em

E não é que “E aí, Comeu?” acaba funcionando dentro de seu gênero…

A comédia tem sido o bônus e ônus do cinema nacional, nos últimos anos. Geralmente (ainda que não seja uma ciência exata) é o gênero que mais tem cativado plateias e rendido bilheteria, mas também o que mais carece de qualidade ou relevância artística no nosso mercado. Quase como a lógica das pornochanchadas nas décadas de 70 e 80.
Bruno Mazzeo é o grande responsável por esse paradoxo, estando por trás de uma leva de filmes (Cilada.com, Muita Calma Nessa Hora…) que surpreendia nos resultados econômicos, mas aborrecia pela falta de sustentação dramatúrgica e/ou cinematográfica. E Aí, Comeu? aponta para caminhos animadores diante desse cenário.
Fernando (Bruno Mazzeo), Honório (Marcos Palmeira) e Fonsinho (Emilio Orciollo Netto) procuram entender o papel do homem diante da mulher contemporânea após o fracasso do casamento de um deles. Nas conversas no bar Harmonia, regadas a muito chope, o trio fala sobre sentimentos, sexo, mulheres e as desinências e implicações de tudo isso. Mazzeo faz um arquiteto abandonado pela esposa (Tainá Müller), Palmeira é um jornalista que suspeita de uma traição da mulher (Dira Paes) e Orciollo é o playboy solteiro, aspirante a escritor, que sente falta de uma relação mais perene.
O discurso do filme é machista e parece ser feito como iguaria para um público específico apreciar. Isso fica claro nas várias situações em que a mulher ou é vilanizada ou é estereotipada, porém devo admitir que o verniz do filme funciona. O roteiro, com diálogos metalinguísticos acaba fazendo com que essa bobagem nos ganhe pelo carisma das ideias lançadas, ainda que irregulares. Fora que o elenco demonstra um entrosamento que os exime de maiores juízos de valor. Ok, equivocadamente é um filme bom. Pelo menos trata o seu gênero com tutano para adultos, e não como uma simples cartilha de bilheterias.
[xrr rating=3/5]

Participe com sua opinião!