de Anthony McCarten se apequena com receio de talvez desviar as atenções do biografado.

A Teoria de Tudo – Crítica revista Ambrosia

O roteiro, aliás, não altera uma vírgula na fórmula matemática de cinebiografias, com acontecimentos em ordem cronológica e ênfase da carga dramática nos momentos mais importantes/emocionantes. Por outro lado, temos um verdadeiro show de interpretação de um dos favoritos ao Oscar na categoria de melhor ator. Eddie Redmayne compôs Stephen Hawking com tamanha veracidade que é impossível, por alguns momentos, não crer que é o próprio está ali. Inclusive o cientista disse recentemente que ao ver o filme teve a mesma impressão, de estar se vendo na tela. Ponto para o brilhantismo do jovem ator, amparado por um impecável trabalho de direção de atores e maquiagem. Felicity Jones, que também concorre ao Oscar de atriz no papel de Jane Hawking também realiza um belo trabalho que vai crescendo em notoriedade no decorrer da trama. Vale destacar também a belíssima trilha sonora de Jóhann Jóhannsson, indubitavelmente uma das mais bem elaboradas do ano.

Por fim, se por um lado A Teoria de Tudo peca pela retidão do roteiro que tolhe um trabalho de direção mais ousado, o trunfo recai sobre o trabalho de elenco, sobretudo a incrível composição do personagem de Redmayne, fazendo desta a biografia audiovisual definitiva do famoso cientista.

A Teoria de Tudo – Crítica revista Ambrosia

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *