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Festival do Rio: Sequestro de um Herói

Lucas Belvaux é um ator belga que tem chamado atenção como um diretor que gosta de brincar com gêneros. Sequestro de um Herói é a sua primeira incursão no sub-gênero de filmes de sequestro, mas o diretor não se limita às suas convenções.

O herói, no caso, é o empresário multi-milionário Stanislas Graff, que parece ter a família perfeita e é o presidente de uma empresa tão valiosa que lhe rende amizades com políticos e figuras importantes da França, como o próprio presidente do país. Quando ele é sequestrado por uma quadrilha, sua vida pessoal é investigada minuciosamente pela polícia e a sua vida financeira é revirada por seu sócio, afim de levantar os 50 milhões de euros pedidos pelo resgate. O que eles encontram são indícios de uma vida desregrada e vazia, com muitos casos amorosos e gigantescas dívidas de jogo.

Além de não ter o dinheiro suficiente para o resgate, a imagem de Graff é degenerada quando todas essas informações vazam para a imprensa. A opinião pública começa a pensar que ele planejou o crime para fazer com que a sua empresa pagasse o resgate e ele pudesse saldar suas dívidas. Esse assédio da imprensa e as informações levantadas causam um efeito dominó de amargura em todas as pessoas que viviam à órbita de Graff. Entre as pessoas próximas a ele, que vão uma a uma tirando o corpo de fora, e a interferência da polícia, que quer resolver o caso sem que um resgate tenha que ser pago, o empresário fica à mercê dos maus tratos de sequestradores cada vez mais impacientes.

A trama de Belvaux começa bastante tradicional e bem pouco interessante, mas aos poucos vai se revelando um estudo sobre um personagem complexo. O longa tem um rendimento saudável enquanto trata da vida e os negócios de Graff em sua ausência e a desintegração do ambiente familiar, mas é na segunda metade do filme, quando o protagonista domina a tela – e o seu intérprete, Yvan Attal, tem o espaço e o ambiente necessário para montar uma grande interpretação – que Sequestro de um Herói realmente aflora. Já sabemos tudo sobre o personagem, mas o que ele tem a dizer sobre tudo isso? Se for libertado, como reagirá?

Belvaux, infelizmente, não é um grande diretor, mas é competente e inteligente o suficiente para fazer um bom filme onde não há vilões ou heróis e onde o julgamento – principalmente pela parte da mídia – é mostrado de todos os ângulos. Hollywood teria feito este mesmo filme, sem tirar nem acrescentar nada, mas acho que andam muito preguiçosos por lá.

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