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A Datilografa – Festival Varilux de Cinema Francês

Começou no dia 1 de maio, em 40 cidades do Brasil, o Festival Varilux de Cinema Francês. Na premiere de Ribeirão Preto, pude assistir o filme “A Datilografa” (Populaire, 2012) e a impressão que eu sai do cinema foi um tanto quanto diferente do que o filme previa.

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O filme se passa na França, ao final dos anos 50. Rose (Déborah François) é uma moça comum que sonha em se tornar secretária (aparentemente naquela época, ser secretária era o sonho de toda mulher na França). Infelizmente, Rose é uma péssima secretária, mas uma rápida datilografa, mesmo usando apenas dois dedos das mãos (como este que vos escreve!). Seu chefe, Louis (Romain Duris) vê esse dom e se oferece a treiná-la para os campeonatos de datilografia.

O filme é o famoso água com açúcar da sessão da tarde, mas com algumas cenas que entram em total dissonância com o ritmo e estilo do filme, trazendo um certo desconforto e quebrando por demais o ritmo do filme, que, em seus primeiros 30 minutos é delicioso em diversos aspectos. Entende-se que, por ser o primeiro longa do diretor Régis Roinsard, ele talvez não entenda direito a regra e os ditames da edição para que a história fique bem contada. Ainda assim, o filme é uma pequena mostra de como um bom departamento de arte e figurino, conciliados com uma história simples e divertida podem fazer um filme totalmente delicioso de se assistir.

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As cenas cômicas, especialmente as proporcionadas por Deborah François são o foco principal do filme e quando se fala em cômico, não se fala de peripécias mas sim de falas bem escritas e bem interpretadas, usando toda abrangência do espectro de atuação de alto nível que a atriz nos apresenta. Seu rosto nos lembra a uma jovem Audrey Hepburn e sua doçura ao interpretar Rose traz vida a personagem. O mesmo pode ser dito de Romain Duris que mostra a empolgação e as amarguras de Louis por nunca ter sido um grande esportista e vendo em Rose a possibilidade de ser um vencedor, ao se oferecer para treiná-la para o campeonato.

Entretanto, o tom mais ameno que o filme nos propõem desde seu começo é misturado a um levemente dramático em sua segunda metade, cortando o ritmo do filme. Usar do drama para se aprofundar na alma dos personagens não serviu ao seu devido propósito. Até o momento em que ele é utilizado, todas as personagens já haviam sido plenamente desenvolvidas e estavam indo em velocidade perfeita a conclusão do filme. Acrescentar um drama pessoal entre os personagens principais não ajudou em nada a dinâmica do filme e só veio, a meu entender, para encher linguiça.

O filme leve e divertido do começo se perde a partir deste momento e o final, por mais esperado que fosse, acaba se traduzindo em um festival de clichês bobos e sem graça. Ainda assim, por mais que haja esse problema na estrutura do filme, seja por erro na montagem, seja por falhas no roteiro, o filme é digno de nota e extremamente recomendável para quem quer uma sessão de cinema para dar risadas de situações que não são forçadas (como em 99% das comédias americanas) e que vão dar um ar de satisfação ao publico de cinema.

Aguardem novas resenhas deste festival que está passando filmes ótimos e, mesmo se você nunca ouviu falar de diretor ou elenco, dê uma chance ao cinema francês e você não se arrependerá.

[xrr rating=3.5/5]

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