Drive my car é daqueles filmes unânimes entre a crítica, e que esbarra também pelo mainstream, já que foi indicado ao Oscar (principal) de Melhor Filme, além de Filme Internacional. A pergunta que fica, a priori, é: seria isso tudo? Sim. É um filmaço!
Baseado no conto homônimo do incensadíssimo autor japonês Haruki Mukarami, é um olhar sobre a relação que se constrói cheia de sutilezas e camadas entre um diretor de teatro (Hidetoshi Nishijima) e a jovem motorista (Toko Miura), contratada para conduzir seu carro numa temporada de trabalho em Hiroshima.
O diretor Ryûsuke Hamaguchi, que já lançou nesse mesmo ano, o elogiado Roda do Destino trabalha aqui três linguagens em uma, resultando numa poética visual e dramatúrgica quase artesanal.

Em paralelo à história, nosso protagonista está ensaiando o clássico de Tchecov, “Tio Vânia”, então além da precisão cinematográfica em si, ele alia às digressões literárias vindas do conto original, o tempo e a reflexão dessa referência teatral do texto.
Existe uma meticulosidade na maneira como o diretor vai fazendo surgir as questões sobre resiliência e abismo emocional que é a chave da grandeza desse filme. Sobretudo quando, nas relações tanto do prólogo quanto da trama em si, essas questões se confundem no que entendemos como solidão.

Captar essa sensibilidade é o que o filme faz de mais bonito na relação com o espectador. Só que diferente da grande maioria da crítica (desde sua exibição em Cannes), a duração de quase 3 horas são sentidas sim. É o seu grande problema. Mas é muito cinema na essência também. Ainda que possa sair cansado dessa maratona emocional, dificilmente não se reconhecerá nela.












