“Crô – O Filme” jamais deveria ter saído de sua premissa “Crô – A Novela”

Uma das principais diferenças entre a TV e o cinema está no desenvolvimento de sua dramaturgia para que seus fins estabeleçam as bases do folhetim (TV) ou meandros de um gênero (mais aproximado ao cinema). Quando os dois veículos se juntam, o mínimo que se espera é que essa convergência se sustente, o que não acontece no injustificado “Crô – O Filme”.

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Decalcado do sucesso que personagem caricato vivido pelo ator Marcelo Serrado fez na novela Fina Estampa, e com roteiro do próprio Aguinaldo Silva que escreveu o folhetim, o filme já nasceu equivocado. Na verdade, a premissa da (pretensa) comédia já diz muito sobre seu resultado: Depois de herdar a fortuna da patroa que idolatrava, Crô tenta ser cantor, cabeleireiro e estilista de moda. Fracassando em todas as tentativas e cada dia mais entediado, ele sonha com a mãe, e percebe que a única tarefa que desempenha bem é a de mordomo. Daí começa a procurar uma patroa que o valha. Ou seja, uma das sinopses mais absurdas e cretinas (mesmo num gênero tão absurdo como a comédia) já vistas.

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O roteiro força situações se esgueirando nos maneirismos do personagem e não amplia uma trama para que o mesmo se desenvolva. Tanto que a única (e mal explorada) sacada que funciona é a mesma já impulsionada na própria novela: a relação do protagonista com seu mal humorado motorista. O diretor Bruno Barreto claramente precisava de uma graninha extra de fim de ano (o filme vai bem de bilheteria) para aceitar o projeto e pouco se envolve no que faz. Com piadas surradas, subtramas enfraquecidas pela banalidade da caricatura e atores como Milhen Cortaz e Carolina Ferraz desperdiçados nessa imensa bobagem, “Crô” poderia ter ficado restrito, no máximo, a um Vale a Pena Ver de Novo. Estão vendo como crítico de cinema sofre?

[xrr rating=1,5/5]

1 COMENTÁRIO

  1. Eu estou tentando entender como você chegou a esta opinião tão simplória de algo que já era simples por si só. O filme claramente não é uma extravagancia de originalidade e genialidade, mas sua opinião demonstra carregar um certo preconceito de modo qual não era necessário assistir o filme para ter essas conclusões.

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