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Em “Burlesque” é preciso se entregar

Há tempos o mundo cinematográfico vem sentindo falta do gênero musical, o qual não possui meio termo; ou todos amam ou simplesmente não suportam. Desde os tempos de Astaire e companhia poucos musicais conseguiram cativar o público e de lá para cá o gênero vem caindo mais e mais no ostracismo.

Quando ressurgem são mal compreendidos (principalmente pela crítica) e tanto esforço em realizar uma boa produção cai por terra. Não existem mais dançarinos como Fred Astaire, Gene Kelly e Ginger Rogers. Os tempos são outros, não podemos ficar presos a lembranças de como eram bons os musicais, pois se for assim todos os novos nunca terão a menor chance e o gênero vai por fim sumir.

Com Burlesque não poderia ser diferente. O musical é recheado dos melhores clichês do cinema: garota do interior que sonha em ser artista, mocinho comprometido que se apaixona pela mocinha, vilão disfarçado de bom moço, antiga artista que caiu no esquecimento mas não abandona os tempos de glória, dentre muitos outros.

Ali Rose (Christina Aguilera) sai do Iowa para tentar a sorte em Los Angeles. Com pouco dinheiro e a procura de emprego, se depara com um letreiro luminoso que diz: Club Burlesque. Curiosa em saber o que tem lá, entra e se apaixona pelo local. As músicas, a dança, o clima, tudo a encanta. Mas, nada é fácil para a novata que começa servindo mesas sem conseguir a atenção da dona do local, Tess (Cher), além de ser constante alvo de implicância da estrela da casa Nikki (Kristen Bell). Quem a protege é o bartender Jack (Cam Gigandet), que a acolhe em sua casa e se torna seu amigo.

Não demora muito e Ali entende um pouco sobre Burlesque, que se trata de apresentações teatrais em forma de sátiras ou paródias, usando-se pouco figurino e muita sensualidade.

O grande problema é que o público está cada vez mais escasso e Tess está com a hipoteca do club atrasada e se não arranjar dinheiro para pagar, vai perder o imóvel. E vai caber a mocinha Ali, com todo seu vozeirão e potencial escondido ajudar Tess a sair dessa.

O filme é desprendido e não quer ser um grande musical, nem tem pretensões para tal, ele quer apenas divertir e consegue. Mesmo com a duvidosa escolha de Christina Aguilera para o papel principal ela consegue convencer numa versão “quase ela” real na telona. Sua voz impressiona (como sempre!) e a desenvoltura no palco e nas performances musicais é de tirar o fôlego, afinal ela treinou bastante o gênero em sua última turnê de Back to Basics.

A veterana Cher mostra que está envelhecendo com estilo e ainda possui aquela voz poderosa que a deixou famosa, mas seus dotes artísticos são pouco usados e ela arrasta as falas em algumas cenas. A química entre ela e o Stanley Tucci é ótima, mas não pode se dizer o mesmo com Peter Gallagher que parece ter sido jogado num personagem tão fraco.

Os cenários são em sua maioria minimalistas, com exceção do clube que é rico em detalhes e os figurinos, adereços e maquiagem são belíssimos. As coreografias dão um show a parte e sem elas o filme perderia grande parte do brilho. A trilha sonora é ótima, principalmente a música do ato final “Show Me How You Burlesque”.

No mais Burlesque é uma ótima pedida para aqueles que gostam do gênero musical e não vão julgar cada detalhe ou ficar fazendo comparações. Assim como o estilo que nos é apresentado é preciso se entregar completamente e se deixar levar pelo ritmo burlesco.

O filme concorreu a três indicações ao Globo de Ouro desse ano.

[xrr rating=3.5/5]

2 comentaram

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  1. Eu não gostei muito do filme. Os melhores números musicais ficaram por conta da Cher no primeiro número e cantando Last of me. Aguillera mesmo com mais voz não consegue cantar como ela cantou.

    Não acho que o gênero esteja preso a comparações com o passado, Moulin Rouge e Chicago são ótimos musicais e são recentes. Independente do gênero, o filme precisa ser bom.

  2. Achei Burlesque um filme médio, porém ele cumpriu com a sua finalidade de entretenimento e diversão. Sim, a história é um grande clichê porém mesmo isso soando muito ruim o filme cativa e emociona. Acredito que mesmo que a história não seja ousada, se for bem dirigida e tratada de forma criativa pode ficar interessante. Não acredito que possa ser comparado com Chicago ou Moulin Rouge, que são filmes excelentes. Mas se tratando de musicais recentes esse é bem melhor do que Nine.

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Publicado por Melissa Andrade

Fotógrafa, Roteirista, Crítica e futura Jornalista que acha impossível ser apenas uma única coisa, então escolheu ser muitas ao mesmo tempo. Tão mais Geek que Nerd, não sabe viver sem tecnologia, ou livros, ou filmes, ou televisão, ou quadrinhos...que acaba sendo algo tão Nerd quanto Geek...ai! Acredita que ser curioso é o que move o mundo e está sempre pronta a aprender sobre novos assuntos.